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Será nossa direita a maior fraude política do século XXI?

O texto a seguir é de Octávio Henrique, e traz uma visão dura, mas crua, a respeito do processo atual. Atualmente, tenho focado numa análise via teoria dos jogos e teoria do seletorado, e não vou cravar resultados finais (que podem ser os piores possíveis). Mas é importante ler o texto a seguir para termos pontos de reflexão.

Detalhe: não aprovo todas as opiniões a seguir e acho que faltaram pontos na análise (como o papel dos militares). Mas, de novo, o importante é focar nos pontos úteis para reflexão.

Por Octávio Henrique

“Toda vez que vejo alguma nova, digamos, “peripécia” dos neocons, volta-me à mente um pensamento que nunca tive coragem de expressar, mas que não posso mais conter: o pensamento de que a direita brasileira como um todo foi, talvez, a maior fraude política do Brasil do século XXI até o momento, mais até do que a chamada “esquerda identitária”.

Vejam, o direitista médio, quer liberal, quer conservador, quer neoconservador, quer reacionário, é o cara que tem coragem de proferir sandices como “queremos um governo sem viés ideológico”, como se isso fosse possível ou como se ter um viés ideológico, em si, fosse algo abominável (dica: o problema de uma ideologia totalitária, meus caros, não está necessariamente em “ideologia”, mas em “totalitária”, ora bolas!), e como se alguém fosse trouxa o suficiente para basear um governo puramente em ideais (ou seja, em algum momento, mesmo o maior dos ideólogos precisará ser pragmático, ainda que o pragmatismo dele vá contra o que você gostaria que ele fizesse).

Se setorizarmos a análise, fica pior ainda. Os liberais, por exemplo, foram e têm sido esses sujeitos que, se não apoiaram, no mínimo deixaram correr solta a narrativa do “privatiza tudo!”, uma narrativa no mínimo bizarra, dado o fato de que o brasileiro em si é acostumado com um país em que o Estado controla muitos aspectos de sua vida. Evidentemente, isso não torna o controle estatal bom, mas também não adianta assustar as pessoas para tentar desestatizar o país na marra. Se você é associado ao rótulo de privatista total no Brasil, quem perde é você, pois o brasileiro médio tem certo medo de privatizações não só pelo fato de acreditar que empresários em geral não são confiáveis, mas também porque isso implica perda de chances de um emprego público estável. Só um tonto, ou um liberal extremo, para não saber disso.

Os conservadores, por sua vez, ficaram nessa de “detemos a alta cultura!”, “nós somos melhores do que os esquerdistas porque lemos mais e entendemos como o mundo funciona!” e outras táticas propagandísticas sem vergonha, mas foram solapados de uma só vez pelos neoconservadores, que, inclusive, reivindicaram e tomaram para si o rótulo de “direita verdadeira” assim como o de “verdadeiro conservadorismo”. Pior, porém, é ver que toda essa leitura é falsa, pois conversar com esses mesmos conservadores (em geral, é claro, até porque eu seria injusto ao falar que todos os conservadores são assim) sobre qualquer autor fora de determinado eixo filosófico ou sobre qualquer autor de outra área (por exemplo, um Graciliano Ramos da vida, que não era filósofo, mas era um romancista de primeira grandeza) é só ouvir uma série de clichês decorados e, na maior parte das vezes, pouco profundos, reduzindo tudo a, no caso específico da Literatura, “regionalista” ou “cosmopolita”, ou o clichê gurgeliano “muita retórica, pouca Literatura”.

Os neoconservadores, então, merecem ainda mais atenção. Além de terem se usado do conservadorismo de um modo bastante malandro, eles andam cada vez mais flertando EXPLICITAMENTE com o desejo de um governo autoritário em terras brasileiras, reclamando que o atual presidente ou algum de seus “blue caps” não estão sendo tão “enérgicos” (leia-se: radicais) quanto deveriam contra o que eles chamam de “movimento comunista”.

Mais ainda: foram eles que acusaram a esquerda brasileira de querer implantar um totalitarismo no Brasil (acusação, convenhamos, até com algum fundo de razão se considerarmos certos setores da esquerda) e de terem destruído uma nação (o Brasil) que já é destruída desde o nascimento. Nesse caso, a contradição é que, além dessa defesa explícita do autoritarismo, os neocons alternam entre o discurso nacionalista tosco (como qualquer discurso nacionalista/patriota é, mas isso é outro papo) e a rendição ideológica incondicional ao americanismo. Agem, pois, contraditoriamente, mas, evidentemente, há algum ganho político nisso.

Os reacionários dispensam comentários. Além dos tradicionais comentários ocos de significação e/ou as piadas de um gosto bastante duvidoso, esse grupo se concentrou em pautas bizarras como “fim do Estado laico”(!) e “volta da monarquia”(!!). Digo que dispensam comentários, obviamente, não porque não sejam importantes, mas porque, fosse eu comentá-los, certamente receberia algum processo, pois não consigo responder educada e sobriamente a esse tipo de discurso.

Evidentemente, alguém poderia levantar como objeção o fato de esses grupos, às vezes, não serem tão claramente demarcados, ou seja, que há pessoas pertencentes a mais de um deles. Entendo, mas isso torna tudo pior ainda, pois um liberal simpático aos neocons, por exemplo, está só fazendo papel de trouxa mesmo, além de ajudar a reverberar mais um embuste além das crenças liberais.

A diferença entre todos esses grupos, no fundo, não é de veracidade de crenças (pois, repito, todos, em vasta medida, defendem insanidades sem tamanho), mas de atitude: os conservadores e liberais, parafraseando Caio Ribeiro, tendem a ser BANANÕES, enquanto os outros tendem ao oportunismo máximo puro e simples”.

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5 comentários em Será nossa direita a maior fraude política do século XXI?

  1. Ta complicado de entender a direita . Eu entendo que o maior problema da direita no Brasil no momento é vaidade ou a disputa pelo poder intelectual . Ofensas entres os lideres intelectuais da direita da vantagem para esquerda retomar o poder

  2. A direita brasileira, sobretudo a extrema direita olavete é a mais burra que existe na face da terra. Aqui os nazi coxas defendem Israel e dizem que é um “exemplo de conservadorismo” sendo que em Israel a maconha é legalizada, assim como o aborto. Os asnos acreditam que o presidente Assad da Síria “mata cristãos” sendo que é ele quem defende os cristãos enquanto a querida Israel deles está se lixando para os mesmos.

  3. Orgasmo de Cavalo do twitter // 1 de fevereiro de 2019 às 12:47 am // Responder

    A extrema direita brasileira é formada por marmanjos que não cresceram mentalmente, apenas fisicamente mas estacionaram na quinta série. As asneiras que os desescolarizados do Olavo e do clã Bolsonaro escrevem na rede social é digno de um molequinho babaca e mimado da quinta série, eles tem a mentalidade de um moleque de 11 anos. Mas isso se explica, já que o astrólogo decrépito não terminou a quarta série do primeiro grau, então a formação intelectual dele estacionou ali. E como as olavetes seguem à risca o que o velho geriátrico fala, agir como um moleque irresponsável da quinta série é pré requisito para ser um neoconservador brasileiro. Aí vem os memes tosquérrimos com frases falsas atribuídas à personagens históricos da história como Churchill, Hitler e Lenin. E tem a cereja do bolo: reverenciar Israel ao mesmo tempo em que se usa o judeu George Soros como bode expiatório para o que esses neonazistas tupiniquins acusam de “destruição dos valores ocidentais”.

  4. Curioso como tanto o texto como os comentários são cópias do que Olavo fala da esquerda a mais de trinta anos. os esquerdopatas são realmente uma piada.

  5. A propósito, neguinho falou em “extrema direita”, paro de ler imediatamente pois já sei que é babaca.
    (já tive minha cota na vida dos dois extremos)

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