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Por que os neocons odeiam tanto Andreazza?

De novo, a direita neocon está dando mais um papelão repugnante perante o mundo. Vem sempre aquela pergunta: tanta luta para derrubar o PT para isto? (Em resumo: a direita neocon é composta pelos olavistas. Se nem todos são extremistas, é de lá que surge a maior parte deles)

Vamos aos fatos. Sempre a partir dos MAVs neocons de sempre, começaram a surgir tuítes e posts de ridicularização a um suposto erro de análise de Carlos Andreazza em relação à votação para a presidência do Senado.

Falam especificamente deste vídeo:

O detalhe é que, no fundo, a análise simplesmente não pôde prever o nível de bagunça que se tornou a votação do Senado.

Eric Balbinus escreve:

Tem uma galera pegando no pé do Andreazza, mas aqui vai uma informação muito útil: é mais difícil fazer análise do que dar opinião em rede social. Ficam contrariados porque em boa parte das vezes análises contrariam práticas do governo, mas não se atentam para o fato de que essas análises usam elementos objetivos em sua elaboração. É diferente do mero palpite seco de rede social.
Tanto é verdade que nenhuma viva alma previu Davi Alcolumbre. Ou melhor: muitos nem sabiam quem era. Estávamos todos focados em Renan, crentes de que se sairia vencedor exatamente por ser o cangaceiro que é. Mostrem análises favoráveis a Alcolumbre. Não há nenhuma porque ninguém concebia está possibilidade. Houve no máximo quem pensasse em Simone Tebet. E basta observar o enredo da disputa de ontem pra entender que não foi uma Vitória absoluta, mas sim uma disputa pesada até o fim.
Ora, é fácil achincalhar agora. Dizer que o governo e seus homens tem sempre razão. Mas não havia até ontem quem não tem esse Renan e seus métodos. É até bom que a Direita reflita nas nuances e implicações de seus discursos: Andreazza não é político nem ativista. É comentarista pago para tecer análises de conjuntura. Não tem mesmo que se rebaixar como se fosse mero cheerleader do governo. Isso mesmo sabendo que o mais fácil para ele (e para qualquer um que se mete a opinar sobre política) seria puxar saco para ficar de bem com a ocasião. Dizer que o comentarista é desonesto é sugerir que ganhe algo por fora se emitir laudos desfavoráveis.
E quem prova isso? Ao que sei o sujeito sequer tem na atividade seu ganha pão principal, provavelmente ganha mais dores de cabeça do que dividendos. Sim, o mais fácil era o adesismo.
Andreazza errou resultados alguma vez? Provavelmente. E o fez por ser conservador em sua conduta. Os acontecimentos é que tem fugido a racionalidade. Ou algum gênio da raça sabia de antemão que um judeu marroquino do Amapá era um articulista frio a ponto de se opor a Renan? Andreazza não precisa de defesa, mas é bom pontuar certas questões. Se a alternativa mais fácil é só o adesismo covarde, para que dar a cara a tapa por nada? Temos que dizer. Se nos calarmos para tais obviedades, as pedras clamarão.

Muito bem lembrado, Eric. Mas existem detalhes adicionais.

A grande verdade é que setores da direita nas redes sociais vivem disputando espaço dentro da base de Jair Bolsonaro. Para os neocons, o método sempre foi o assassinato de reputações.

Andreazza, que é o editor do livro de maior sucesso de Olavo de Carvalho, é atacado não porque há disputa por espaço na base de apoio de Bolsonaro, como também dentro dos núcleos nobres do olavismo. O detalhe é que Andreazza, pelo que se nota, decidiu não participar dessas lutas por espaço. E isso atiçou ainda mais a revolta dos neocons, que parecem ter se sentido humilhados com o desprezo de Andreazza pelo mesmo objeto de desejo de muitos deles.

Foi daí que revolvi fazer um teste no caso Andreazza, já que várias pessoas demonstraram indignação diante de seu erro. Questionadas sobre o fato de ser difícil prever a bagunça para facilitar a eleição de Davi, diziam que o problema era “a arrogância” ou então “que não deveriam ser feitas previsões”.

Em suma, várias argumentações, geralmente mais furadas que tábua de pirulito.

Michael Shermer diz que formamos nossas crenças “por uma variedade de razões subjetivas, pessoais, emocionais e psicológicas no contexto de ambientes criados pela família, amigos, colegas, cultura e sociedade em geral”. Enraizadas na mente, essas crenças passam a ser defendidas e justificadas com uma série de razões intelectuais e argumentações aparentemente convincentes, mas normalmente as explicações são fabricações para proteger a identidade, ainda que sigam abrindo brechas para outros se aproveitarem.

No geral, as crenças surgem primeiro e as explicações chegam depois. O comando fica a cargo das emoções, até mesmo para direcionar nossa “razão”. Como diz Edgan Edgar Morin, nós muitas vezes acreditamos estar na racionalidade quando na verdade estamos na racionalização.

Por isso, foi feito o teste, que não é muito complexo. Num grupo de WhatsApp, basta monitorar as reações à análise do Carlos Andreazza. Você observará as justificativas acima. Daí é só esperar 3 a 4 horas.

Em seguida, poste uma análise errada, mas agora vinda de alguém aprovado pelas maltas pró-governo. Estimule a discussão.

Você notará que, mesmo sob estímulo, várias pessoas que julgaram Andreazza de maneira desfavorável agora não demonstram a mesma dureza diante de conteúdos aprovados pelos MAVs. Anotar as justificativas e as distinções de emergência é sensacional.

Não é que todos façam intencionalmente (a não ser os coordenadores de discurso), mas sim que as pessoas não têm noção da origem de suas introspecções na grande maioria dos casos.

Por causa do Efeito Backfire, ficarão ainda mais crentes em sua “raivinha” contra Andreazza, mas muitos, mesmo aqueles que agem sinceramente, não sabem que seus marcadores somáticos derivam de estímulos gerados por MAVs que decidiram quem são os in-groups e out-groups da campanha.

Como já não é mais possível discutir com muitos (mas nem todos, pois alguns ainda estão aptos a discussão), focar em experimentações desse tipo é bem útil.

Um detalhe impressionante é que o efeito se manifesta até mesmo quando avisarmos que estamos testando a reação da pessoa diante de conteúdos similares.

Em resumo, erros de inimigos dos MAVs serão selecionados, sem nenhuma caridade; por outro lado, erros de amigos dos MAVs serão ignorados, sem qualquer pudor, com defesas bizarras para o fato de eles serem ignorados.

Uma direita que se rebaixa ao ponto de assassinar a reputação de um divergente de direita por objetivos bem pouco nobres é digna de muita, mas muita suspeita. Que vergonha….

No fundo, Andreazza é odiado por não ter se rebaixado, em momento algum, às intimidações das maltas. Mas pessoas que se rebaixarem, mesmo cometendo erros piores, serão ignoradas. Basta fazer o teste.

Observação final: se alguém sinceramente acredita que está certo priorizar o ataque a Andreazza e não é um neocon (ou discorda das maltas em vários de seus comportamentos), estra crítica não é para vocês. Mas é bom ficar de olho em quem está influenciando o discurso na Internet.

Twitter: https://twitter.com/lucianoayan

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18 comentários em Por que os neocons odeiam tanto Andreazza?

  1. Acho que ninguém o odeia , só não acreditam nele,porque ele erra por prazer.
    Simplesmente um fato.

    • O ódio contra o Andreazza é descomunal. Tanto é que depois do meu texto já aconteceu algo bem grave: Silvio Grimaldo, assessor de Velez, sugeriu que ele deveria ser demitido da Jovem Pan. Isso não aconteceu nem no petismo.

      • Nada disso. Lembra que os petistas queriam a cabeça da Scheherazade e conseguiram fazer ela ser censurada de fazer a parte de opiniões no Jornal do SBT?

        Lembra que o Lula ameaçou deportar o jornalista do NY Times, Larry Roth, por que ele escreveu que “Lula gostava de beber”?

        Lembra que o PT queria aprovar um “marco regulatório da mídia”, proposta encampada por gente bacana como Rui Falcão, Ricardo Berzoini, Paulo Bernanrdo e Franklin Martins?

        Lembra que a Atriz Alessandra Maestrinni revelou na Jovem Pan que o Governo ligava para os atores, colegas da atriz, e exigiam que não fossem feitas piadas com o Governo, sob o risco de perda de publicidade oficial?

        Enfim, é só pesquisar e ver que esse é o modus operandii dos últimos 16 anos, pelo menos.

      • O detalhe é que estamos entrando no SEGUNDO MÊS de governo. A quantidade de discursos autoritários é enorme. A tendência autoritária é até maior do que na época petista.

  2. O Andreazza e arrogante e colhe aquilo que planta. Não acerta nenhuma e dá nisso. Desculpa mas quem pega no pé dele agora têm razão .

    • heheheheeh

      Este já é o desengajamento moral, com culpa transferida para o alvo. Se estamos vendo maltas atacarem seletivamente um jornalista, com objetivos censórios, este é o problema. Sair dizendo que o alvo do ataque “colhe o que planta” é apenas a REPETIÇÃO DO PADRÃO.

  3. Em geral gosto muito – e até cito em conversas – suas análises. Mas aqui você e o Eric Balbinus erraram feio.

    Errar uma análise e depois gastar tempo justificando por que ela saiu errada (“Por que foi analisada a partir de movimentos objetivos”; “Por que não levou em conta a bagunça que seriam”; etc…) faz parte do jogo da maioria dos analistas.

    Nassin Taleb em seu livro “A Lógica do Cisne Negro” toca justamente nesse ponto de analistas que ficam justificando o fato de não haverem previsto o “imprevisto”. E as desculpas sempre orbitam em torno do mesmo eixo “o jogo era outro” ou “eu previ aquilo que estava dentro do meu alcance, não entendo de X que influenciou o resultado, logo não teria como prever o resultado exato” e ainda “eu quase acertei!”

    Qual é o grande problema então? É que o Andreazza esqueceu-se do fator “erro cumulativo”. Ele ão aventou a hipótese de uma pressão popular mudar as regras do jogo no Senado.E essa pressão popular gerar um “efeito borboleta” que culminaria na não-eleição de Renan Calheiros e consequente erro na previsão.

    E é nesse ponto que eu discordo do Balbinus e de você: Andreazza tem um histórico de ignorar erros que se acumulam (e esses eros são so mais importantes). Ele é incapaz de considerar a hipótese alternativa, de prever – citando Nassin taleb – que eventualmente possam existir cisnes negros. E esse comportamneto se repete em várias de suas análises.

    Nenhum analista acerta todas. Mas um analista sério deve levar em conta todas as possibilidades, inclusive o imponderável.

    Resumindo: o problema do Andreazza é a sua arrogância que o torna ignorante, apesar de todo o seu “lastro”!

    • Mas é exatamente por isso que precisamos fazer o teste.

      A justificativas para o ataque ao Andreazza NORMALMENTE surgirão. Por isso, em grupos de Whats, podemos fazer o teste que sugeri. O teste é sugerido ESPECIALMENTE para as pessoas que identificarem “o problema da arrogância no Andreazza”.

      • Não, você está confundindo “obras do mestre Picasso” com a “**** de aço do mestre de obras”.

        Eu não me referi em nenhum momento aos ataques sofridos pelo Andreazza. Toda a pessoa pública sofre ataques. É do jogo.

        Meu comentário foi focado em por que ele erra e principalmente por que continua errando. E mais, o que ele deveria fazer para começar a acertar um pouco mais.

        Ponto!

      • E você está confundindo meu argumento com algo relacionado ao Andreazza. Estou comparando a disposição para pinçar erros. Faremos mais 2 testes hoje.

  4. Só queremos saber em quem ele votou, para o debate ficar mais equilibrado!
    Por quê, ele pega tanto no pé do governo?
    a) É só chato mesmo?
    b) É burro e não faz ideia de contra o que estamos lutando?
    c) Queria manter o establishment na mão de quem?
    d) É um progressista enrustido?

  5. “posts de ridicularização a um suposto erro de análise de Carlos Andreazza” suposto erro de analise? tu ta de sacanagem? o cara não só errou a analise como tentou ridicularizar o Ônix, assim como antes já havia tentado ridicularizar a candidatura bolsonaro. isso nao eh um suposto erro de analise, isso eh não conseguir analisar o novo momento da politica, onde as redes sociais tem forte influencia no resultado das eleições e agora como podemos ver, na eleição do senado tbm, ou alguem acha que o renan nao ganharia se nao houvesse a pressão nas redes?

    • Temos feito testes diários de análises similares a do Andreazza e que não geram a mesma indignação.

      O viés é que está claro.

      Você está focando no ato isolado, e eu estou focado no duplo padrão.

  6. Boa tarde. Acho seu trabalho excepcional e acompanho todas as postagens e sua imparcialidade é destacável.
    Gostaria apenas de ponderar os termos “odeiam” e “neocons”.
    Nem todos que discordam da posição do Andreazza o odeia ou é neocon. Eu to cagando pra ele e quero mais é que ele seja feliz. E quanto a minha “orientação política”, eu só quero que os governantes possam promover saúde, educação, emprego e segurança, seja lá quem for.

    Nesse caso desse cidadão especificamente, as colocações dele são muito equivocadas. Ele erra de verdade, erra parece até que propositalmente.
    Óbvio que cabe a mim apenas uma coisa: não dar audiência pra ele. E é o que eu faço. Também me sinto no direito de criticar o trabalho dele, no intuito de ele, eventualmente melhorar, ou a emissora trocar o participante do programa.
    Não posso, por isso, dizer que todos o odeiam ou que todos são neocons.
    O cara é ruim. Ponto.

    Um forte abraço

    • Concordo.

      Gravei um áudio e publicarei ainda hoje. Quando falo que “neocons odeiam”, isso pode ter sido impreciso. O fato é que tem gente com histórico e razão para esse ódio, pois ele não admitiu a intimidação.

      Mas é errado dizer que “todos os odeiam”. Ficará mais claro no áudio.

      Abs,

      LH

  7. É off topic este comentário, mas vi hoje duas notícias no Antagonista e lembrei de textos recentes daqui do blog:

    “Mensagem ao Congresso não tem nome do vice-presidente”:
    https://www.oantagonista.com/brasil/mensagem-ao-congresso-nao-tem-nome-vice-presidente/

    “Cala a boca, Mourão, votamos no capitão e o Olavo tem razão”
    https://www.oantagonista.com/brasil/cala-boca-mourao-votamos-no-capitao-e-o-olavo-tem-razao/

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