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Por que Bolsonaro está deixando a direita se autodestruir?

Se a honra da nação brasileira já havia ido para o esgoto, afundou ainda mais com a intromissão de Steve Bannon na política nacional da forma mais desaforada possível.

Em entrevista à Folha, Bannon chegou a citar como exemplo a ditadura húngara, de Viktor Orbán, o que traz péssimos presságios do que podem vir por aí. Bannon disse que o Brasil precisa ser “bem gerido, por um populista que acredite em soberania”. Bem, deixar um sujeito como Bannon interferir em nossas escolhas não é um exemplo de soberania. Atacou também o vice Mourão – replicando os mesmos ataques sórdidos lançados por Olavo, em uma campanha vergonhosa de assassinato de reputações -, dizendo que “é desagradável, pisa fora da sua linha”.

Basicamente, Bannon abre uma declaração de guerra e decide claramente partir para a provocação. Mas uma coisa é fato: toda essa baixaria de alinhamento com Bannon, com riscos à soberania nacional, é algo que podia ser previsível para os leitores deste blog. Se alguém não ficou desconfiado com essas palavras, é por não estar prestando atenção ou estar de má-fé.

No fundo, quem ainda não percebeu que alcançar tal nível de baixaria gerada entre um guru contra o vice tirou a dignidade da direita é por não ter entendido a situação. Agora vale tudo. Já estamos na lógica dos “tryouts” (quem assistiu o filme The Dark Knight vai saber o que é) e nem faz sentido falar em “plano de governo”.

Se um presidente deixa todo mundo se matar pelo poder isso já deixa a mensagem de que não há direção. Se nada é verdadeiro e tudo é permitido, as consequências podem ser qualquer coisa, uma vez que são direcionadas pela pulsão. Manifestar “fé no governo” está se tornando apenas um teatro que fazemos para nos sentir bem ou obter “prova social” perante um público.

Ou estamos mentindo para os outros ou mentindo para nós próprios, e, no fundo, isso não faz muita diferença, pois o que importa é a sensação. E, para alguns, a verba estatal. Quanto ao povo brasileiro? Sinceramente, vocês acham que alguém está se importando?

É por isso que acho muito engraçado que algumas pessoas digam: “quando o presidente sair do hospital, acaba a confusão”. A confusão, em questão, se veria nas “brigas internas”. Em muitos casos, a agressão vem de um dos lados, mas o teatro ajuda a chamar tudo de “confusões”.

Seja lá como for, tem muita gente afirmando que está “com medo da instabilidade pelas tretas” que prefere omitir da mente os fatos e o padrão sempre observado. Jair Bolsonaro usa a lógica de fazer os outros brigarem por poder abaixo dele. Sempre foi assim desde o começo e não vai mudar.

Por exemplo, enquanto Frota anunciava que levaria a marca do MBL, Bolsonaro sempre o tratou a pão de ló. Enquanto milícias virtuais atacavam os liberais, eram beneficiadas com altas posições na campanha. Porque agora quem decide atacar um importante membro do governo será repreendido?

Deixemos a hipocrisia de lado e passemos aos fatos: Jair Bolsonaro nada fez para repreender qualquer confronto interno. Podemos apostar que ele os estimula e talvez se divirta com tudo isso. Se ele já deixou a coisa chegar ao ponto de a agressão vir de alguém como Steve Bannon, é sinal de que pode ter apostas na disrupção.

Pessoas que desenvolveram esse tipo de mentalidade gostam mais da adrenalina, da tensão e não ligam muito se o povo sofre. Se Jair é um sádico, não sabemos, mas certamente é caótico. Enquanto muita gente está se preocupando “com a governabilidade”, ele provavelmente está rindo de todos nós. Talvez pense: “que vença o mais forte”.

Em tempo: quem disser que “Bolsonaro está no hospital e não pode fazer nada” está omitindo os fatos, pois ele já está despachando, perfeitamente lúcido, e apenas seguindo o padrão comportamental de sempre. O que ele quer? Não sabemos.

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