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Teoria do Seletorado. Ou: uma análise adulta sobre o governo Bolsonaro

Um fenômeno doentio tem acometido parte da direita. Podemos chama-lo de viés do paternalismo, que é a incapacidade de visualizar conflitos de interesse e trata-los como conflitos de entendimento. (É claro que existem os fingidos, que simulam uma crença que não possuem, e estes não são objeto desta análise, até porque “as tolices dos tolos são as oportunidades dos sábios”, como disse Theodore Dalrymple)

Vemos isso recorrentemente quando pessoas adultas enchem o peito para dizer: “Tenho um conselho para Bolsonaro, que é fazer (a), (b) ou (c)”. Só faltava alguém dizer à figurinha: “Quem disse que Bolsonaro está pedindo conselhos?”. Detalhe: faz muito tempo que se diz, no interior, que se conselho fosse bom ninguém dava, mas vendia.

Análises adultas não podem ser assim. Precisam olhar para os conflitos de interesses, principalmente quando analisamos comportamentos de outros adultos. É por esse motivo que jamais emiti uma frase como “Bolsonaro tem que fazer a reforma da previdência; caso contrário se complica”, pois é uma expressão claramente paternalista. Quem disse que ele “precisa” fazer reforma da Previdência?

Basta lembrar a história de Robert Mugabe, no Zimbabue, que jamais se preocupou com alguma reforma deste tipo, mas ficou 35 anos no poder. Não estou comparando os dois em termos de cenário, canais, condição e coalizão, mas fica nítido que achar que tudo se resolve “na economia” é apenas alimentar ilusão reconfortante para se sentir bem, mas não é análise política de fato.

Qualquer análise política adulta é baseada em conflitos de interesses, e não em conflitos de entendimento.

A primeira coisa a ficar clara é que não damos “conselhos” a pessoas adultas, a não ser que estejamos envolvidos em reuniões internas de equipe para saber quais são as chaves envolvidas, quais os jogos de poder, quais as prioridades e a correlação de forças nesses jogos.

Caso contrário, alguém ficará fazendo o mesmo papel de um hipotético analista paternalista em 1983, no Zimbábue, dizendo: “se o Mugabe não aprovar a reforma, ele cai”. Resultado: 35 anos no poder e o país completamente devastado. Pergunta: de que serviu o “conselho” do analista senão um motivo de vergonha alheia diante de alguém muito mais esperto que ele?

Vamos avaliar os cenários para o mandato atual de Jair Bolsonaro neste momento em que temos até um ideólogo ameaçando um vice, um dos exemplos de ações que abrem novas configurações de jogo para o presidente, de acordo com sua disposição de riscos.

Teoria do Seletorado

Costumo usar 3 pilares (canais, coalizão e condição) para uma análise via dinâmica social, mas essas questões são tão simples que focarei apenas na análise da coalizão, conforme a teoria do seletorado, definida por Bruce Bueno de Mesquita, Alaistair Smith, Randolph M. Siverson e James D. Morrow no livro The Logic of Political Survival, de 2005. Após a publicação do livro e de alguns papers, a pesquisa prosseguiu no meio acadêmico. Em 2013, dois dos autores, Mesquita e Smith, escreveram The Dictator’s Handbook, que amplia alguns elementos da teoria, de modo ainda mais ácido.

Tecnicamente, a teoria do seletorado é uma extensão da teoria dos jogos, só que aplicada especificamente ao alinhamento das chaves do poder.

Com a teoria do seletorado, os autores decidiram explicar toda a ação política ao longo da história, valendo para qualquer disputa de poder relacionada a grupos humanos, o que não inclui apenas um Estado, mas até mesmo a disputa dentro de um partido, mas qualquer tipo de organização, incluindo empresas, sindicatos e daí por diante.

Para poupar tempo, falaremos do vídeo Rules for Rulers, mais uma vez, que resume bem a teoria, sem muita chorumela:

O cenário brasileiro

Desde a redemocratização, o Brasil vivenciou vários governos democráticos, incluindo de centro-direita (Collor) e da terceira via (FHC). Também vivenciou um governo do socialismo bolivariano (do PT), que resolveu desafiar a democracia. Apesar do alto aparelhamento praticado por Lula, foi apenas com Dilma que o PT decidiu escalar na busca da implementação de uma autocracia, mas deu errado.

Curiosamente, sob um governo de direita, que prometeu lutar contra o autoritarismo da esquerda, surge uma orientação mais autoritária que qualquer coisa que já tenha sido tentada pelo PT, com a diferença de que isso, por enquanto, vem de apenas um dos setores do governo, mas a coisa pode gangrenar e se tornar orientação do próprio presidente, criando um cenário complexo, que permite qualquer tipo de consequência. Vamos compreendê-las.

Para começar, temos que partir da noção de que este governo começa com base em uma democracia, que pode ser erodida ou não. Pode nos ser útil um levantamento feito por José Fucs em 21 de janeiro, ao Estadão, em que ele mencionava a formação da base do governo – no alto escalão – em relação a 6 grandes blocos, que representam fatias do seletorado. Eram cerca de 80 chaves do poder. Observe:

O detalhe é que, se contarmos com lideranças partidárias, lideranças fieis e cargos em órgãos, além de alguns outros players (por exemplo, no mercado), podemos considerar que esse número pode se aproximar de 400 a 500 pessoas, no alto nível. Estas são as chaves. Alguém pode perguntar: e os milhares de cargos comissionados?

Essas são geralmente subchaves abaixo de uma chave de poder. Em relação as chaves, que interagem diretamente com o líder e tomam decisões, ficamos entre 400 e 500 pessoas. Isso é o que define o Brasil como democracia. Como você já deve ter notado, reduções de chaves significam diminuição da democracia.

Por exemplo, Hugo Chávez, ao entrar na Venezuela, modificou a Constituição e extirpou o Senado, além de requisitar maiores poderes, podendo passar por cima do Congresso, modificando radicalmente a estrutura do Judiciário. Ações assim significam redução de chaves a ponto de converter a Venezuela numa tirania sutil. O resto é consequência.

No caso da Hungria, ocorreu algo parecido, embora menos intenso: logo no início de sua gestão atual, Viktor Orbán mudou a Constituição para diminuir o número de parlamentares pela metade e implantou leis para regular a imprensa. Hoje, ele usa o termo “democracia iliberal”, que, curiosamente, alguns esquerdistas também adotam para a Venezuela. Eis a teoria da ferradura, de Jean Pierre Faye.

Fatores da análise

Na sequência desta análise, para o cenário brasileiro, temos que considerar os seguintes pontos, para avaliar se seguimos como democracia ou não:

Violência: Isto tem a ver com a disposição para o uso da violência na possibilidade de ruptura ou qualquer diminuição das chaves. Quanto maior a redução das chaves, maior o nível de violência, conforme mostram dados históricos.

Ambiente de crise: Para a manutenção da democracia, evitar  a crise – que gera diminuição da receita – é importante. Já para ditaduras, a crise pode ser útil. Crises exageradas podem levar até a ditaduras com bases extremamente reduzidas. Hoje em dia, esses exemplos são raros.

Nível de risco: Este fator tem a ver com o nível de risco que certos membros da base estão dispostos a correr. Para ruptura é preciso que este perfil de risco exista em número suficiente. Por exemplo, se uma base de 500 pessoas for reduzida para 300 pessoas, isso significa que quase metade não estará lá. Isto representa uma autocracia. [vamos analisar especificamente este fator, mas os outros também são relevantes]

Dependência da riqueza: Se um país depende principalmente da riqueza produzida pelos cidadãos, não é fácil convencer essas pessoas da base à ruptura. Assim, encontrar riquezas pouco dependentes dos cidadãos é chance para ruptura (ex. usar diamantes, petróleo, etc.). Alocação de espaços para outros países é uma forma de usar riqueza pouco dependente dos cidadãos.

Reformas: Se a intenção for uma autocracia ou ditadura de alta intensidade, as reformas não são necessárias. Para uma situação de guerra violenta (até com possibilidade de invasão externa), as reformas devem ser evitadas. Reformas que evitem a crise reduzem a chance de disrupção.

O fator que faz a diferença: nível de risco

Temos um fator novo no Brasil, que é a presença de um dos blocos compostos por um perfil caótico, disposto a qualquer consequência. Vejamos de novo o quadro abaixo das chaves:

Considere os militares, que possuem carreira estável e pertencem a uma instituição respeitada e altamente hierarquizada. Em seguida, os políticos, que, se não estão com a melhor das imagens, não tem motivos para querer qualquer ruptura. Já os liberais que estão no governo constituem pessoas muito bem sucedidas, que poderiam apenas curtir a vida, mas estão participando do jogo. Considere os lavajatistas, que são compostos, no governo, por pessoas de excelente currículo e reputação. Por fim, os evangélicos, que geralmente são líderes com reputação em seus meios.

Em síntese, temos 5 setores que possuem algo a perder. Não são pessoas que “topam tudo” pelo poder. O comportamento delas evidencia isso.

Agora observe o sexto setor: os olavistas. Claro que existem algumas pessoas com qualificação, mas vários outros desqualificados ou com menor qualificação, que normalmente assistiram um cursinho online e adquirem a noção de que pertencem a uma “alta cultura”. Tecnicamente, é uma fachada, mas isso serve para lhes dar confiança. Desenvolveram uma abordagem intimidatória nas redes sociais que impressiona muita gente, mas geralmente temos ali pessoas que não tem nada a perder. Uma prova disso é como eles se envolvem em baixarias pela Internet e não se envergonham de fazer aquilo que muitas pessoas normais teriam vergonha (é claro que há exceções, pois tem todos são desqualificados, mas falamos de uma tendência).

Historicamente, estes que agem como se tivessem pouco a perder tendem a aceitar mais riscos. Todos os revolucionários de golpes violentos que vimos ao longo da história não passam de pessoas com este perfil.  Mesmo que eles não sujem as mãos e nem queiram falar em ações violentas, costumam adotam linguagem com foco em golpismo, normalização da imoralidade, linguagem antissocial, tendência autocrática e técnicas de intimidação, pois atuam com pouco medo. Como Friedrich Schiller explicou, “quem nada teme não é menos poderoso que aquele a quem todos temem”

Então consideremos os dois grupos divididos em dois tipos quanto a apetite por riscos. Os olavistas possuem alto apetite por riscos. Os outros 5 blocos possuem, em média, apetite por riscos ficando entre baixo e médio.

Observe por exemplo a baixaria ocorrida diante mudança de posições no MEC. Uma das pessoas que saiu chegou a publicar um relatório completo das atividades internas de seu rival, o que é a típica postura de quem joga “sem nada a perder”. Junto a outros chiliques virtuais, isto permitiu até que o ministro Vélez fosse humilhado publicamente e tendo que ficar demitindo mais assessores. Obviamente, pessoas normais, que nutrem comportamentos socialmente aceitáveis, estão tendo dificuldades para lidar com pessoas que usam técnicas de baixar o nível em tal escala que tem surpreendido até a extrema esquerda.

Algumas ações típicas de perfis assim, em resumo:

  • Altíssimo índice de mensagens usando tom inflamatório atacando figuras relevantes da base, incluindo o vice
  • Alto número de pessoas na base que jogam com absurdo nível de risco
  • Uso até de figuras estrangeiras para intimidar brasileiros (caso Steve Bannon)
  • Defesa de negociações de ativos nacionais com foco em afastar China e países árabes e privilegiar Estados Unidos, rebaixando o valor do Brasil [tática usualmente adotada por ditaduras da África nos anos 80]
  • Ação típica de maltas na intimidação de os oponentes
  • Destruição do “espírito” das pessoas pelo clima contínuo de baixarias praticadas por parte de um setor do governo contra outros

Ou seja, ironicamente, em um governo de direita, temos hoje um dos blocos dentro do poder com ações dignas de quem está disposto a tudo, o que pode incluir qualquer tipo de ruptura sistêmica, precisamente pelo nível de risco que estão dispostos a aceitar. Quer dizer: há altos riscos à democracia.

Novas opções

Um ambiente em que um grupo está disposto a aceitar todos os riscos nos leva a levantar as quatro alternativas, sendo que já adianto que a primeira é praticamente inviável e a segunda, até o momento, bastante difícil.

São os quatro cenários:

  • Ditadura com invasão militar estrangeira
  • Ditadura com golpe interno
  • Conversão à autocracia moderna
  • Manutenção da democracia

Em relação ao cenário (1), falamos de uma chance mínima, com praticamente 0,1% de chances de ocorrer. Para que um cenário assim se viabilize aos líderes e chaves que topem o jogo, talvez fosse necessário criar ao mesmo tempo um ambiente de crise absurda (como impactos de 30% a 50% da receita) e arranjar uma “guerra Mandrake”, para poder conseguir pretexto de retirar os direitos dos cidadãos do próprio país. Se isso for completado com uma invasão por país estrangeiro, a festa está feita para os líderes que assinarem um acordo com os invasores. Evidentemente, o risco é altíssimo e a alternativa nem parece ser discutível no momento. Nem mesmo buscar pretexto com uma guerra contra a Venezuela para tentar direitos dos próprios cidadãos – geralmente a coisa serve para isso – seria suficiente para impor o cenário (1), mas pode ser útil para cenários (2) e (3).

No cenário (2), fala-se da ditadura com golpe interno. Também é uma alternativa bastante violenta, geralmente aplicada por milícias armadas e pode cooptar até alguns militares atuais. Às vezes pode desembocar em guerra civil. Para que isso prospere o nível de crise deve ser altíssimo, com queda de 20% a 30% da receita. Observe também o fator “dependência da riqueza” dos cidadãos. Entregar riquezas nacionais a países “pré-selecionados” pode servir com o uso de riqueza nacional como bens privados do líder. Isso pode ajudar a financiar ações vindas do exterior. Preste atenção também na conversa constante com chaves estrangeiras, como Steve Bannon. O detalhe é que o golpe violento é uma alternativa perigosa, mas o discurso de ódio lançado contra o vice é uma demonstração de que há pelo menos clima para se pensar nisso como possibilidade. O detalhe é que esses fatores também podem estar associados com o cenário (3), que adquire certa probabilidade. Até porque o cenário (2), no momento, é muito difícil de ocorrer.

Em relação ao cenário (3), teríamos um processo que se aproxima do que aconteceu na Venezuela e na Bolívia, mas também na Hungria e na Polônia. Em diferentes níveis, as liberdades são retiradas, podendo até chegar, depois de um tempo, numa autocracia de pleno direito. Tanto como nos cenários anteriores, é importante que exista um ambiente de crise, mas aqui uma queda radical do PIB já pode ser suficiente, pois o nível de risco é menor que nos outros dois casos. Lembre-se que o risco é de que uma chave do poder não esteja mais na nova base reduzida. No nível (3), o nível de vida da população vai cair, mas a censura sutil é implementada para maquiar a realidade. A redução de chaves pode ser realizada via alteração da Constituição, como fizeram Orbán e Chávez. Em relação à violência, às vezes processos assim ocorrem com quase nenhuma violência, como na Hungria e na Bolívia, mas podem descambar para ações sangrentas, como na Turquia e na Venezuela.

Por fim, o cenário (4) é simplesmente deixar o sistema como está. Jair Bolsonaro seguiria tendo que negociar com um grande número de chaves, o que força a manutenção da democracia. Num ambiente de crise, passível de reversão, não há número de pessoas dispostas a topar o risco de ruptura. Nesse cenário, a manutenção da popularidade do presidente conta muito, mas as outras chaves também possuem peso.

Historicamente, quanto mais próximo de (1) mais estabilidade ele oferece aos líderes, sem precisar garantir um bom nível de vida aos cidadãos. Já em relação ao item (4), por ser uma democracia, o nível de vida do povo importa.

Conclusão: e a reforma?

Agora podemos falar de política de adulto para adulto e sem fantasias como “se Jair Bolsonaro não aprovar a reforma da previdência; ele cai”. Na verdade, a teoria do seletorado lembra que o objetivo do líder é permanecer no poder o maior tempo possível para poder pagar a base que o sustenta.

Desta vez, existem elementos que chegam a ser caóticos – tamanho o nível de risco que aceitam – na base, e, por isso, as alternativas (2) e (3), de demolição da democracia, entram no tabuleiro. Ressalte-se que a alternativa (2) é bastante distante, mas vale lembrar que já existe até um movimento de assassinato de reputação de um vice bastante respeitado em sua corporação, o que mostra alto nível de aceite de riscos (e isso é apenas a ponta do iceberg). Assim, independente dos desejos de Paulo Guedes, ele pode ser tanto útil para uma reforma como tomar um rodo a qualquer momento.

De acordo com a manutenção do poder dos setores (2) e (3), é possível encontrar um momento para “dar um bote” e cortar algumas chaves, principalmente de forma sutil, para cair no item (3). Nestas duas possibilidades, uma ação do líder tenderia a sabotar a reforma da previdência ou, em menor nível, tirar o pé do acelerador, permitindo que ganhe o tempo. Atenção: redução de receita é “gatilho” para tomada de decisão de ruptura.

Porém, se os setores mais democráticos se impuserem, a alternativa (4) segue prevalecendo – e, por enquanto, é a que segue vitoriosa – e isso significaria manter uma base ampla. Nesse sentido, o líder seria tecnicamente “forçado” a aprovar a reforma da previdência. Para quem preza a democracia – e geralmente são os perfis menos adeptos a jogar com altíssimo risco, por terem algo a perder -, esse é o cenário desejável.

Foi apenas a presença de um setor que está disposto a escalar a qualquer nível no aceite de riscos que as alternativas (2) e (3), de ruptura democrática, passaram a entrar na lista de opções, com maior possibilidade para (3). Todavia, não se deve tirar da mente que a alternativa (4), de manutenção da democracia, ainda ocupa lugar central.

Seja lá como for, sair acreditando que um presidente “tem que fazer a reforma da previdência” é uma visão infantil. Isso também é a confusão entre uma empresa e um país. Talvez estejam confundindo Bolsonaro com o dono de uma empresa chamada Brasil. Nas empresas, é verdade que se ela não paga as contas, o dono pode ser responsabilizado. Mas em países não é assim que funciona, de acordo com a configuração de poder. Caso Dilma tivesse nos convertido numa Venezuela, com o uso de “conselhos” e “regulação da mídia”, talvez tivesse permanecido no cargo mesmo com a cratera nas contas.

Na verdade, é o jogo político que pode forçar um líder a aprovar algo como a reforma, como pode fazê-lo escolher o caminho inverso. Quem toma a decisão? É ele, mas suas chaves também agem nesse processo.

Se alguém ficar com raiva da análise via teoria do seletorado dos quatro cenários esta pessoa já deve ser vista como SUSPEITA. Por que? Simples. Se a pessoa não quer que as alternativas apresentadas sejam discutidas é provavelmente por ter segundas intenções.

Se eu estivesse no poder não ficaria nem um pouco incomodado de que essas quatro alternativas fossem expostas e, dia após dia, eu me comportaria de acordo com as previsões de cada um dos cenários.

Por exemplo, se há um cenário que prevê um tipo de ruptura e ele é apresentado como alternativa de jogo, qual o problema de as pessoas compararem o que está sendo feito com as ações previstas no cenário? Assim, a análise vista aqui é uma coisa. Outra, mais interessante, é a reação indignada à análise. Para quem quiser fingir indignação, ressalto pela terceira vez que o cenário (1) é tratado como virtualmente impossível e o (2) como bastante difícil de acontecer, mas ambos não podem ser retirados da planilha.

Assim, ninguém estará acusando ninguém de qualquer intenção, mas mostrando os padrões de comportamento que normalmente acontecem em cada uma das quatro opções escolhidas para o poder. Já avisei qual o cenário pelo qual torço: o cenário (4). Mas o jogo está aí para ser jogado. Mas agora aqueles que quiserem visualizar o cenário político de forma adulta já tem uma base por onde começar.

A partir de agora, vai ser daí pra cima.

Próximos assuntos, dando sequência a esse texto:

  • Como as ações de Paulo Guedes podem ser instrumentalizadas por diversos setores (focados em diferentes cenários), às vezes até sem que ele perceba
  • É possível encontrar uma dinâmica verdadeiramente neoconservadora na viagem de Bolsonaro aos EUA? Podemos testar…

Provavelmente os dois textos apareçam já amanhã, estendendo esta análise inicial

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17 comentários em Teoria do Seletorado. Ou: uma análise adulta sobre o governo Bolsonaro

  1. Enquanto esse nazista imbecil continuar a dar ouvidos para o velhaco senil e geriátrico do astrólogo Olavo de Carvalho, esse país vai ficar atolado na lama. Quem dá ouvidos para um velho doente mental e decrépito só vai ferrar esse país.

  2. Com a queda na popularidade, Bolsonaro vai ficar refém do Congresso, da classe política, como todos os outros. Vai ter que demitir essas figuras exóticas, tipo Vélez, Ernesto e Damares, e colocar gente indicada pelos partidos. É o presidencialismo de coalixão de sempre. Ou de cooptação. Oferecer emendas, nacos de orçamento e cargos de baixo escalão não vai bastar. Hoje o Rodrigo Maia já desdenhou de Sérgio Moro: é um empregado do Bolsonaro, não venha querer falar comigo sobre pauta, quem tem que falar com o Presidente da Câmara é o Presidente da República. Se eu fosse o Paulo Guedes já tinha pulado fora. Do jeito que vai, com filhos e Olavistas, laranjal, conversa sobre milícia e assassinato, não vai ser apenas de não passar reforma da previdência. Se a economia piorar, se o mercado se cansar, os deputados e partidos se revoltarem, se o STF se enfezar, vai tomar é impeachment. Vai cair no colo do Mourão. Duvido que o exército embarcaria numa ruptura da democracia, intervir em Congresso e intervir em STF pra segurar Bolsonaro, ainda mais com apoio popular em francs descendência. Abraço e bons trabalhos.

    • E tudo por culpa de um velhaco senil e narcisista que manda e desmanda no clã Bolsonaro. Se o Bozonazista sofrer uma derrocada, será por culpa do astrólogo Olavo de Carvalho, o filósofo da quinta série que não tem diploma. Fora que o Olavo de Carvalho é um verdadeiro parasita, ele quer é dinheiro do governo Bolsonaro porque ele não tem emprego, e aquela história de que ganha dinheiro com venda de aulas e livros é tudo mentira. O astrólogo não ganha nem metade para poder se sustentar, ele e a família idiota e estúpida dele, leia-se a Broxane e aquela caipira retardada da Leilah estão falidos, estão na rua da amargura. Então o Olavo se agarrou no Bolsonaro porque ele quer um cartão corporativo!! Sim, o Olavo quer mamar nas tetas do estado brasileiro, o mesmo estado que o velho gagá tanto criticava. O Olavo quer é estado mínimo para o miserável, mas quer um estado babá pra sustentar as mordomias dele e da mulher preguiçosa e vagabunda que ele tem. Olavo sempre viveu disso, de dar golpes e calotes nos outros, ele possui trocentos processos por estelionato, e foi embora do Brasil morrendo de medo por culpa disso. Olavo de Carvalho é um cancro para o Brasil. Se esse país se tornou racista e preconceituoso foi por culpa das teorias da conspiração dele.

      • Conheço um ex aluno do Olavo que até meados de 2016 o defendia. Atualmente não suporta ouvir o nome do astrólogo da Virgínia. Diz com todas as letras que esse velho é um charlatão e dos piores. O que ele faz é doutrinar. Todo mundo quando sai da Matrix olavética se sente precisando de um banho, nota a doidera a qual foi submetido.
        Olavo já está sendo posto no lugar dele e daqui alguns anos será tratado como piada completa, assim como o Bolsonaro. Atualmente ninguém admite que votou no Collor ou o defende. Bolsonaro será disso pra pior, e seu guru delirante e ladrão também.

  3. “Se alguém ficar com raiva da análise via teoria do seletorado dos quatro cenários esta pessoa já deve ser vista como SUSPEITA. Por que? Simples. Se a pessoa não quer que as alternativas apresentadas sejam discutidas é provavelmente por ter segundas intenções”.
    Blibdando o jogo assim é fácil.
    Aposto no 4 e descarto a possibilidade dos três primeiros por iniciativa do executivo, mas parece ser provocado propositalmente pela imprensa e sua intransigência para com o Bolsonaro (birra por estancar a sangria das verbas publicitárias), pelo ativismo do STF, e os presidentes das casas legislativas tentando barrar uma reforma que, ao contrário do que afirmado no texto, é querido pelo executivo, a quem querem colar a pecha de ditador.
    Motivo? Índole. Parecem crer ser inconcebível que exista alguém ou grupos de indivíduos que não sejam movidos pela sanha de poder, mas pelo desejo de fazer o melhor.
    Este fator, ignorado por vós, poderá, e disso não duvido, alterar a equação.

    • Essa análise não desconsidera a CHANCE de alguém “querer apenas fazer o melhor”.

    • Quando a pessoa utiliza como argumento uma suposta “bondade” do Bolsonaro, tratando esse como um herói e não um ser humano com INTERESSES PESSOAIS, aí nós vemos o nível de infantilidade grave que tem os bolsonaristas.

    • Renato, The Brave // 27 de abril de 2019 às 7:11 am // Responder

      Bingo! É desse tipo de pessoa que o texto trata. O objetivo central do texto é trazer a lucidez necessária pra que pensemos e nos comportemos como adultos, ao tratar de política. Volte 3 casas e leia tudo de novo.

  4. João Guilherme Maia // 22 de março de 2019 às 1:23 pm // Responder

    Sem dúvidas que o Brasil precisa de uma reforma, até porque, passou treze anos sob um desgoverno nunca visto no Brasil. Este desgoverno contaminou todas as nossas instituições, nós vimos o que aconteceu na Petrobras, ao ponto de quebrá-la. O Brasil se tornou a casa da mãe Joana, todo mundo fazia o que queria. Aí surgiu os cabides de empregos para atender a base do governo, se criou a maldita política do toma lá, dá,cá e nós vimos no que o Congresso Nacional se transformou. Por que os esquerdistas estão contra o governo do presidente Jair Bolsonaro, simplesmente, porque ele é contra tudo isso e a melhor coisa que ele fez foi não trazer políticos para os seus ministérios e sim pessoas com capacidade profissional. Agora dizer que o Bolsonaro vai resolver os problemas econômicos do Brasil da noite para o dia é maior ilusão, praticamente o seu primeiro governo vai ser para colocar as coisas nos seus devidos lugares, aí assim, depois disso é que o Brasil voltará a crescer economicamente e terá um desenvolvimento. Outra coisa, o importante para que isso aconteça, é que vai depender muito do apoio popular, que é para os bandidos de colarinhos brancos que estão travestidos de políticos no Congresso Nacional, não tentem atrapalhar a aprovação dos projetos do governo quando chegar no Congresso Nacional.

    • Temos acima um típico iludido que precisa pegar as falcatruas do PT para comparar com o Bolsonaro e assim fingir que o Brasil está bem nas mãos desse bunda mole.
      Damares é uma ministra preparada?
      Veléz é preparado pra alguma coisa?
      Dizer que Bolsonaro trouxe bons ministros é até desrespeitoso com a população que paga o alto salário desses ministros. Nunca vimos um governo tão bizarro e circense como esse. Circo do pior tipo, pois além de ter gente bizarra e incompetente, temos pessoas com suspeitas de assassinato, ligações com milícias e laranjal.
      Bolsonarista não consegue pensar como adulto. São crianças deslumbradas. Ainda bem que seu número está sendo reduzido.

      • Sua “argumentação” se resume a ofensas. Discorde do outro mas o faça com informações e não com seus “achismos’ e “desejos”. Está parecendo uma criança mimada.

      • Quem acaba de agir como criança mimada é você, assim como todos seus colegas bolsonaristas, que sentem dor nos olhos e na úlcera ao verem qualquer crítica ao seu presidente incompetente.
        Vocês encaram críticas ao presidente como uma ofensa PESSOAL. Nem parece que se está lidando com adultos. Adultos não ficam abalados a esse ponto com críticas a outros adultos e nem deveriam se colocar nessa posição paternalista de querer defender outro adulto como se tratasse de uma criança.
        Vocês não tratam o presidente como um adulto de quem se deve cobrar resultados e sim como uma criança a protegerem. Desse jeito fica muito fácil para ele. E pior para vocês.

      • Quanto ao que você se refere por “achismo”, então está dizendo que as ligações da família Bolsonaro com milícias (algumas até assumidas pelos PRÓPRIOS), assassinato e o laranjal do Queiroz são puro “achismo”?
        Nada diferencia dos petistas dizendo que o sítio não era do Lula e que não houveram roubos no governo do PT. Coisas que estão escancaradas pra qualquer idiota ver, mas se negam.
        A diferença é que eu não enxergo somente as que me convém, enxergo todas pois não tenho dó de político. Recomendaria que fizesse o mesmo.

  5. Achei estranho mesmo o Bolsonaro declarar não querer fazer a tal reforma e culpar o Guedes por isso. Parece já enfraquecer a imagem “super ministerial ” do economista liberal. Já há a possibilidade de Guedes ser descartado junto com a “sua” reforma e Bolsonaro proteger a própria imagem diante do povo.

  6. Blá, blá,blá… Não curti! O general ignorou o 4o poder: a imprensa que ainda engana as pessoas mais ignorantes.

  7. WILSON DE ALMEIDA JUNIOR // 26 de março de 2019 às 9:45 am // Responder

    Não vai ter reforma pq a sociedade não está percebendo que vai perder mas a.classe dominante tbém vai. É.o barco vai seguir. É.o Governo tem que vemder as empresas que construiu com o dinheiro da previdência e resrituí-lo aos cofres da previdência. Tem saída e a mais justa é essa.

  8. WILSON DE ALMEIDA JUNIOR // 26 de março de 2019 às 9:47 am // Responder

    Ninguém assina

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  1. Você tem certeza que Bolsonaro “precisa aprovar a reforma”? – Ceticismo Político

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