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Direita democrática está “bugada” diante da ala autocrática

Hoje em dia, muitos estão surpresos com o nível de ataques surgidos a partir dos olavistas na direção de Mourão. Pode ser um pouco desagradável dizer isso, mas isso não me surpreende nem um pouco.

Não quero ser dono da verdade, claro, e entendo que qualquer coisa que eu postar aqui pode ser complementada por fatos novos, mas até o momento o resultado tem mostrado que adotar a perspectiva da análise via seletorado faz com que não tenhamos surpresa alguma. Quem opta por metáforas como “interesse do governo” ou “interesse do Brasil” está se surpreendendo a todo momento.

Seja lá como for, na formação da “base”, essa é a primeira vez que um presidente deu núcleos de poder a pessoas organizadas em molde de seita. Isso levou a um número de pessoas não apenas de pensamento sectário, mas orientadas a uma seita em específico. Logo, possuem alinhamento de ações.

Pessoas em uma seita política se acham “ungidas”. Mas outras, mais espertas, apenas fingem acreditar nisso. Igualmente, há um espaço para comportamentos psicopáticos.

Sendo “ungidas” ou apenas fingidores, a tendência é que esse ambiente privilegie os pouco qualificados (na comparação com o mercado). Isso não quer dizer que todos os membros da seita o sejam. Há pessoas qualificadas nas seitas, principalmente pela busca de status e algumas acreditam de verdade. Mas o território é dominado por pessoas pouco qualificadas em termos de “mercado”.

Adiciona-se à fórmula o pensamento autoritário: seitas políticas são a essência do autoritarismo, pois todas as relações com os que estão de fora são baseadas em submissão, intimidação, medo, etc.

A mistura de pouca qualificação, perspectiva do “ungido” e autoritarismo gera, pela dinâmica social, um maior apetite por riscos.

Explicando melhor. Imagine um sujeito que tem uma bela carreira fora do poder. Ele tem algo a perder. Agora imagine um sujeito que tem reputação apenas dentro da seita. Muitos fizeram um cursinho online que não tem valor em termos de conhecimento real. No mercado, quem apresenta o cursinho online como “qualificação” vai ser motivo de piada. Isso só vale como qualificação para quem está dentro da seita.

Agora imagine que alguns membros da seita ganham cargos dentro do governo. Pior: as pessoas ganham poder de decisão sobre verbas em alta escala. Essa é a oportunidade da vida dessas pessoas.

Porém, suas atividades são orientadas apenas à seita. Não existe nenhum código de ética com o mundo exterior. Não existe sequer o mínimo comportamento social. A lógica é dos expurgos.

Assim, as opções para essas pessoas é:

  • Destruir os mais qualificados
  • Viver sempre pela lógica de “poder só pelo poder”
  • Utilizar mecanismos mentais típicos da psicopatia na maior parte do tempo
  • Viver criando teorias da conspiração (já que suas mentes são formatadas para isso)
  • Sempre identificar inimigos dentro do grupo de poder
  • Se o grupo dominar o território, implantar o autoritarismo

Não há mais opção para eles. Toda a história do que se convencionou chamar de “mente revolucionária” não passa da conjunção de fatores como os que estão acima.

É por isso que todos aqueles que já fizeram previsão de que “agora que tomaram a lição, vão pro cantinho deles” erraram miseravelmente.

Eles simplesmente não entendem o pensamento sectário utilizado em política. Hoje em dia, os liberais são aqueles cuja mente é a mais frágil de todas para entender com o que estão lidando. Decerto existem exceções entre os liberais, mas é fato que é o pessoal que mais vive “surpreso”. Por outro lado, os militares parecem ter uma mente mais amadurecida e estão percebendo. Alguns integrantes da classe política já notaram isso também.

Era fácil prever que haveriam várias tentativas de ruptura internas precisamente por causa desse comportamento sectário. Por causa do paternalismo (adotado principalmente pelo setor liberal), dava para notar que muitos iriam “travar nas pernas” diante desses ataques, sempre SURPRESOS com o que estava acontecendo. Isso faz com que o grupo sectário tenha muito mais AGILIDADE MENTAL na luta pelo poder interno, já que saem da esfera de previsibilidade dos outros.

Nesse caso, o surto de paternalismo dentro de outros setores da direita talvez tenha sido uma forma de obter alívio psicológico e racionalizar os diversos chutes no bumbum que tomaram (mas é só o começo). Nunca se deve tirar da mente que o paternalismo elimina qualquer forma de prever os passos de um oponente.

Pode ser interessante rever um filme chamado “Copycat”, de 1995, com Holly Hunter e Sigourney Weaver. É um filme sobre duas mulheres juntas na caça a um psicopata. Todavia, esqueça a questão da mera psicopatia. O filme, na verdade, é sobre o colapso mental diante de modos de pensamento totalmente diferentes:

Em suma, uma vez que dois modos de pensamento completamente diferentes se confrontam e um não entende até onde o outro pode chegar, a vulnerabilidade do primeiro é total. Somente se a mente começar a entender que o outro pode não ser igual a você é possível COMEÇAR a pensar em prever os passos do outro.

A incapacidade de prever os próximos passos da seita é o que está dando poder a eles. Enquanto isso, muitos tem caído feito patinhos nos jogos armados por eles. Como resultado, há o domínio territorial de um grupo que só pensa na lógica de “poder pelo poder” e pensa autoritariamente. Deste jeito, pode chegar a um ponto em que Jair Bolsonaro tenha que tomar a decisão pela implantação de uma ditadura, que é o modo pelo qual os autoritários podem governar e perseguir os que estão em seu caminho.

Aqueles que pensaram que os tombos tomados pela seita na segunda (22) iriam “fazê-los mudar de direção em seus objetivos” só estão surpresos com os avanços ainda maiores desde então por incapacidade de prever como eles pensam. Em suma, o jogo está só no começo…

Em tempo: não está sendo dito que o pensamento sectário é igual a psicopatia, ainda que vários psicopatas adorem pertencer a esse meio. O que está sendo dito é que os membros de culto pensam de maneira tão diferente em relação aos que não pertencem a eles que os últimos “bugam” no entendimento da mente dos primeiros da mesma forma que policiais inexperientes à caça de psicopatas “travam” no começo. É preciso de mais musculatura mental para entender os próximos passos do outro. Essa era a mensagem. 

Twitter: https://twitter.com/lucianoayan

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6 comentários em Direita democrática está “bugada” diante da ala autocrática

  1. Quando o Mourão disse que não seria um simples vice coadjuvante, pensei, isso pode dar merda. Pensei, ao invés de ser um salva-guarda contra impeachment, pode ser o início. Não sou olavete, mas nesse caso me parece que o antigo pitbull da direita Mourao, virou um algodão-doce com a mídia pensando em algo mais. Não duvido que ele possa ajudar a colocar a corda no pescoço do presidente para assumir seu posto.

    Internacionalmente isso já é percebido:

    https://www.americasquarterly.org/content/how-bolsonaros-rivalry-his-vice-president-shaping-brazilian-politics

    • Basicamente, num universo de pessoas decentes Jair e Mourão deveriam resolver suas diferenças. Mas ao deixar o uso de milícias virtuais destruírem a reputação dele, criaram um ponto sem volta. Agora a democracia já está ameaçada. Nada justifica esse ponto de não retorno.

  2. Concordo com o comentário acima, Mourão se mostrou como conservador e a favor da agenda do Presidente, no entanto ao longo do pequeno período de governo mostra que não é bem isso, parece um cavalo de tróia, não se sabe se já aconteceram conversas nos bastidores, mesmo porque o cidadão comum não tem acesso a estas informações, mas uma coisa é certa, ele é Vice Presidente, deveria se ater a fazer o que lhe compete e não dar declarações enviesadas e ainda mais contra as políticas do PR, a exemplo sobre aborto, só para citar um exemplo. Acredito sim que se algo acontecer ele vai ser um dos primeiros a enterrar o PR, é história e recente…só não ver quem não quer.

  3. "Basicamente, num universo de pessoas decentes Jair e Mourão deveriam resolver suas diferenças." // 27 de abril de 2019 às 3:26 am // Responder

    Eu e minha sogra, resolvemos nossas “diferenças”.

  4. Mrk: começou quando Bebbiano o escolheu como vice.

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