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Por que a escória das milícias virtuais odeia os militares no poder?

Já se sabe que a tropa apoiada pelas milícias virtuais neocon é a pior escumalha que já chegou ao poder desde a redemocratização. Nunca se viu nível tão baixo na disputa por cargos e verbinhas.

Antes de tudo, leia um texto sobre os ataques feitos pelas milícias virtuais ao General Santos Cruz, conforme o Antagonista:

As declarações de Jair Bolsonaro e Carlos sobre a liberdade de expressão nas redes estão endereçadas ao general Santos Cruz, cuja virtude curiosamente virou um problema para a família presidencial e a ala olavista.

Diariamente atacado por Olavo de Carvalho, o ministro caiu na provocação hoje ao falar em “disciplinar” as redes sociais. Ato contínuo, uma hashtag pedindo sua demissão chegou aos TTs.

Até pouco tempo atrás, o general era incensado pela mesma rede como exemplo de militar linha dura, incapaz de ceder a pressões políticas.

De fato, o general segurou a grana da Secom, criticou o custo da campanha da Previdência e se recusou a abastecer tanto blogs governistas como a mídia tradicional. Santos Cruz se aliou aos demais generais nas críticas ao chanceler Ernesto Araújo e ao assessor Filipe Martins.

Em vez de pedra angular, virou uma pedra no sapato.

Perto das declarações autoritárias da liderança neocon, as falas do Santos Cruz não são nada, mas também não foram boas. Como sempre, utilizaram isso como pretexto para mais um assassinato de reputação.

Obviamente, a razão para isso é sempre a mesma: disputa pelo pote de verbas da SECOM ou disputa por carguinhos. Se esse tipo de coisa sempre foi constante tanto na esquerda como na direita, há uma diferença agora: a ala autocrática da direita joga baixo demais. Que essa direita autocrática está redefinindo a expressão “jogo sujo” nas guerras intestinas isso já não é novidade alguma. A tática é bem clara: “resolver tudo com milícias virtuais”.

O que acontece, no momento, é a revolta de setores menos qualificados – e mais desesperados por verbas – contra os mais qualificados. A ideia é tirar todos que tenham alguma qualificação, para que seus postos sejam ocupados por youtubers, blogueiros, etc.

Quando uma série de integrantes dessas maltas virtuais olha para alguém como Santos Cruz imediatamente pensa: “esse é o obstáculo que atrapalha meu carguinho ou minhas verbinhas”. São todos? Evidentemente não. Mas já existem casos inegáveis. O salário de um general, hoje, está em R$ 30 mil. Mais ainda: há estabilidade. Eles se esfolaram para chegar lá. No atual momento em que as Forças Armadas gozam de alta reputação, não é bom negócio para eles toparem risco de ruptura. Já para a tropa das milícias virtuais, a ruptura é a única prioridade.

Que tem gente que faz isso apenas porque a ditou também é um fato. Mas nem todo mundo é gado. Tem gente bem esperta nessa jogada.

Uma pergunta que deve estar na cabeça de Santos Cruz é: “até onde essa escória é capaz de chegar por causa de cargos e verbas?”. Em cima disto, ele deve fazer seu cálculo político.

Sinteticamente, o maior “problema” do governo é o excesso de pessoas sem qualificação nenhuma, pensamento sectário e jogando no clima “sem nada a perder” por cargos e verbas. Essas pessoas odeiam até a morte pessoas qualificadas como Santos Cruz.

Para entender esse “governo” o ideal é usar a fórmula da teoria do seletorado, mas sem esquecer de mapear a qualificação e o apetite por riscos (na luta por cargos e verbas) destes jogadores. O resto é teatrinho. [Eu já havia abordado preliminarmente este assunto em um texto de 19/3, sobre a teoria do seletorado, mas o caso realmente escalou conforme o que estava previsto.]

O maior problema também foi ter eleito um presidente que desde o início tolerou esse tipo de baixaria. Isto é, o próprio presidente é alguém que joga “sem nada a perder”. Totalmente diferente de um Trump, que tem algo a perder…

Três fatores importantes para avaliar possibilidades de ruptura:

  1. pouca dependência da produtividade dos cidadãos,
  2. ambiente de altíssima crise,
  3. pessoas na base com altíssimo apetite de riscos (ou seja, jogam “sem nada a perder”).

Por enquanto, o jogo está aberto.

A meu ver, a “chave” está no fator (3): pessoas na base com alto apetite por riscos. Estas geralmente são pessoas pouco qualificadas e que jogam no “tudo ou nada”, pois entendem que se não se aproveitarem do poder não vão ter outra chance igual depois…

É diferente de um Moro, que ganhará rios de dinheiro advogando se chutar tudo. Até mesmo de um Guedes, que tem dinheiro de sobra. E diferente de generais que possuem ótimo salário, estabilidade e possuem reputação. Tem algo perder. Já a escória não tem…

Nada contra alguém ser um influencer ou participante de milícia virtual. Cada um que corra atrás de seus objetivos. Nem todos tem competência para chegar lá próximo ao topo. Mas é um FATO a ser avaliado: como ter uma quantidade dessas pessoas “sem nada a perder” pode ser um risco na base…

Em qualquer organização séria é assim: quando chegam no topo, as pessoas devem ter ALGO A PERDER, que é o que evitará que elas coloquem sua reputação em risco e afundem tudo. E nem isso garante as coisas.

Quando se fala em ALGO A PERDER, isso não necessariamente é grana. Pode ser a reputação de ter liderado uma congregação, uma organização, um movimento, etc. Mas e quando alguém não tem NADA com que se preocupar? Isso é o que motiva a tomada de riscos mais excessiva…

Uma pessoa com maior apetite por riscos (na luta pelo poder) irá visualizar sua reputação e seu histórico e notará: “ok, agora vale tudo”. Por isso, alguns ministros e seus pares não estão entendendo até onde a tropa das milícias virtuais pode chegar.

Eu não quero cravar isso como fator definitivo (e fica aberto para planilhamentos), mas pessoas participantes de seita tendem a possuir qualificação menor EM MÉDIA. Junto ao pensamento sectário, isso pode levar o nível de aceite de riscos à máxima potência.

Não se sabe se eles tentarão escalar esses linchamentos virtuais de outras pessoas da base para algo que leve à incitação à violência, mas, como já dito, este é um ponto de não retorno.

Eles odeiam pessoas como General Santos Cruz e o General Mourão porque esses são pessoas que passaram por altíssimo processo de qualificação e representam uma instituição respeitada (as Forças Armadas). Do outro lado, quase todos não passariam nas provas mais básicas superadas por estes generais.

Os militares que se cuidem. Nunca se deve esquecer do óbvio: agora é o tudo ou nada – mas tudo ou nada MESMO – por carguinhos e verbinhas, a partir de gente que NÃO TEM NADA A PERDER.

Twitter: https://twitter.com/lucianoayan

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1 comentário em Por que a escória das milícias virtuais odeia os militares no poder?

  1. Massaaki Yamamoto // 9 de maio de 2019 às 7:41 pm // Responder

    Sempre muito esclarecedor. Tem sido muito instrutiva essas leituras. Ajuda muito a entender o Estado e o País, sem preconceitos.

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