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Qual o motivo para atuar politicamente?

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Um ditado popular diz: “religião, política e futebol não se discute”. Muitos encaram o ditado à risca e realmente acabam se eximindo da discussão sobre importantes temas do cotidiano. Com exceção do futebol no quesito importância, naturalmente. (Aliás, de acordo com a terminologia defendida neste blog, ao discutirmos a política e criticarmos a esquerda, estamos também discutindo religião. No caso, a religião política)

Seja lá como for, talvez por influência deste ditado muitos não gostam do “debate político”, ou mesmo de discussões importantes sobre temas meramente relacionados à política. Se o tema for político e polêmico ao mesmo tempo, em alguns casos é possível surgirem até calafrios.

Isso é particularmente relevante para pessoas que efetivamente trabalham, especialmente os conservadores. Por exemplo, quem atua na gestão de uma equipe, dificilmente perderá seu tempo convencendo seu time de que votar em um determinado candidato é melhor do que votar em outro, se apoiar o gayzismo é errado ou correto, ou se as cotas raciais são justas ou injustas. Esse não é um tipo de assunto que gostamos de levar para o nosso cotidiano, especialmente o cotidiano corporativo.

A lógica para isso é evidente: no cotidiano corporativo (especialmente nas grandes empresas), dependemos de outras pessoas para vencer o jogo da política corporativa. Discutir a política do cotidiano poderá criar rivalidades contra você que, em um dado momento da outra guerra política (a corporativa), podem ser pretextos para lhe empurrar em direção ao abismo. (Me lembro de um caso em que vi um gerente ser ridicularizado nos corredores por sua posição política. E ele era marxista.)

Já em atividades como jornalismo, ciências sociais e na atuação acadêmica em geral (especialmente nas ciências humanas), muitos militantes de esquerda acabam encontrando terreno para, ao invés de trabalharem efetivamente, usarem seu espaço de arena para divulgar discursos políticos. É seguro dizer que a maioria dos professores de ciências humanas hoje em dia ao invés de darem aulas de fato, ficam militando no horário de trabalho, enquanto fingem que trabalham.

Quero falar aqui, no entanto, dos que efetivamente trabalham.

Para estes, então, pode ser um tanto incômodo pensar em atuar politicamente e sair lutando contra gayzistas, neo ateístas, feministas, adoradores do crime e daí por diante. Simplesmente pode surgir a âncora mental: “É melhor não me envolver nisso. Melhor deixar essa tal de política para lá…”.

Entretanto, a totalidade das pessoas tem sua vida afetada pela religião política, e, se considerarmos que é útil reduzir esse impacto, devemos assumir a noção de que a participação política dos direitistas, de uma forma mais enérgica, é vital.

Por exemplo, se você paga impostos abusivos, é por que esquerdistas venceram no passado batalhas políticas requerendo esses impostos. Se muitos menores conseguem hoje assassinar e estuprar impunemente, isso é novamente resultado de batalhas políticas vencidas por esquerdistas. Vitórias esquerdistas também resultam em leis ridículas que limitam sua liberdade e aumentam o risco de totalitarismo. Ou seja, deixar para lá tudo isso é deixar o inimigo agir como ele quiser somente pela opção de “não agir” contra ele.

Mesmo que a ação política seja algo não só defensável como essencial, ainda respeito o direito de alguém decidir “não se envolver”, por diversos motivos. Um deles é não colocar em risco a própria vida, ou a vida de sua família. Como mostrei tempos atrás, recentemente esquerdistas colocaram em risco a vida de vários blogueiros conservadores ao fazerem trotes para a polícia. Como eu posso julgar alguém de forma acusadora e pejorativa depois de eventos deste tipo? Eu simplesmente não seria justo ao agir assim.

O problema que vejo, por sua vez, é que muitos confundem ação política com participação em eleições universitárias, passeatas na rua ou até a organização de atos de vandalismo. Essa percepção é justificada pelo fato de que isso caracteriza a militância de esquerda. Quem não se lembra das arruaças no Pinheirinho, da cusparada em um militar reformado octogenário, ou até mesmo das destruições cometidas pelo MST? Talvez esse tipo de atitude possa gerar a seguinte impressão no conservador: “Não, de jeito algum, não sou louco para atuar desta maneira. Que os esquerdistas prossigam em sua sanha por ocupar o espaço público…”. Entretanto, ainda temos o problema de que as conquistas dos esquerdistas CONTINUAM afetando a vida dos que não crêem na ideologia deles.

A conscientização que precisamos fazer reside no fato de explicar para o maior número de conservadores que a militância barulhenta, agressiva, baseada em quebra-quebra e passeatas, não é a única forma de ação política. Também não é a única forma de ação política a criação de vblogs para ficar denunciando o outro lado, como muitos esquerdistas fazem. (Sim, eu sei que alguns adeptos da direita também fazem vlogs, mas são raros)

É possível ter uma atuação política low profile, e que não implique em exposição tão grande como nos exemplos citados anteriormente. Por exemplo, a divulgação de uma notícia mostrando a vileza de esquerdistas (como esta: “Ouça e leia: uma gravação em que o PCC deixa claro que é para matar policiais e tucanos e outra em que há a orientação para votar em petista” – agradecimentos ao Reinaldo pela lembrança), para seus contatos na Internet, também é uma ação política. Entrar em uma comunidade do Orkut de forma anônima e esculhambar os esquerdistas, demonstrando as mentiras que praticam, também é uma forma de ação política que não gera muita exposição. Enfim, as opções são várias.

É claro que a ação explícita deve permanecer sendo praticada, com divugação de vídeos, participação em debates, criação de blogs, guerras na mídia e coisas do tipo, mas temos que ter a consciência (e fazer a conscientização) de que a participação mais discreta também é muito importante e é uma opção que os adeptos da direita devem ter. Até por que os esquerdistas geralmente agem como se não tivessem nada a perder. O mesmo não pode ser dito dos direitistas.

Portanto, se temos várias opções de ação política (da mais discreta até a mais espalhafatosa), não há motivos para deixar de termos uma ação política a não ser a preguiça. E quais os motivos para termos uma ação política? Lutar por seu direito à segurança, ao invés da opção pelo apoio ao crime dos esquerdistas, proclamar seu direito de não ser surrupiado pelo estado, ao invés do desejo ardoroso que os esquerdistas tem pelo estado inchado, e agir para reduzir o risco de totalitarismo, ao invés da contínua sanha dos funcionarem em darem poder aos beneficiários, dentre outros, são motivos mais do que suficientes.

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Estudando um padrão de indignação ante ao questionamento

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O ceticismo lançado quanto a uma crença, especialmente quando ocorre em direção a alguém que não costuma ser questionado, tende a gerar uma sensação de espanto como se a vítima do questionamento quisesse lhe dizer: “Como você ousa fazer tal questionamento?”

Se antes costumávamos ouvir leitores de Carl Sagan reclamando dessa postura vinda dos adeptos do sobrenatural e dos UFO’s,  podemos denunciar o mesmo comportamento quando questionamos os seguidores da religião política. Mesmo que aleguem serem donos do ceticismo (especialmente quando executam a rotina Auto Cético), ficam indignados ante ao menor questionamento de suas crenças.

Um exemplo pode ser encontrado neste post, Mais uma refutação ao poderoso OTF: Como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera daí mesmo é que não sai nada, onde questionei o argumento OTF.

A resposta de Dalila (defensor do OTF) ao questionamento  foi uma reação indignada:

Tá certo. O Loftus manipula categorias e ilude seus leitores, mesmo assim angaria o respeito de ambos os lados do debate teísmo vs ateísmo, tem seus livros adotados em cursos introdutórios de filosofia da religião tanto seculares quanto cristãos, e só o MBA Blackbelt tupiniquim é capaz de desmascará-lo.

Agora, imagine um fã de Uri Geller enquanto seu ídolo é questionado a respeito da existência do paranormal:

Tá certo. O Geller manipula a percepção de sua audiência e mesmo assim angaria o respeito de todos os lados da questão materialismo X sobrenatural, tem seus programas assistidos em vários países, e só o MBA Blackbelt tupiniquim  é capaz de desmascará-lo.

Basicamente o padrão será exatamente o mesmo, incluindo o uso de “respeito de todos os lados” que normalmente não passa de uma invenção, e a citação de “adeptos” de todo o mundo a favor da idéia (geralmente esses “adeptos” são irrelevantes). O estilão é sempre o mesmo, e reflete que o sujeito está indignado ao ver sua crença questionada.

Uma regra de ouro que recomendo aos que resolverem aplicar o ceticismo defendido aqui é não se deixar impressionar com essas manifestações de indignação. Elas tem um único objetivo: tentar te convencer, por pressão psicológica, a acreditar na crença que você está questionando. Esse espanto (algumas vezes espontâneo, algumas vezes simulado) pode até impressionar alguns, mas não deve ser este o motivo pelo qual você deixará de questionar alguém.

Por exemplo, hoje tive a oportunidade de almoçar com um marxista e conversar um pouco sobre filosofia. Ao passar uma boazuda, citei que as ancas dela eram impressionantes, no que ele respondeu: “Você está tratando ela como uma mercadoria”, no que eu disse “Sim, e esse é um instinto humano”. Segundo ele, no entanto, esse não é um instinto humano, mas uma “mania” que aprendemos a ter. É claro que não perdi a oportunidade para citar todas as evidências mostrando que há evidências científicas para demonstrar por que os homens se atraem por mulheres de bunda grande, assim como explicações muito convincentes para mostrar por que esse instinto é útil.  Para aceitar essa idéia, obviamente é preciso antes ter questionado (e rejeitado) a noção de que a atração sexual na espécie humana é gerada não por instinto, mas por “aprendizado”. Todo marxista acredita que todos os nossos comportamentos tem origem no aprendizado, mas não em instintos naturais, e essa alegação absurda dá sustentação à todo pensamento marxista. Ao questionarmos essa alegação, marxistas se sentirão indignados.

Aliás, para manter a amizade, não estendi a discussão, e após assistir ao espanto do amigo, disse “talvez você esteja certo” e deixei para lá. Obviamente, eu não faria isso em uma discussão política, na qual continuaria exigindo evidências de que “aprendemos” a ter nossos instintos, incluindo o da atração.

Faço isso com extrema naturalidade pois após um bom tempo de experiência com questionamentos, aprendi a ignorar manifestações de espanto ante ao questionamento. Alguém pode fazer o dramalhão que quiser enquanto o estou questionando. Não será isso que me demoverá do questionamento. A não ser, é claro, em casos de amigos e familiares que nutram dependência psicológica excessiva da crença questionada.

Portanto, não adianta algum petralha vir com expressões como “Como ousa questionar o governo de Fernando Lugo? Ele é do povo, eleito pelo povo, então há pessoas X, Y e Z que estão contra a deposição dele!”. Do meu lado, já tenho uma espécie de “blindagem” em relação a esse comportamento.

Mostre ao James Randi um fã do Uri Geller espantado com o questionamento ao sobrenatural, e você verá que o dramalhão não surtirá efeito e o questionamento continuará implacável.

Enfim, James Randi já passou da idade de ter medo de cara feia. Eu também.

Os cães de guerra da esquerda

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Chegará um dia, espero, em que tenhamos conscientização suficiente para ensinar nossos filhos a lidar com e entender todos os perfis de esquerdistas que eles encontrarão pela frente, seja escrevendo em um jornal, pregando em uma sala de aula ou até atuando nas redes sociais.

É essencial ambicionarmos um futuro no qual tenhamos esse tipo de conscientização, o que é essencial em qualquer ambiente democrático. Se esquerdistas podem mapear os perfis de adeptos da direita, nada mais justo que mapearmos os perfis de adeptos da esquerda.

“Perfis” podem ser considerados em dois contextos. Um deles envolve tipos de religião esquerdista. Por exemplo, nazismo, marxismo, fascismo, humanismo, positivismo, chavismo, enfim, todos são tipos de religião esquerdista. Um leitor usou o termo “espécies” para se definir a esses tipos. Outro contexto é o perfil de militância gerado pela esquerda, independentemente da “espécie” na qual ela se enquadra. Em alguns casos, pode se enquadrar em várias espécies, assim como os olhos existem em várias espécies animais.

A cada um destes perfis de militância trato como se fossem diferentes grupos de cães de guerra dos beneficiários da esquerda. Os beneficiários, como já é de conhecimento dos leitores deste blog, são os que obtem o fruto da luta dos militantes. Os funcionais são aqueles que militam fervorosamente por uma causa, mesmo que na visão dos beneficiários não passem de idiotas úteis. Há uma serventia para o cão de guerra, e funciona de maneira similar ao que vemos na relação entre um cão de caça e o seu dono. Embora o cão tenha algumas habilidades e bastante coragem, ele jamais possui a inteligência do dono. Por isso, ele o serve. E exatamente por isso, um cão de guerra esquerdista serve a um beneficiário.

O mais vital é mapear alguns desses grupos de cães de guerra, para exatamente criar a conscientização necessária entre os conservadores (desde a mais tenra infância) para reduzir riscos de doutrinação escolar, por exemplo. Na verdade, as rotinas dos esquerdistas perdem efeito se nos conscientizamos (e conscientizamos aos outros) de que elas não passam de rotinas.

Outro ponto importante é mapear, para cada grupo destes, a funcionalidade que eles possuem dentro do espectro político desenhado pelos beneficiários.

Por exemplo, para que serve um gayzista? Obviamente, ele acredita estar lutando pela “igualdade” de direitos dos gays (em relação aos heterossexuais), e ajudando a criar um mundo onde o homossexualismo será tão normal quanto a heterossexualidade. Mas se a biologia nos mostra que essa “normatização” não passa de uma fantasia, temos que investigar os reais motivos para que os gayzistas sejam tão ardorosamente financiados pelos beneficiários. Uma hipótese fortíssima é notar que os gayzistas, por terem demandas absurdas, poderão requerer gastos estatais para financiarem suas manias (através de paradas gays, propagandas na TV, etc.), que servirão como pretexto para aumentar o tamanho do estado. E, é claro, beneficiários esquerdistas adoram dinheiro. Há um outro motivo para os gayzistas serem financiados pela esquerda, pois se estes conseguirem criminalizar a crítica ao homossexualismo, poderão arrumar pretexto para criminalizar os religiosos tradicionais. E este é um baita ganho político esquerdista. Enfim, já sabemos para que gayzistas servem.

Mas já que falei de anti-religião, outros cães de guerra da esquerda são os neo ateus. Como sempre, a garotada viciada em Dawkins, que ronda a Interenet, acredita que luta por um mundo “secular”, em que a ciência substituirá a religião e enfim o ser humano controlará o próprio destino. Mas basta estudarmos o discurso dos autores neo ateus que veremos que não há nada de “científico” na argumentação deles, portanto os discípulos de Dawkins podem tirar o cavalinho da chuva. Não há nenhuma “luta por ciência” aqui. Uma hipótese incontestável é o fato de que, se a ciência diz que o ser humano é predisposto à crença, lutar para tirar a crença em Deus naturalmente serviria para aumentar as chances de alguém ser doutrinado em outra crença substitutiva, no caso o humanismo – e uma breve investigação nos mostra que todos os neo ateus são humanistas. Com o humanismo “inserido” na mente, o adepto está pronto a aceitar a crença no Estado, o que é consequência natural da crença no homem. Como se vê, não é muito difícil mapear a serventia dos neo ateus.

E assim por diante, podemos estudar todos os grupos de cães de guerra da esquerda, incluindo feministas, ecochatos, teólogos da libertação, etc.

O que importa principalmente é sabermos não só quem eles são, mas também os truques que eles usam. E, especialmente como conscientização, também deixar claro para o maior número de pessoas por que eles abanam o rabinho.

A Arte da Guerra Política – I – É a política, estúpido!

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Durante o debate sobre o impeachment, o povo americano sabia que Bill Clinton era corrupto e o desprezava como pessoa, mesmo que não o quisessem afastado do cargo. A maioria dos americanos sabia que ele era culpado de perjúrio, mas estavam relutantes em vê-lo cassado. Clinton escapou do julgamento porque baseou sua defesa em princípios conservadores, e também porque os republicanos ficaram em silêncio por oito meses decisivos, o que permitiu-lhe definir os termos do debate. Quando os republicanos finalmente encontraram sua voz coletiva, eles ignoraram as preocupações imediatas do eleitorado americano e basearam o seu julgamento em questões que eram demasiadamente complexas para serem digeridas pelo público.

É a política, estúpido.

Durante oito meses entre o momento em que Monica Lewinsky surgiu e o presidente Clinton admitiu sua relação, os republicanos não falaram nada sobre o escândalo sexual em efervescência. Enquanto isso, a Casa Branca lançou sua própria campanha nacional para definir os termos do debate para o público americano. O silêncio republicano era baseado na esperança de que os Democratas de Clinton se auto-destruiriam por eles próprios, e também no medo de que os próprios republicanos talvez não pudessem lidar com a questão sem atirarem no pé [1]. Os dois sentimentos tinham o mesmo raciocínio por trás: os republicanos tinham medo de lutar a batalha política. Foi pelo fato dos republicanos não confiarem neles mesmos em relação à habilidade para enquadrar o escândalo a seu favor que esperaram por uma implosão do Partido Democrata.

Na guerra política, se apenas um lado atira, o outro lado em breve cairá morto. Embora os republicanos ignoraram o campo de batalha entre Janeiro e Agosto de 1999, os aliados do presidente aproveitaram todo este tempo para retratá-lo como uma vítima dos abusos do governo. Eles definiram as questões relacionadas com a investigação como se fosse uma luta contra a invasão de privacidade pelo governo (um princípio conservador) assim como a resistência a promotores públicos fora de controle (uma preocupação conservadora) [2]. Que os americanos tenham respondido a este apelo deveria ter sido motivo de satisfação conservadora, não desânimo. Não é o povo americano que os republicanos deviam culpar pela sua incapacidade de remover o presidente. Eles deveriam culpar sua própria inépcia política.

Quando os republicanos finalmente construíram o seu caso, eles montaram seus argumentos baseados em motivos legais que eram tanto ininteligíveis para a maioria do eleitorado como também baseados em princípios esquerdistas aos quais os próprios conservadores se opuseram no passado – princípios estes que tinham sido rejeitados pelo público. [3]

Mesmo que o impeachment sempre seja um processo político conduzido pelo Poder Legislativo, os republicanos não conseguiram se concentrar no principal caso político para a remoção do presidente (o escândalo da política externa com a China teria sido uma questão óbvia). Ao invés disso, eles contaram com interpretações da lei e argumentos legais decorrentes da fracassada ação judicial de Paula Jones na apresentação de seu caso para a retirada de Clinton.

A existência de um estatuto sobre assédio sexual permitindo que o tribunal investigue as vidas pessoais dos réus em casos de escândalos sexuais levou à descoberta de Monica Lewinsky. Este estatuto, na verdade, é uma lei radical que se afasta das normas da justiça americana, que consagra o princípio de que o réu é presumidamente inocente até que se prove como culpado. Mesmo reús que cometeram assassinato têm o direito de serem julgados pelas acusações presentes, ao invés de serem condenados pelo que cometeram no passado. Mas a lei de assédio sexual permite aos tribunais trazer a tona não somente  condenações anteriores (das quais Clinton não tinha nenhuma), mas supostos crimes do passado também. Uma vez que as alegações são introduzidas no processo e um “padrão” é estabelecido, a presunção de culpa pode se tornar irresistível – é por isso que a lei americana, muito antes de ter sido traduzida por teorias feministas, descartou tais práticas.

“Macartismo Sexual” – uma acusação que os Democratas utilizaram com sucesso contra os promotores republicanos – foi uma invenção da esquerda radical. Leis de assédio sexual foram desenhadas por feministas radicais, enquanto os conservadores se opuseram a elas. Como conseqüência da loucura republicana em abraçar a filosofia dos seus inimigos, todo o debate sobre o impeachment foi pautado pela discussão da conveniência ou não das leis de assédio sexual.

Além disso, o debate sobre o impeachment girava em torno de questões para as quais apenas advogados e especialistas em constituição podiam discutir adequadamente sem qualquer pretensão de alegar autoridade (O testemunho do presidente em um caso de assédio sexual é uma evidência material ou não? Por que o testemunho em um caso sobre assuntos que deveriam ser privados? O que constitui perjúrio? Casos civis de perjúrio são de fato objeto de processo? Esse é realmente um delito passível de impeachment?). Como o debate foi baseado em causas legais, muitos pensaram que era simplesmente irrelevante, sobretudo porque os republicanos estavam constantemente lembrando-lhes que o impeachment foi um processo político e que os jurados políticos dariam o veredito.

Em outras palavras, os republicanos decidiram lutar em um território onde o público não poderia (ou não conseguiria) segui-lo. Se os argumentos legais dos republicanos não conseguiram ganhar força com a maioria do público, os argumentos políticos dos Democratas prevaleceram. A privacidade do presidente havia sido invadida, os procuradores do governo abusaram de seu poder, um ato sexual não era razão para remover um presidente eleito pelo povo [4]. Um público cético foi prontamente convencido de que o presidente foi vítima de ataques partidários. Em termos políticos, “vítimas” são aqueles oprimidos, indefesos, ou seja, o próprio povo. Em uma disputa política democrática, o vencedor é aquele que convence as pessoas a se identificarem com ele. Em uma democracia, este é o primeiro – e talvez único – princípio supremo da guerra política: o lado dos oprimidos, que é o lado do povo, ganha.

No conflito do impeachment, a sonora estratégia Democrata foi reforçada por uma economia de pleno emprego, um índice Dow Jones em alta, tendências sociais positivas (declínio da taxa de crimes, aumento de índices de moralidade), reduzindo um significado político claro para o impeachment. Nestas circunstâncias, a resposta do público (conservador) americano de permanecer com um presidente duas vezes eleito era perfeitamente compreensível, até reconfortante.

Claro, a campanha Democrata em defesa do presidente foi uma notável exibição de hipocrisia e enrolação, o que quer dizer que foi uma demonstração virtuosa de como uma estratégia puramente política é capaz de servir um partido político em grave dificuldade. Graças à uma superior compreensão de estratégia política, os inventores reais do Macartismo Sexual (lembram-se da caça promovida pelo juiz Clarence Thomas?) foram capazes de imputar a mesma acusação aos republicanos. Os esquerdistas que passaram quatro décadas reescrevendo a Constituição de repente emergiram como os campeões nacionais da promoção da intenção original do texto (“as exigências constitucionais para crimes políticos não foram cumpridas”). Os veteranos de meio século de cruzada anti-guerra contra os militares americanos se tornaram entusiastas, do dia para a noite, de ataques com mísseis ao Sudão, Afeganistão e Iraque. Os criadores do escritório especial do promotor, que tinham utilizado impiedosamente seus poderes para perseguir três presidentes republicanos, tornaram-se críticos instantâneos dos excessos do Ministério Público, assim como os mais fervorosos defensores de uma reforma deste sistema.

Como o partido das políticas desacreditadas e falidas, além de argumentos políticos duas-caras, os Democratas demonstraram de forma dramática o quão efetiva a arte da guerra política pode ser nas mãos de um partido que entende seus princípios. Uma ilustração de como os republicanos ainda visualizam a guerra política de forma ingênua pode ser vista em um slogan postado em um programa de circuito fechado de televisão que o Comitê Político Republicano transmite aos membros da Casa: “Republicanos miram nos problemas, Democratas miram na política” [5].

Não poderia haver uma explicação mais sucinta justificando o motivo pelo qual os republicanos são tão facilmente despistados por seus adversários democratas em batalhas como o processo de impeachment. É a política, estúpido. Se você não se concentrar em vencer a batalha política, você não consegue atingir os problemas [6].

Antes que os republicanos possam começar a mudar essa situação, eles precisam parar de ficar choramingando dizendo que a vida é injusta, que Bill Clinton “roubou” os seus programas, que os democratas são pessoas sem princípios ou que eles vivem seguindo uma linha partidária. (Claro que eles fazem isso. É a política, estúpido.) Republicanos precisam aceitar que os democratas vão praticar uma política de destruição pessoal e atribuir aos adversários os pecados que eles mesmos cometeram. Eles fazem isso porque é a maneira que encontraram para vencer.

Quando os republicanos se queixam de forças que não podem controlar, se comportam como vítimas e desistem do poder de tentar determinar o seu destino. Democratas sempre serão democratas. Eles não possuem princípios sólidos e mentem aos borbotões. Os republicanos podem até se iludir achando que os democratas vão se comportar melhor da próxima vez, mas se forem para a batalha esperando que os esquerdistas “melhorem”, vão apenas continuar terminando como vítimas constantes de emboscadas políticas. Em vez de reclamar sobre a atuação dos outros, os republicanos deviam estar se perguntando: Como eles fazem isso? Como eles se safam? O que eles sabem que os torna capazes de empacotar uma agenda política falida e vendê-la com sucesso para o eleitor americano?

David Horowitz

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[1] Essa característica é notória em vários debates políticos já abordados neste blog, como no exemplo do embate com os neo ateus. Muitos cristãos falam “vamos deixar pra lá”, mas só estão perdendo batalhas a cada dia. Esse é um exemplo de um abandono ingênuo de uma guerra, achando que o inimigo se auto-destruirá por si próprio.

[2] Um exemplo claro pôde ser visto recentemente na questão da cassação do deputado c0nservador Demóstenes Torres. Durante a investigação, toda a sorte de conversas gravadas foi disponibilizada para o público, tornando a Polícia Federal praticamente um braço do governo do PT. A parte mais abjeta, no entanto, veio recentemente quando a PF divulgou um áudio de uma conversa mostrando que a atual esposa de Carlinhos Cachoeira, Andressa, traiu seu ex-marido com o atual. Onde está o direito à vida privada? Não é humilhante demais para o ex-marido traído ter sido exposto desse jeito? Não é falta de ética demais recorrer a subterfúgios desse tipo? Enfim, no jogo praticado pelos esquerdistas, contra os seus adversários vale tudo. Mas se isso tivesse ocorrido contra um esquerdista, obviamente eles recorreriam a princípios como o da privacidade da vida íntima (com o qual os conservadores concordam) para evitar que o julgamento fosse adiante.

[3] Esse é um dos pontos muito difíceis de rastrear para a questão brasileira, pois não há uma direita organizada por aqui, portanto quando vemos os partidos duelando, vemos os MESMOS princípios. A questão de Demóstenes é uma exceção, pois ele era um dos raros políticos conservadores, mas o seu antigo partido (DEM) é praticamente inexistente em termos eleitorais.

[4] Isso lembra muito a questão Collor/Lugo, onde todos os petistas apoiaram em uníssono o impeachment de Fernando Collor, no início dos anos 90, mas rejeitaram ferrenhamente o impeachment de Fernando Lugo, presidente paraguaio, em junho agora. Como pode ser visto aqui, quando não há argumentos legais para justificar a censura ao impeachment de Lugo, apenas argumentos políticos são usados. Como, por exemplo, dizer que o impeachment é um golpe pois “Lugo foi eleito pelo povo”. Mas legalmente todo impeachment ocorre sobre governos eleitos pelo povo, e o fato de um governo ter sido eleito pelo povo não evita que ele possa ser objeto de impeachment. Isso é óbvio, mas apenas se considerarmos a tradicional argumentação legal/constitucional, mas não uma argumentação essencialmente política, conforme nos aponta Horowitz.

[5] Esse é um exemplo espetacular de orgulho da vergonha, que eu defino como se orgulhar daquilo que alguém deveria se envergonhar. Não raro vejo conservadores dizendo “eu não ligo para vencer debates, quero apenas saber a verdade”. Enquanto isso, os oponentes ligam para vencer debates e acabam levando a melhor. Eu já disse no passado que não defendo a apologia da mentira, muito pelo contrário, mas muito menos defendo a ingenuidade no jogo político. Falarei disso a seguir.

[6] Este é o melhor trecho do primeiro capítulo, que bate com tudo que venho falando aqui neste blog, principalmente desde a publicação de um texto sobre o controle de frame, entitulado “Uma introdução ao controle de frame OU Como começar a vencer os esquerdistas”. Erroneamente, o texto foi entendido como se eu estivesse apoiando a idéia de que “os fins justificam os meios”, no qual eu estaria justificando o uso da mentira para vencer os esquerdistas. Não, eu estava defendendo o uso do controle de frame na guerra política, o que não necessariamente tem a ver com mentir. Além do mais, se os “meios estão dominados, os fins já não fazem mais diferença”. Isso significa que não adianta se “recusar a lutar” por que acha que ficar arraigado aos seus princípios é suficiente, pois se o outro lado conseguir o poder totalitário, você já não terá direito sequer a ter os seus princípios. Voltando ao que Horowitz quis dizer (e fazendo um gancho com o que explanei), se você quiser ter programas implementados, com base em ideais conservadores, terá que entrar na guerra política – ou ao menos outros terão que entrar nesta guerra, defendendo o lado conservador, enquanto você assiste de camarote. Não é reclamando das regras do jogo político que fazemos alguma coisa. Na verdade, ao ignorar essas regras, perdemos o jogo. O slogan republicano citado por Horowitz é um exemplo de orgulho da vergonha.

A Arte da Guerra Política – Introdução

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O partido republicano alega ser o partido da responsabilidade pessoal, mas se tornou o partido que não assume a responsabilidade pelos impasses nos quais se encontra. Ao invés disso, republicanos culpam o viés da mídia, ou o mentiroso na Casa Branca, ou seus oponentes sem escrúpulos, ou até mesmo a imoralidade do povo americano, para explicar suas derrotas.

Como pode um partido ganhar na política norte-americana se tem desprezo pelo julgamento do povo? Não pode.

A maior deficiência política atual do Partido Republicano é uma falta de respeito pelo senso comum do povo americano. “Respeito” neste contexto não significa seguir pesquisas ou grupos de foco, ou até mesmo colocar o dedo servilmente em direção aos ventos. Significa que o que é correto politicamente (dentro de um quadro constitucional e compatível com os princípios profundamente arraigados) produz maiorias eleitorais.

Esquerdistas também falham ao entender isso [1]. Mas eles têm a sorte de ter tido em Bill Clinton um líder que faz, que ignora os seus conselhos, e que usa seu poder como chefe de seu partido para forçá-los a prestar atenção à voz do povo. A razão pela qual Bill Clinton sobreviveu ao impeachment, permanecendo em alta nas pesquisas, é que ele entendia o que o eleitorado queria e deu isso a eles (ou pelo menos os fez pensar que tinha dado) [2].

Apesar da presidência mais fracassada do século 20 e o pior escândalo da Casa Branca desde Watergate, Clinton foi capaz de sustentar sua popularidade refazendo o Partido Democrata tanto taticamente como ideologicamente, indo contra a vontade deles próprios. Enquanto a maioria esquerdista do seu partido caminhava contra itens como livre comércio, reforma da previdência, orçamentos equilibrados e uma posição dura contra o crime, Clinton seguiu uma “triangulação” estratégica com os republicanos para fazer exatamente o oposto.

Como resultado, na mente do público, os Democratas de Clinton parecem ser o partido do dinamismo econômico, das leis contra a criminalidade, das leis de reforma do bem-estar, dos cortes dos excedentes orçamentais e do apoio ao livre comércio. Isso é o que o povo americano quer, e é isso que eles acreditam que Clinton lhes entregou. A menos que os republicanos mudem suas estratégias e táticas para se adaptar a esta realidade, estarão destinados à irrelevância política. Eles não podem lutar as guerras do passado e esperar vencer batalhas atuais.

Os republicanos irão perguntar como é que podemos respeitar a capacidade de julgamento do povo americano quando eles não deram apoio ao impeachment e remoção de um presidente corrupto? A questão, claro, é retórica. Eis única resposta possível que encontraram: culpar o povo. Mas se os conservadores realmente acreditam em ordem constitucional dos Estados Unidos, seu primeiro artigo político de fé certamente deve ser este: o povo é soberano.

No que diz respeito às questões complexas de governo, lei e sociedade, a verdade é indescritível. Os conservadores deveriam saber que ninguém tem o monopólio da verdade, e muito menos os políticos no governo. No caso do presidente ser impedido? É o salário mínimo um benefício para os trabalhadores, ou ele irá eliminar postos de trabalho? Achamos que sabemos o que é verdadeiro, mas também sabemos que podemos estar errados. Esta humildade é o que faz os conservadores, ou deveria fazê-los, democratas (letras minúsculas). Nós não acreditamos em regras dos ungidos, assim como não acreditamos no direito divino dos infalíveis.

A democracia arbitra incertezas da vida através de pluralidades eleitorais. Nos Estados Unidos, ninguém consegue decidir o que é verdadeiro e o que é falso, o que é certo e o que é errado sem o consentimento – ou ao menos tolerância – de uma pluralidade do eleitorado americano. Se o eleitorado está errado, apenas o eleitorado pode remediar o seu erro. Assim, um justificado respeito pelo julgamento do povo é um imperativo moral, bem como uma necessidade política. Se você não tem fé no bom senso a longo prazo do público americano, então você realmente não tem fé no sistema que os Pais Fundadores estabeleceram. Se os fundadores não tivessem a fé original no bom senso supremo do povo americano, eles nunca teriam adotado uma Constituição sustentada pela idéia de que a soberania reside na sua vontade. [3]

David Horowitz

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Notas do tradutor

[1] O termo utilizado no original é “liberal”. A tradução para “esquerdista”, nesta versão em português, deve-se ao fato de que quando rotulamos alguém de esquerdista estamos nos referindo exatamente aquilo que um norte-americano se refere quando usa o termo liberal. Já no Brasil, o termo liberal se refere aos capitalistas, que nos Estados Unidos são definidos como os membros do Partido Republicano. Aliás, é exatamente por isso que mapeei a rotina “Sou liberal”, criada pelos esquerdistas norte-americanos para se referirem a eles próprios. Um dos equívocos de Horowitz é aceitar a rotina. Se eu fosse ele, obviamente somente chamaria o outro lado de esquerdista, não de liberal. Mas isso não conspira contra o conteúdo do livro, felizmente.

[2] O livro “The Art of Political War” foi escrito em 2000, portanto é natural que a maioria das referências seja feita à administração de Bill Clinton e várias citações tem a ver com a forma como ele escapou do impeachment, enquanto Nixon não teve a mesma sorte. Obviamente, a leitura da situação deve ser vista sob a ótica da guerra política, e como neste jogo Clinton acertou, ao passo que seus opositores erraram. Embora escrito na época de Clinton, caso o livro tivesse sido editado hoje, 12 anos após aquele período, ainda seria muito atual.

[3] A própria introdução já declara uma postura que influenciou em muito este blog. Ao invés de ficar somente apontando o dedo para os adversários (embora isso seja importante), por que não olharmos para nossos erros na guerra política? Enfim, se há derrotas do lado conservador, elas ocorrem não só pelos estratagemas lançados pelos esquerdistas, como também por erros estratégicos da direita. A humildade de Horowitz é um dos pontos altos do livro. Ao ser capaz de olhar para os próprios erros do time (ao invés de ficar com orgulhinhos bobos), Horowitz chega a apontar a responsabilidade da atuação situação do país para os conservadores. Segundo ele, os esquerdistas avançam, enquanto os conservadores deixam, por falhas estratégicas bobas.

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Durante as próximas duas semanas, pretendo lançar o restante da tradução do livro, cujos capítulos são:

  • I – É a política, estúpido!
  • II – Os princípios
  • III – A prática
  • IV – O que fazer
  • V – Observações
  • VI – Política e princípios
  • VII – Democratas e Republicanos
  • VIII – Fazendo o seu “case”

Todos os capítulos trarão observações minhas a respeito de contextualizações, exemplos que se aplicam ao Brasil, além de demais referências para ampliar a compreensão. Espero que lhes seja útil. Para mim, foi essencial.

Por que a educação dada pelos nossos pais pode ter criado uma geração de pessoas sem preparo para a guerra política?

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Antes de tudo, que fique bem claro que eu não estou contra a educação dada pelos pais, nem os valores que os pais transferem aos filhos. Quem acompanha este blog sabe que defendo os direitos dos pais em transmitirem seus valores aos filhos.

O que quero dizer aqui é que, se esses valores podem ser úteis, em muitos casos também possuem efeitos colaterais, e devemos conhecer esses efeitos para lutar contra eles, e tentar, enfim, aproveitar aquilo que é útil da cultura de nossos pais, ao invés de permanecer com o que é inútil.

Qual é o problema que quero tratar aqui? Simples. Muitas vezes nossos pais nos ensinam que o correto é falar a verdade, praticar a justiça e fazer aos outros aquilo que gostaria que lhe fizessem. Em suma, é uma herança da doutrina cristã, mesmo que isso ocorra também em famílias seculares.

Tecnicamente, não há problema algum nisso, mas o diacho é que junto com essas lições vem o fato de que muitos saem com a impressão de que o mundo é feito de praticantes de verdade, justiça e reciprocidade. É aí que a porca torce o rabo. Com isso, criamos uma cultura de pessoas que tentam praticar a verdade (mas nem sempre isso é possível),  tentam serem justos (e, novamente isso nem sempre é possível) e buscam aplicar a justiça. Para variar nem sempre isso é possível. Mas a tentativa, ao menos, merece meu respeito. Só que ao mesmo tempo essa pessoa espera que AUTOMATICAMENTE os outros ajam da mesma forma com ela. E em muitos casos, não é isso o que acontece.

Obtive esse insight ao estudar o comportamento de muitos cristãos no duelo com os neo ateus. Foi aí que defini a expressão “clicar no email de phishing, achando que ele veio por engano”. Ao debater com o oponente, que está praticando fraudes intelectuais, alguém poderia dizer: “ele está enganado”. Esse é o resquício da cultura do “bom moço”, que pode ser extremamente prejudicial na guerra política.

Pela cultura do “bom moço” (ou “nice guy”, como diriam os norte-americanos), temos pessoas que são boazinhas, mas extremamente vulneráveis ao mal causado pelos outros. São incapazes de se proteger e são reconhecidas por sua ingenuidade. Se alguém acha que isso é um mérito, grande parte das injustiças do mundo se deve aos “nice guys”, pois estes são os maiores responsáveis por permitir que as atrocidades aconteçam.

Por isso, devemos trocar a cultura do “bom moço”, pela cultura do “homem justo”, ou qualquer rótulo nessa linha. Nessa cultura, devemos aproveitar todos os valores de nossos pais, é claro, desde que estes sejam úteis, mas ao mesmo tempo nos prepararmos para a vileza dos outros. Logo a expressão “Fale a verdade” tem que ser substituída por “Fale a verdade, mas esteja preparado para o fato de que muitos, senão a maioria, vão mentir para você”. Em suma, devemos corrigir os gaps na educação, e tornar as pessoas mais preparadas para, ao mesmo tempo em que cultuam seus valores, não se tornam despreparadas para lidar com o mundo exterior.

Essa cultura que defendo reside em uma cultura de precaução, que obviamente só pode surgir a partir de uma postura cética em relação ao homem.

A forma de criar essa cultura de precaução é atribuir responsabilidade às pessoas. Ou seja, alguém que mente é responsável pela mentira, mas alguém que é ingênuo ao aceitar essa mentira passa a ser co-responsável. Portanto, mesmo que seja praticante da verdade, por sua ingenuidade se torna um PATROCINADOR da mentira. A partir daí, essa pessoa pode ser questionada da seguinte forma: “se você valoriza  a verdade, por que permite que a mentira de seus oponentes prospere?”.

São âncoras deste tipo que poderão, aos poucos, ajudar as pessoas a “corrigirem” as falhas obtidas no aceite da cultura de seus pais.

Aí, e somente aí, quando estiverem prontos para ao mesmo tempo em que valorizam a verdade e a justiça, saber que estão diante de oponentes prontos para a mentira e a vileza, teremos indivíduos com a mentalidade preparada para adentrar ao território da guerra política.

O que tem uma provocação de Dani Bolina ao Boca Juniors com a guerra política?

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Fonte: Terra

A provocação da ex-panicat Dani Bolina, que posou para um ensaio vestindo a camisa do Corinthians e utilizando a do Boca Juniors como pano de chão, segue repercutindo na Argentina. De acordo com o jornal Clarín, o lateral direito Facundo Roncaglia já foi informado sobre a foto e disse que “essas brincadeiras dos brasileiros nos faz ferver sangue” antes da decisão da Copa Libertadores da América.

Em nota publicada em seu site sob o título de “Corinthians sobe a temperatura da revanche com Boca”, o Clarín publica a polêmica imagem de Dani Bolina e aponta que “agora (o técnico) Julio César Falcioni já tem material para motivar seus jogadores”.

Citando o ensaio da ex-panicat, o diário escreve ainda que “as brincadeiras chegaram aos olhos e ouvidos dos jogadores do Boca”. Conforme publica o jornal, Roncaglia comentou sobre o assunto em entrevista à ESPN Radio, dizendo que “essas brincadeiras do brasileiros fazem” a equipe argentina “ferver sangue”.

O atleta afirmou que ele e seus companheiros “vão sair para jogar no limite” na próxima quarta-feira, quando o Boca visita o Corinthians no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, pela partida de volta da final da Libertadores. No confronto de ida, houve empate por 1 a 1 na Bombonera, em Buenos Aires.

Roncaglia, 24 anos, marcou o único gol de sua equipe no duelo realizado na Argentina. O contrato do lateral direito terminava no último sábado, mas ele informou, segundo o diário argentino Olé, já ter assinado a “prorrogação” para reencontrar o Corinthians. Ele ainda espera, porém, que o Boca Juniors faça um “seguro” para protegê-lo de uma eventual lesão, visto que já tem “tudo acordado” – embora não assinado – para se transferir à Fiorentina, de olho na próxima temporada do futebol europeu.

Meus comentários

Se há um (único, provavelmente) aspecto no qual o ambiente futebolístico está em estágio avançado do que as demais áreas da interação humana, isto se refere ao uso das provocações adversárias.

Por exemplo, quando se vê um neo ateu provocando um religioso tradicional, a coisa geralmente fica por isso mesmo. No futebol, é exatamente o oposto. A provocação feita pelo adversário é usada DENTRO DO GRUPO PROVOCADO para criar MOTIVAÇÃO EXTRA para o revide. Chega um ponto no qual os times dizem “cuidado para não provocar o outro”.

Uma evidência do que estou falando está em outra matéria, agora do UOL, na qual o goleiro corintiano diz o seguinte: “Foi uma atitude infeliz. Agora é uma decisão, e fazer um negócio assim é incorreto. Só que hoje em dia tem tanta gente que faz isso, acham normal. É gente que quer aparecer, faz qualquer coisa para isso”.

Ou seja, no cenário político, a provocação é um mérito. Mas no cenário futebolístico, a provocação é algo do qual os supostos beneficiados querem fugir como o diabo da cruz.

Qual o enigma que existe nisso? A resposta é óbvia: no cenário futebolístico, quem recebe a provocação criou a arte de usar esta provocação para MOTIVAR OS SEUS, enquanto no cenário político isso ainda não é feito.

A lição que o futebol nos dá é evidente: a partir do momento em que criarmos a arte de GERAR MOTIVAÇÃO INTERNA a partir de provocações de oponentes, criaremos uma coesão muito maior em nosso grupo político (direita), e daremos respostas mais fulminantes aos oponentes.

Ademais, o goleiro corintiano está certo. A provocação, neste momento, só vai ajudar o adversário. Não há motivos para que no cenário político a coisa seja diferente.

“A Arte da Guerra Política”, de David Horowitz

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Recentemente, um de meus inimigos da Internet disse que minhas maiores influências estão entre G.K. Chesterton, C. S. Lewis e William Lane Craig. Sinto decepcioná-lo, mas nem um desses 3 estão entre minhas influências. Entretanto, ao identificar erradamente minhas influências, a figura se esqueceu de encontrar minhas REAIS influências, e dentre elas posso citar Schopenhauer, John Gray, Nietzsche (sim, Nietzsche), Olavo de Carvalho, os autores da dinâmica social, e, é claro, David Horowitz.

Aliás, se há um autor que foi responsável por uma MUDANÇA em meu paradigma, este é Horowitz. Um ex-marxista que ficou decepcionado com a esquerda ao ver como ela tinha a única utilidade de obtenção de poder para uns poucos, em troca da fé dos funcionais, Horowitz é muito mais do que um comentarista político. Ele é um ESTRATEGISTA político que hoje em dia fornece inclusive consultoria para alguns candidatos republicanos.

De todos os livros de Horowitz, o mais importante para mim foi “The Art of Political War”, publicado em 2000. Com 224 páginas, a obra contém na verdade um ensaio sobre a arte da guerra política, tomando espaço apenas em 80 destas páginas. O restante é composto de ensaios diversos, denunciando temas como o vitimismo adotado pela esquerda na cultura norte-americana, assim como demais conflitos ideológicos. O que me interessa, para análise, são especialmente as 80 páginas que falam da arte da guerra política.

Horowitz defende a idéia de que os esquerdistas jogam muito bem na guerra política, mas em sua concepção os conservadores ainda estão engatinhando nesse quesito. Segundo ele, os esquerdistas entram em debate para falar ao coração da platéia, e enquanto isso os adeptos da direita debatem como se estivessem em um debate formal em Oxford. Obviamente, estes últimos saem do debate.

Vejam quando ele apresenta os princípios da arte da guerra política que, segundo ele “a esquerda compreende muito bem, mas a direita não”:

1. Política é guerra conduzido por outros meios
2. Política é uma guerra de posição
3. Na guerra política, o agressor geralmente prevalece
4. A posição é definida pelo medo e esperança
5. As armas da política são símbolos que evocam medo e esperança
6. A vitória fica para aquele que demonstra estar do lado do povo

Primeiro, uma ressalva. A política é contextual: regras não podem ser aplicadas de forma rígida e resultarem em sucesso. Se é verdade que o agressor geralmente prevalece, há momentos em que isso não vai acontecer, e é importante reconhecer estes momentos. Se a política é guerra, é também verdadeiro que uma mentalidade de guerra produz hipocrisia e auto-moralização. Para ser eficaz, você precisa se levar a sério e trazer soluções ao mesmo tempo. Se política é guerra, é também uma combinação de blackjack, jogo de dados e poker. Politicamente, é melhor ser visto como um pacificador do que como um fomentador de guerras. Mas nem sempre isso é possível. Se forçado a lutar, então lute para vencer.

Esses princípios tem sido aplicados neste blog, na medida do possível, embora as vezes eu reconheça que o uso do termo “guerra política” pode não ser politicamente adequado. Entretanto, o que importa é demonstrar como os conflitos políticos tem ocorrido e preparar as pessoas para eles.

Nos comentários da Amazon, muitos esquerdistas ficaram indignados com a obra. Um deles disse que Horowitz é um “ser humano assustador”, mas ele não faz nada além de mostrar as estratégias que a esquerda JÁ UTILIZAVA. Em todos os exemplos, ele nos mostra casos reais do uso da arte da guerra política pelos esquerdistas. Ora, se a abordagem de Horowitz é assustadora, então ela o é por causa da esquerda ser assustadora, e então é preciso jogar de acordo com (algumas das) regras que eles já usam.

Por exemplo, a guerra de processos foi mapeada neste livro. O autor simplesmente diz que, se o outro lado está lançando processos, ao invés de ficar indo em público “pedir desculpas e se dizendo inocente”, lance processos em quantidade em direção ao outro lado também. Este é o princípio 3 (“Na guerra política, o agressor geralmente prevalece”).

Enfim, em termos de esclarecimentos, o livro de Horowitz fornece insights poderosos.

Caso queira comprá-lo, este é o link para a Amazon. Também está nos planos uma possível tradução do livro para este blog.

Quando a verdade é mais importante do que “afirmar buscar a verdade”

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Um dos pontos centrais do ceticismo político aqui defendido foca na luta contra a obtenção de falsa autoridade. Truques de auto-venda como afirmar “sou da razão” ou “estou do lado da verdade” são exemplos de apelos à autoridade.

Em priscas eras, um líder tribal podia dizer que, pelo poder dado outorgado pelos deuses, ele poderia ter acesso aos recursos da tribo, assim como as melhores mulheres. Isso é o apelo à autoridade, mas também o são as iniciativas de auto-venda. Todas essas iniciativas tem um único fim: obter autoridade a partir do CONVENCIMENTO de uma outra parte de que você tem a autoridade moral declarada.

Tempos atrás, fui questionado a respeito da hipótese de não ser alguém a “favor da verdade”, somente por defender um paradigma que automaticamente questiona qualquer um que alegue ser o “dono da verdade”. Eis então que temos um problema de valores. O que é mais importante? Falar a verdade ou convencer os outros de que se está “com a verdade” a partir do discurso repetitivo, mas não lógico?

Ora, se eu defendo uma abordagem que questiona TODAS as alegações políticas, é natural que chegar em um grupo e querer ser reconhecido como o “dono da verdade” é uma perda de tempo, desde que o ceticismo político esteja em ação, já que este paradigma é feito ESPECIALMENTE para esse tipo de alegação. Relembremos: uma alegação é política quando, se aceita, provê benefício a pessoa ou o grupo que a propaga.

No caso de alguém convencer a platéia de que é o “portador da verdade” (mesmo sem ter vencido um duelo de argumentos), ele obtê o benefício psicológico de ser considerado o “mais sincero” pelo público. A partir daí, ele obtem o benefício político que essa impressão causada na platéia pode prover.

Às vezes, alguém mais eufórico pode questionar: “Luciano, você realmente não está em busca da verdade”, no que eu respondo: “E você? Como pode ao mesmo tempo provar que eu não estou em busca da verdade e você está?”. É óbvio que ele terá tantas provas para essa alegação como tem para a validade do horóscopo.

Portanto, a única forma de encarar o paradigma aqui defendido é se desapegar da busca automática de obtenção de autoridade pelo fato de querer impor o rótulo de “portador da verdade”. Ao contrário, a verdade independente de VOCÊ ser reconhecido como alguém praticante dela.

Recentemente, um debatedor erroneamente disse que eu, pelo aceite do darwinismo, jamais poderia encontrar um “valor para a verdade”, e portanto devia ser um mentiroso. O problema é que é irrelevante se alguém encontra ou não esse “valor para a verdade”. O que importa é se os argumentos dessa pessoa estão corretos ou não.

Ao gastar mais tempo para auto-promoção do que para debates efetivamente argumentativos, a verdade em si está sendo cada vez mais deixada de lado. Se existe uma verdade absoluta (e eu não digo que ela não existe), ela com certeza não depende da auto-venda dos debatedores.

Mapeando e estudando as provocações de parquinho dos esquerdistas

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Imagine que em um dado momento do debate o seu oponente desista completamente do debate e parta para a provocação como ocorria nos tempos do jardim da infância. O que fazer? Igualá-lo (nesse caso, partindo para a baixaria), dar uma resposta assertiva, concientizar a platéia ou deixar para lá?

Como já disse várias vezes neste blog, o “deixar para lá” é o jogo dos fracos na guerra política.

O que é a provocação de parquinho? Em termos de debate, defino a provocação de parquinho como um ato em que um dos debatedores (seja escrevendo um texto, um post no Orkut, ou lançando um vídeo na Internet, enfim, qualquer dessas opções, além de outras) parte para a provocação com o único intuito de irritar e ofender a outra parte. O ganho com isso é duplo: os adeptos do lado ofensor se sentem revigorados (como em provocações típicas dos torcedores de futebol), e o outro lado se irrita, podendo perder a cabeça em sua ação política.

Um exemplo disso pôde ser visto em um vídeo do Yuri Grecco, no qual ele respondia ao seu crítico Bluesão. Yuri concluiu: “Quem é Bluesão?”.

Mas não é só nos vlogs que encontramos esse tipo de ação. Richard Dawkins, quando desafiado por William Lane Craig para um debate, disse: “isto ficaria muito bem no seu currículo, mas não tão bem assim no meu”.

Esses são exemplos claros do que podemos chamar de provocação de parquinho e, embora praticada por adultos, possui ênfase no psicológico e muitas vezes irrita o oponente que não está preparado. Conforme mostrarei aqui, a possível irritação pode surgir se você não entender o debate político como um jogo, no qual um golpe é mais efetivo quando você não percebe que está jogando. Ou seja, alguns truques psicológicos são eficientes quando o outro lado não percebe que está diante de alguém que está praticando truques intencionalmente.

A pior coisa, no entanto, é partir para a baixaria. No máximo, sempre tente responder com sarcasmo, ou invertidas.

Em relação ao exemplo de Dawkins, pode-se criar uma provocação estilosa em retorno dizendo “Se Dawkins diz que não ficaria bem no currículo dele debater com Craig, ele está certo, pois o currículo de fraudadores não fica bem quando eles encontram um auditor pela frente”.  Ou seja, sempre a resposta deve ser à altura.

Se você encarar a coisa como um jogo, não ficará irritado, e entenderá provocações da outra parte como OPORTUNIDADE de revides cada vez mais estilosos.

O que importa, claro, é evitar que a outra parte capitalize politicamente. Qualquer provocação de parquinho sem resposta resulta em pontuação para o oponente. Portanto, se você quiser adentrar ao debate político, pense em desenvolver a habilidade de responder provocações à altura.

Entretanto, a resposta à altura não é a única ação a ser feita. Se alguém é provocado primeiro, e consegue revidar com classe, está em vantagem. Isso por que o PRIMEIRO a partir para a agressão pode ser exposto para o público como aquele que perdeu a classe.

Portanto, quando você se encontrar nessa situação (em que seu oponente tiver provocado primeiro), há uma nova oportunidade, a de você conscientizar os SEUS LEITORES do que é uma provocação de parquinho. Explique ao público que o oponente precisou partir para a baixaria, e aproveite para expor os argumentos ruins da outra parte. Muito provavelmente, provocações do tipo podem surgir a partir da ausência de argumento. Logo, você pode abordar da seguinte maneira: “Pelo fato dele não ter argumentos, restou a provocação de parquinho, ao afirmar X, Y, Z…”. (Como já disse na perspectiva do triângulo para debates, neste momento você não deve satisfações ao seu oponente, mas à platéia).

Enfim, encare as provocações de seu oponente como se estive em uma espécie de jogo de esgrima, e seus debates se tornarão no mínimo mais divertidos.

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