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Como a imprensa de esquerda tenta realizar armações em cima do impeachment de Fernando Lugo

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Em uma notícia do UOL, há uma enquete na qual o impeachment de Fernando Lugo deveria ser “julgado” pelos leitores.

A imagem abaixo mostra a enquete:

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Notou?

Pois bem, em resposta à pergunta “Você concorda com o processo de impeachment no Paraguai?”, existem duas opções:

  1. Sim, o governo Lugo apresentou mau desempenho e deve ser destituído
  2. Não, foi um golpe para tirar um presidente democraticamente eleito

Notem agora a “gracinha” contida na alternativa dois. Ela simplesmente coloca como alternativa à resposta 1 (na qual o presidente é julgado pelo seu desempenho), a opção na qual o desempenho sequer é mencionado. Ou seja, alega-se que se o presidente foi democraticamente eleito, sua retirada seria um golpe.

Não há nada além de um joguete psicológico no truque acima, pois nem de longe a opção de alguém ser democraticamente eleito é mutuamente auto excludente com a opção de alguém fazer um mau governo. Como exemplo, Fernando Collor e Richard Nixon foram democraticamente eleitos… e sofreram impeachment. Constatação óbvia: não é pelo fato de alguém ser democraticamente eleito que, se destituído, isso constituiria um golpe.

Obviamente, o correto seria apontar ao público que ou Lugo é julgado culpado por ter feito um péssimo uso de seu governo, dando justificativas para o impeachment (e por isso foi destituído), ou então é julgado inocente pela alegação dele não ter feito um mau uso de seu governo, não dando, portanto, justificativas para o impeachment.

Mas é claro que o UOL não está interessado em ver a questão ser debatida. Eles simplesmente apelam ao psicológico da patuléia, pois o uso da expressão “democraticamente eleito” funciona como uma âncora.

É pela falta de questionamento à esquerda que hoje o debate político nacional está em um nível tão baixo, mas tão baixo, que só chamamos isso de “debate” por questões de formalidade. O que existe, na comunicação da esquerda, é puro marketing, com uso de recursos psicológicos, slogans e tudo que for possível em termos de trucagens.

Mais uma justificação para o Duelo Cético. Hoje em dia, os esquerdistas vivem em uma hegemonia cultural, dominando órgãos de imprensa como o UOL, Carta Capital e outros. Essas pessoas, por terem arena (e não serem questionados em quantidade suficiente pelos seus opositores, que estão na espiral do silêncio), falam bobagens inomináveis, desde que funcionem para capitalização política.

Como se nota, em termos de qualidade do debate, estamos ladeira abaixo.

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Quando um neo ateu confessa seu totalitarismo

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Fonte: Bule Voador (citando o site Consciência)

Recentemente o escritor Luís Eugênio Sanábio e Souza escreveu, para a Tribuna de Minas, um artigo intitulado “Diálogo com os ateus”. Parecia pelo título que ele tentaria estabelecer um diálogo de verdade, apontando convergências entre cristãos e ateus, pregando o respeito mútuo entre ambos – o que poderia incluir também o abandono dos ataques mútuos em prol de um debate respeitoso sobre os fundamentos do cristianismo e do ateísmo. Mas, ao lermos o texto, vemos o contrário.

Percebemos que ele não prega exatamente o respeito mútuo às (des)crenças e aos (des)crentes, pois desfere ataques descabidos e preconceituosos ao ateísmo desde o primeiro parágrafo, recorre ao credocentrismo – no qual nada faria sentido fora da cristandade –, usa o papa João XXIII para atacar os próprios ateus e no final ainda tenta convertê-los ao catolicismo ao lhes recomendar “considerar o Evangelho de Cristo”.

Abaixo está comentado cada parágrafo do texto em questão.

Cedo percebi que o desejo de Deus está inscrito no coração do homem e cedo aprendi que “a razão mais sublime da dignidade humana está na vocação do homem à união com Deus” (Concílio Vaticano II). Contudo, sabemos que muitas pessoas não percebem de modo algum essa união íntima e vital com Deus, ou explicitamente a rejeitam, a ponto de o ateísmo figurar entre os mais graves problemas de nosso tempo.

Esse trecho expressa a dificuldade que o autor tem de enxergar uma lógica fora do cristianismo – e respeitá-la. Para ele, o ateísmo seria uma mera rejeição ou impercepção do Deus cristão, “logo” um “problema gravíssimo”. Pergunto a ele se o candomblé, o hinduísmo, o xintoísmo, o budismo, a wicca, o taoísmo, a religião Asatrú etc., por naturalmente “negarem” ou ignorarem as crenças inerentes ao cristianismo, incluído nelas o próprio Deus, também são “graves problemas de nosso tempo”. É de se perguntar também o que ele acharia se um ateu começasse um texto chamado “Diálogo com os cristãos” dando ao cristianismo, logo de cara, tal atributo negativo e incriminador.

O ateísmo aparece como consequência do materialismo, da ignorância religiosa, do mau exemplo dos próprios crentes, da revolta contra o mal no mundo, e, enfim, dessa atitude do homem pecador que, por medo, se esconde diante de Deus e foge diante de seu chamado.

Essa parte é uma meia verdade no que concerne ao que levara alguns ateus (não todos) a terem abandonado o cristianismo e a crença na sua divindade, como o mau exemplo de religiosos – entre os quais o próprio autor se encontra, por ser tão preconceituoso para com o ateísmo e os próprios ateus – e o questionamento sobre por que Deus nada faz para deter a prevalência do mal sobre o bem em tantas situações ao redor do globo.

Mas em seguida volta ao vício do credocentrismo católico, à inabilidade de aceitar a existência de cosmovisões diferentes daquela de sua religião, ao manifestar a crença preconceituosa de que o ateísmo seria resultante da atitude de se fugir e se esconder do Deus dele – e ainda rotular os ateus, ou os “fugitivos” da divindade, de “pecadores”, mesmo com o conceito de pecado não tendo qualquer sentido no ateísmo.

Entretanto, não devemos confundir o ateísmo com o ateu. O ateu tem dignidade de pessoa e, enquanto tal, sempre merece estima. Ademais, nunca se extingue no ser humano a capacidade natural de abandonar o erro e abrir-se ao conhecimento de Deus, causa e fim de tudo. Quanto ao ateísmo, trata-se de um gravíssimo erro e sem dúvida não estão isentos de culpa todos aqueles que procuram voluntária e conscientemente expulsar Deus do seu coração.

A princípio ele tenta manifestar respeito e estima pelos ateus, jurando para si mesmo que não está se contradizendo nem seguindo uma lógica semelhante à da frase pseudotolerante “Respeito os homossexuais mas não a homossexualidade”. Mas os ataca logo na frase seguinte, deixando claro que considera o ateísmo um “erro” “gravíssimo” e os ateus “culpados” nem por contestar a existência de Deus, mas sim “expulsar Deus do seu coração”.

Ou seja, para o autor, os ateus estão “errados” e são “culpados” de um “gravíssimo erro”, enquanto, naturalmente, apenas os cristãos estariam certos. Uma autêntica postura de “dono da verdade”, que em absolutamente nada ajuda numa aproximação dialógica entre cristãos e ateus, mas sim só acirra a discórdia, o desrespeito mútuo e o próprio preconceito cristão ateofóbico.

Ao tentar atacar não os ateus como pessoas, mas a descrença deles, mas acabar chamando-os de errados e culpados – logo, mentirosos – ao invés de aceitar que creem numa verdade à parte dotada de sua própria lógica, ele falha contundentemente em sua tentativa de “dialogar” com o lado descrente.

Em seguida, ele transcreve parte de uma encíclica do Papa João XXIII, que também é comentada aqui:

“A ordem moral não pode existir sem Deus: separada dele, desintegra-se. O homem, pois, não é formado só de matéria, mas é também um ser espiritual, dotado de inteligência e liberdade. Exige, portanto, uma ordem moral e religiosa, que, mais do que todos e quaisquer valores materiais, influi na direção e nas soluções que deve dar aos problemas da vida individual e comunitária, dentro das comunidades nacionais e nas relações entre estas. Foi dito que, na era dos triunfos da ciência e da técnica, os homens podem construir a sua civilização, prescindindo de Deus.

A verdade é que mesmo os progressos científicos e técnicos apresentam problemas humanos de dimensões mundiais, apenas solúveis à luz de uma sincera e ativa fé em Deus, princípio e fim do homem e do mundo (…). Portanto, qualquer que seja o progresso técnico e econômico, não haverá no mundo justiça nem paz, enquanto os homens não tornarem a sentir a dignidade de criaturas e de filhos de Deus, primeira e última razão de ser de toda a criação. O homem, separado de Deus, torna-se desumano consigo mesmo e com os seus semelhantes, porque as relações bem ordenadas entre homens pressupõem relações bem ordenadas da consciência pessoal com Deus, fonte de verdade, de justiça e de amor.” (Papa João XXIII. Encíclica “Mater et magistra”, n. 207 e 214).

É evidente que o autor tenta impor verbalmente o catolicismo e suas crenças como a “única verdade absoluta” em detrimento das (des)crenças “falsas” e do direito dos ateus de não acreditarem em nenhum deus e não terem nenhuma religião. Nesse trecho, João XXIII, nas entrelinhas, esnoba os códigos morais de outras religiões e da secularidade, chama os ateus de “amorais” e “desumanos”, desacredita o Estado Laico e acusa o ateísmo e o humanismo secular de “incapazes” de promoverem a justiça e a paz.

Me pergunto se o que o autor pretende, ao fazer essa paráfrase do preconceituoso papa, é estabelecer um diálogo com os ateus ou monologar de forma impositiva, acusatória e nada tolerante contra a dignidade e a autonomia ético-moral deles.

A Igreja Católica considera que Deus pode, por caminhos dele conhecidos, levar à fé todos os homens que sem culpa ignoram o Evangelho. Pois “sem a fé, é impossível agradar-lhe” (Hebreus 11, 6). Mesmo assim, cabe à Igreja o dever e também o direito sagrado de evangelizar todos os homens em conformidade com a ordem claríssima de Jesus Cristo (Mateus 28,19-20). Dentro de um clima de diálogo sincero, a Igreja convida cortesmente os ateus a considerar com espírito aberto o Evangelho de Cristo.

Dois terços desse último parágrafo são dedicados a imputar à Igreja Católica o atributo de trator que deve passar por cima de todas as religiões e irreligiosidades existentes para impor aquela que se arroga como a única fé verdadeira e válida. Isso se percebe ao o vermos falando dos “homens (sic) que sem culpa ignoram o Evangelho”, em que estão incluídos toda a sorte de politeístas, deístas, ateus, panteístas, monoteístas não cristãos, sincretistas, animistas… E ainda revela sutilmente que o “diálogo” é uma farsa e na verdade não passa de uma tentativa de violar a não crença dos ateus e persuadi-los a aderir à religião católica.

No final, a mensagem resumida que podemos extrair do corpo do texto é:

Ateus, vocês estão errados, são pecadores e são culpados ante meu Deus de negar seu chamado mesmo que não acreditem sequer na existência dele. Sua descrença é um dos problemas mais graves da humanidade; vocês com sua descrença fazem deste mundo um lugar pior, até porque vocês, por não seguirem a meu Deus, são, segundo o papa João XXIII, amorais, desumanos e incapazes de serem moralmente retos. Peço-lhes que aceitem a religião católica como a única crença verdadeira e logicamente válida e deixem de ser pessoas erradas, pecadoras, amorais, desumanas e injustas.

Por isso eu dou um conselho ao encerrar este texto de resposta: Se você é cristão e não aceita a existência de cosmovisões não cristãs, se diz respeitar os ateus mas odeia a descrença deles e seu direito de não crer, você ajudará muito no diálogo entre cristãos e ateus omitindo-se de dar qualquer declaração sobre esse tema. Porque qualquer coisa que diga ao tentar compreender o ateísmo a partir da lógica de sua religião será deletéria, preconceituosa e ofensiva. Deixe o esforço dialógico e diplomático com os religiosos mais liberais, que sabem que todas as crenças e descrenças são dotadas de suas próprias lógicas e guiam a um mesmo caminho de retidão e respeitam de verdade tanto as outras (des)crenças como seus (des)crentes.

Meus comentários

O texto inteiro é uma demonstração de que o neo ateu age de uma forma com seus oponentes, mas pede que seus eles ajam de forma oposta. A regra dele ao que parece é “não faça comigo aquilo que eu faço com você”. Enfim, a hipocrisia campeia solta por todas as linhas escritas pelo autor Robson Fernando de Souza.

Ele começa citando o seguinte: “Percebemos que ele não prega exatamente o respeito mútuo às (des)crenças e aos (des)crentes, pois desfere ataques descabidos e preconceituosos ao ateísmo desde o primeiro parágrafo”. Sim, mas ataques ao teísmo são a totalidade do discurso neo ateu. Por que só o neo ateísmo tem o direito de crítica? Aliás, eu até concordo que as retaliações cristãs deveriam ser feitas aos neo ateus (e não a todos ateus), mas em guerra política, inocentes são atingidos. Se os religiosos moderados são vítimas dos neo ateus, os ateus também tendem a sê-lo.

Robson também reclama que o texto propaga uma idéia “na qual nada faria sentido fora da cristandade”. Mas isso é exatamente a retribuição ao que os neo ateus afirmam, dizendo que “nada faria sentido fora do ateísmo”. Portanto, pau que bate em Chico bate em Francisco.

Ele reclama que o texto cristão é preconceituoso por dizer que o ateísmo é um “problema gravíssimo”. Nada do que reclamar também, pois os neo ateus afirmam que o teísmo é um “problema gravíssimo”.

Ele questiona o seguinte: “É de se perguntar também o que ele acharia se um ateu começasse um texto chamado “Diálogo com os cristãos” dando ao cristianismo, logo de cara, tal atributo negativo e incriminador.”. Mesmo sendo ateu, reconheço evidentemente que todos os textos neo ateus em relação ao cristianismo trazem um atributo negativo e incriminador. Que eu saiba, os cristãos já se acostumaram a isso. Eles não esperam nada melhor do que isso dos oponentes. Eu também não me incomodo. Estranho o Robson se incomodar…

Engraçada também é essa reclamação: “… para o autor, os ateus estão “errados” e são “culpados” de um “gravíssimo erro”, enquanto, naturalmente, apenas os cristãos estariam certos. Uma autêntica postura de “dono da verdade”, que em absolutamente nada ajuda numa aproximação dialógica entre cristãos e ateus, mas sim só acirra a discórdia, o desrespeito mútuo e o próprio preconceito cristão ateofóbico.”

A pergunta: No que um cristão dizer que eu estou errado pelo meu ateísmo o torna ateofóbico? No que um cristão achar a minha cosmovisão ridícula implicaria em proibir uma aproximação dialógica? Quer dizer, o neo ateu Robson é quem não quer o diálogo. Ele só ACEITA o diálogo se o cristão mudar sua opinião.

Mais uma parte que se retribui com uma deliciosa ironia: “Ao tentar atacar não os ateus como pessoas, mas a descrença deles, mas acabar chamando-os de errados e culpados – logo, mentirosos – ao invés de aceitar que creem numa verdade à parte dotada de sua própria lógica, ele falha contundentemente em sua tentativa de “dialogar” com o lado descrente.” Alguém deveria lembrar ao Robson que um dos best sellers dos neo ateus é um livro chamado “Deus, Um Delírio”.

O final traz a cereja do bolo: “Se você é cristão e não aceita a existência de cosmovisões não cristãs, se diz respeitar os ateus mas odeia a descrença deles e seu direito de não crer, você ajudará muito no diálogo entre cristãos e ateus omitindo-se de dar qualquer declaração sobre esse tema.”

Ou seja, para ele o debate só pode ocorrer se o cristão CONCORDAR com ele. Discordâncias são proibidas. Mas, se dizer que discorda fortemente do ateísmo, Robson poderá dizer que você “odeia a descrença”, apelando ao emocional da platéia. Por fim, a recomendação: a participação de um cristão discordante do ateísmo será muito útil CASO ELE SE OMITA de dar qualquer declaração sobre esse tema.

Enfim, um texto no qual aparentemente o neo ateu (e humanista, obviamente) Robson começa clamando por “respeito entre as partes” e termina com uma confissão de que seu pensamento é totalitário. Para ele, discordar do ateísmo é uma blasfêmia.

Blogueiros conservadores tornam-se alvo de trotes esquerdistas

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Fonte: Mídia sem Máscara

Quem disse que as ameaças dos esquerdistas se limitam a palavrões e ameaças escritas? De acordo com a Fox News, blogueiros conservadores dos Estados Unidos estão dizendo que estão sendo vítimas de um trote terrorista potencialmente mortal. Ligações são feitas para a polícia, em retaliação a artigos conservadores, trazendo como consequência policiais armados na porta dos blogueiros.

Pelo menos, dois importantes blogueiros conservadores já foram vítimas. Num dos casos, um esquerdista anônimo ligou para a polícia se fazendo do blogueiro conservador e dizendo que havia acabado de dar um tiro na esposa.

Membros da SWAT, a elite da polícia americana fortemente armada, foram até a casa, mas tudo se resolveu sem confusão. A vítima, o Dr. Patrick Frey, vice-promotor público do Ministério Público de Los Angeles, escreveu sobre o incidente em seu blog Patterico’s Pontifications.

O incidente mais recente envolveu o blogueiro Erick Erickson. Policiais chegaram ao seu lar domingo de noite, enquanto ele e sua família estavam jantando.

O caso de Frey foi mais perigoso. Ele foi acordado depois da meia-noite por policiais que haviam recebido uma ligação que disse: “Quero fazer a denúncia de um tiro… Atirei nela, na minha esposa”. A polícia ordenou, com armas apontadas para ele, que ele saísse para fora da casa. Ele foi algemado até que uma busca completa registrasse que sua esposa e filhos estavam a salvo.

Especialistas nos EUA suspeitam que o autor desses trotes perigosos é Brett Kimberlin, que tem recebido financiamento de George Soros e Barbara Streisand entre outros esquerdistas. O histórico de Kimberlin inclui tráfico de drogas, abuso sexual de crianças, perjúrio e falsificação. Ele passou 17 anos na prisão.

Hoje, suas atividades contam com vários seguidores, que se ocupam em provocar danos em blogueiros conservadores. Além disso, outros estão imitando os trotes.

WND noticiou esta semana que um blogueiro cristão, Brian Camenker, foi vítima de um ativista gay, que acionou a SWAT contra ele, como se ele fosse um terrorista da mais elevada periculosidade.

WND também disse: “Ataques da SWAT contra ministérios cristãos pró-família estão aumentando recentemente, e envolvem alguém usando um programa de telefone e ligando para as autoridades fingindo ser do ministério ou da localidade do líder do ministério. Eles denunciam um assassinato, tiroteio ou evento semelhante. As equipes da SWAT das jurisdições policiais locais então caem em cima do inocente líder de ministério e sua família com armas em punho, criando elevados níveis de perigo para pessoas inocentes”.

Blogueiros do Brasil, preparem-se: militantes esquerdistas brasileiros adoram copiar os comportamentos mais podres de seus camaradas americanos. A agenda gay que existe hoje no Brasil, por exemplo, é um produto quase 100% importado dos Estados Unidos.

Olhando para o que ocorre nos EUA, você sempre terá uma ideia do que os radicais farão no Brasil.

Fique de olho: cedo ou tarde eles ficarão sabendo das denúncias falsas à polícia em nome dos conservadores e começarão a dar o mesmo golpe baixo e sujo nos blogueiros conservadores do Brasil.

Julio Severo

Meus comentários

Uma pergunta que fica no ar é: o que leva o esquerdista a agir assim? Uma explicação é o fato de que o esquerdista funcional, por ter uma vida dedicada a “salvar o mundo”, não consegue mais ver culpas em si, só no outro. Ele, como “salvador” do mundo, não tem mais parâmetros para julgar as suas atitudes como certas ou erradas. Na verdade, TODAS as suas ações são consideradas corretas, independentes de quais sejam.

A ausência de culpa relacionada a quaisquer atos (independente do grau de torpeza), que chega a igualar vários esquerdistas aos psicopatas, é um dos fenômenos relacionados à religião política que requerem atenção especial daqueles que investigarem a esquerda.

No Rio, Ahmadinejad se encontra com “intelectuais” do Brasil

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Fonte: Estadão

RIO DE JANEIRO – O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, reuniu-se ontem com cerca de 60 intelectuais brasileiros de esquerda, numa manifestação de apoio ao mais controvertido dos 94 chefes de Estado e de governo presentes na Rio+20.

“Hoje de manhã me reuni com um grupo de intelectuais da elite brasileira”, afirmou Ahmadinejad, durante entrevista coletiva. “Apresentaram opiniões sobre os temas do mundo. Pessoas que lutaram por estabelecer a justiça na sociedade; uma longa luta. Alguns passaram mais de 20 anos na prisão para poder concretizar seus objetivos.”

Dentre os que se reuniram com Ahmadinejad estava o sociólogo Emir Sader, influente conselheiro para assuntos internacionais no PT; Carlos Zarattini, outro petista de São Paulo; o comunista Haroldo Lima, presidente da Agência Nacional do Petróleo no governo Lula; o brizolista Fernando Peregrino, que foi candidato a governador pelo PR em 2010, ficando em terceiro lugar; e João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart. Na coletiva, em um hotel da zona sul do Rio, sob forte esquema de segurança, Ahmadinejad garantiu que, apesar do acirramento das sanções econômicas, o Irã seguirá adiante com seu programa nuclear.

“Com seu pensamento materialista, eles acham que, rompendo as relações econômicas, podem atingir seus objetivos”, disse o presidente iraniano, que como sempre fez uma rápida oração antes da coletiva, e disse que falava “em nome de Deus”. “Estão errados. É nosso desejo cortar os laços de dependência dos países ocidentais.”

“Graças aos esforços de nossos especialistas e profissionais, grande parte das necessidades do país tem sido atendida (sem ajuda externa)”, disse. “O Irã já é a 17.ª economia do mundo, e em breve será a 15.ª, sem apoio do Ocidente. Acho que o Irã é um bom modelo para demonstrar que sem apoio dos colonialistas é possível progredir”, disse o presidente.

Apoio brasileiro. Ahmadinejad lembrou que o Irã aceitou a solução mediada em maio de 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. “Eles (as potências ocidentais) responderam com uma nova resolução no Conselho de Segurança contra nós”, recordou Ahmadinejad.

“Continuamos com nossa paciência e procuraremos negociações em vez de enfrentamentos. Mas seguramente defenderemos nossos direitos.”

O líder iraniano, no entanto, descartou uma resposta militar a uma escalada do conflito na Síria, seu aliado estratégico no Oriente Médio. Respondendo a uma pergunta do Estado, ele disse que o envio de armas ou uma intervenção militar apenas agravariam a situação, e defendeu uma saída negociada.

Meus comentários

Como se nota, Ahmadinejad está em boa companhia. Totalitários se entendem.

Por que os líderes esquerdistas estão tão bravos com o impeachment de Lugo?

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O noticiário nos mostra que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, sofreu impeachment. Embora todo o processo tenha ocorrido de acordo com todos os critérios de um julgamento político, a liderança esquerdista está revoltada.

Dos presidentes esquerdistas, Fernando Lugo era um dos mais desequilibrados. Tanto que gostava de instigar formalmente a luta entre camponeses e proprietários de Terra. Tudo bem que Lula sempre fez isso, mas não de maneira tão formal. É esperado que um presidente lute para gerenciar um país, não estimular conflitos internos. Isso deveria ser óbvio para qualquer estudante de ciência política.

Ademais, Lugo estava tão desgastado que até o Parlamento achava melhor ele seguir no cargo e perder naturalmente as próximas eleições. Entretanto, a baixaria no governo estava superando todos os limites. Vejamos, de acordo com informação da Veja:

Na sexta-feira passada, seis policiais paraguaios e onze sem-terra morreram em um confronto ocorrido durante uma reintegração de posse na cidade de Curuguaty, que faz fronteira com o Paraná. Cerca de cem pessoas ficaram feridas. O confronto ocorreu na fazenda Morumbi, que pertence ao ex-senador Blas Riquelme, do Partido Colorado, da oposição. De acordo com a imprensa local, os sem-terra invadiram o local e preparam um esquema “militar” de defesa. Após o conflito, Riquelme afirmou que os carperos (como são chamados os sem-teto) podem ter sido treinados pelo grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio (EPP), que atua no país.

O detalhe é que os tais guerrilheiros possuem ligação com o presidente. Quer dizer, orientar a invasão de propriedades de adversários políticos é jogar baixo demais. Os danos causados por Lugo, como o apoio a grupos terroristas, terá efeitos nocivos para o Paraguai pelos próximos anos.

Enfim, o impeachment de Fernando Collor, no Brasil, foi justificável, mas o impeachment de Lugo é MUITO MAIS justificável. Collor não era uma ameaça ao Brasil e não brincava dia e noite de desafiar a constituição para satisfazer à necessidade de poder dele e seus aliados, fazendo uso de grupos de terroristas e traficantes para seu intento.

Sendo assim, por que o dramalhão da esquerda?

Segundo outra matéria da Veja, Cristina Kirchner perdeu toda a compostura: “Sem dúvida houve um golpe de estado”. O engraçado é que ela finge não saber que um processo formal, encabeçado pelo Parlamento e o Senado, segundo as regras dos processos de impeachment, jamais pode ser qualificado como golpe de estado. Kirchner ainda disse que o processo foi um “ataque às instituições”, quando na verdade foi exatamente o oposto. A interrupção do mandato de um presidente que incentivava ações terroristas, as quais estavam ficando cada vez mais explosivas, é um exemplo de manutenção das instituições.

O boliviano Evo Morales não podia agir de forma diferente, dizendo o seguinte: “Não reconheço um governo que não surja das urnas”. Ué, mas em caso de impeachment, um vice-presidente assume. E quando alguém é eleito, o seu vice-presidente é eleito junto. Como se nota, lógica não é o forte de Morales. Outro problema é, se não há reconhecimento de governo que não surja das urnas, e se vice-presidentes não são considerados como “eleitos” (é a lógica de Morales, não minha), por que os esquerdistas reconheceram o impeachment de Collor? Talvez a resposta esteja aqui, na outra declaração de Morales: “Por trás da ação política se movimenta a mão de neoliberais externos e internos”. Ah, entendi, o impachment é inválido se ele for do desejo de neoliberais. Automaticamente, deve ser válido de for do desejo dos esquerdistas.

Ainda em relação ao uso de dois pesos e duas medidas quando a esquerda avalia os casos Collor e Lugo, Reinaldo Azevedo pontuou, brilhantemente:

Vênia máxima, não existe golpe quando se segue a Constituição. Golpe parlamentar, como querem alguns, é outra coisa. Nesse caso, o Parlamento vota uma lei com o fito único de depor ou de inviabilizar o governo de turno, emprestando normalidade aparente à ilegalidade. A Constituição paraguaia não foi reescrita para botar Lugo pra fora. Foi apenas aplicada. “Ah, mas já havia o claro intento de cassá-lo”, dizem alguns. Se é assim, a cassação ocorreria agora ou daqui a dois ou três meses. Nesse caso, o risco de convulsão social, manipulada pelas forças “luguistas”, seria grande.

E vamos parar de conversa mole. Bastou uma votação na Câmara para tirar Fernando Collor do poder. E sem direito à defesa porque tal procedimento era descabido naquela fase. E FOI NUM PROCESSO POLÍTICO, NÃO CRIMINAL — no Supremo, aliás, ele foi absolvido. É bem verdade que seu afastamento, em tese, não era definitivo. Mas todos sabiam, a começar do próprio, que jamais voltaria. Ainda hoje, se vocês forem fazer pesquisa na Internet, encontrarão em muitas páginas a informação falsa de que a Câmara aprovou o impeachment no dia 29 de setembro de 1992. Errado! Aprovou apenas a abertura do processo — o que o obrigou a se afastar imediatamente, sumariamente. Assim é na nossa Constituição. O processo seria mais longo do que o do Paraguai, mas Collor, como Lugo, já sabia o resultado. Renunciou ao mandato no dia 29 de dezembro, horas antes da sessão do Senado cujo resultado era óbvio. Não adiantou. A Casa deu prosseguimento ao processo político e condenou por crime de responsabilidade, por 76 votos a 3, quem já nem era mais presidente. Ficou inelegível por oito anos. Vale dizer: Collor já tinha renunciado e, mesmo assim, foi impichado…

Ironicamente, os esquerdistas estão reclamando de que o processo é um atentado a democracia, mas a manifestação de Hugo Chavez veio momentos antes dele receber o ditador do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. É, eu avisei, coerência e discurso de líderes esquerdistas são coisas que não se mesclam jamais. Chavez disse que “o processo foi vergonhoso”. Enfim, um processo que seguiu todos os procedimentos adequados a um julgamento político foi “vergonhoso”.

O fato é que nesta altura do campeonato, seria vergonhoso um blog como este não analisar a motivação para o fato dos líderes de esquerda estarem tão irritados (a ponto de combinarem desequilíbrio mental e destempero em suas declarações). Especialmente por que eu já mapeei a estratégia de esquerda denominada Ambição Global.

Além do que já abordei naquele verbete, há uma motivação em especial que é fácil de ser observada. Enquanto o líder esquerdista quer de forma obsessiva que todos os outros países virem socialistas, o líder de direita não está nem aí se os outros países largam o capitalismo para adentrarem ao socialismo, e vice-versa. Por isso, para os norte-americanos, se a Rússia quisesse continuar como um país fechado ao capitalismo, ótimo. Já para os russos, a mera existência de um país que transpirava liberdade era ofensivo. Por que isso acontece?

Para entender o fenômeno, tente imaginar uma subcultura de sujeitos que resolve lançar ácido no próprio rosto, a ponto de se deformarem. Com o tempo, eles descobrem que não conseguem mais parceiras amorosas. Ou, se conseguem, elas representam algo mais feio que bater em mãe por causa de mistura. Mesmo assim, a dor de ver o rosto deformado é válida por uma causa na qual acreditam, a de que a “beleza não pode ser cultuada” ou qualquer coisa do tipo. O problema é que, enquanto eles estão com o rosto deformado, e agora sofrendo as consequências de sua ação, muitos outros continuam com seus rostos lisinhos, e vivendo uma vida normal. Quer dizer, “fora do grupo” alguém não sofre as mazelas que as pessoas de dentro do grupo sofrem. Isso poderá abalar a fé de dentro do grupo, algo como “Será que realmente essa é a forma de sermos felizes? Por que não contestamos isso? Será que umas 10 cirurgias plásticas não podem me fazer voltar a uma vida próxima da normalidade?”. Enfim, a existência do grupo que não sofre as consequências do ato pode DIFICULTAR a fé do grupo que sofre as consequências.

O que fazer para resolver a solução? Ora, se alguém está no grupo dos que resolveram não enfiar a cara no ácido, a sensação poderia ser: “Cada um é cada um, se eles querem se destruir, problema deles”. Mas na situação do grupo que está com a cara toda detonada, pode surgir uma variação que é exatamente a oposta: “É inaceitável que eles não façam o mesmo que a gente. Portanto, eles devem ter o rosto queimado por ácido também. “. A lógica disso é a seguinte: se TODOS estão com o rosto queimado por ácido, então não há uma base de comparação, e não há um grupo para o qual se olhe e afirme: “Eles estão em situação melhor”.

O mesmo ocorre para um país que é lançado ao jugo dos socialistas. Os impostos são exorbitantes, a criminalidade é cultuada, e as instituições são depredadas. Os cidadãos vivem dia e noite com o medo do totalitarismo e a intervenção do estado (geralmente de forma indejesável) em suas vidas. A motivação para as realizações diminui, pois o país passa a cultuar a inveja ao invés do sucesso (conforme Ayn Rand já afirmou aqui). Aos poucos, investidores estrangeiros tendem a sair do país em caso de sucesso pleno das ambições esquerdistas.

Mas quando os cidadãos desse país começam a olhar para outros países que não caíram nas garras do socialismo, poderão pensar: “Será que o socialismo é mesmo a solução? Por que será que sem o socialismo outros estão mais felizes?”. É esse tipo de questionamento que os líderes esquerdistas não querem que sua população faça. Por isso, desejam que os países vizinhos se tornem socialistas também. Morales, Chavez e Kirchner não querem que seu curral possa ver o que existe além da cerca, ao menos na questão de liberdade. (Sim, pois o Paraguai nunca foi lá essas coisas em termos de prosperidade econômica)

É por isso que um conservador não dá a mínima se o Paraguai abandona o socialismo ou não. Mas os esquerdistas não querem, de jeito algum, que eles deixem de ser socialistas. Nisso, reside mais um aspecto do totalitarismo da mente esquerdista. Eles não só odeiam o fato de que você não viva sob a cartilha deles. Eles abominam a mera idéia de que outros países fujam do socialismo, especialmente se forem países próximos.

Portanto, quanto mais irritados eles estiverem irritados com o impeachment de Lugo, melhor.

A perspectiva da demolição do valor alheio OU Como a paixão ideológica se torna frágil diante do ceticismo

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Não sei se já contei aqui quando surgiu a epifania de aplicar o ceticismo aos neo-ateus, o que posteriormente levou-me ao ceticismo contra a esquerda em geral, e, por fim, à criação de um método para o ceticismo político. Ou seja, um método que tanto um esquerdista pode usar contra um direitista, quanto um direitista usar contra um esquerdista.

Entretanto, este não é um post sobre o método, mas sobre a origem de um estímulo que criou em mim um hábito de usar o ceticismo para combates ideológicos (inicialmente na Internet). Curiosamente, minha influência surgiu a partir de… adeptos de Carl Sagan e James Randi.

O que importa é que fui convidado por uma amiga a participar de uma comunidade chamada “Projeção Astral”. Nela, vários participantes comentavam suas peripécias no “plano astral”. Diziam poder visitar as garotas enquanto dormiam. O que, por si só, já era sedutor para elas. Alguns deles ofereciam cursos online, que não eram baratos. Mais ousado ainda era um deles anunciando a criação de um curso de extensão universitária sobre projeção astral e outras técnicas “mágicas”.

Nunca acreditei que essas coisas funcionassem, mas na época eu estava interessado em sensações. Algo como executar todos os procedimentos de meditação, e obter a sensação de como seria sair do corpo. Isso tudo sem precisar acreditar que realmente o espírito sairia do corpo. De qualquer forma, a maioria dos orkutianos daquela comunidade pensavam de forma exatamente oposta. Alguns pareciam acreditar terem poderes sobrenaturais, e, justamente por isso, seriam uma “elite”. Era praticamente um debate entre pessoas “iluminadas” dentre os pobres mortais.

Fiquei acompanhando praticamente 1 mês os debates por lá, e não surgia muita coisa interessante, até que em um dia apareceu um sujeito, chamado Viliam (ou, ao menos, era esse seu apelido), com uma mensagem desafiadora. Era mais ou menos isso:

Notei que muitos de vocês alegam praticar viagens astrais. Eu particularmente duvido. Mas posso estar errado. Portanto, proponho um desafio: escreverei em um pedaço de papel 3 frases, e colocarei este papel em cima de meu computador. Desafio qualquer um dos projetistas a vir aqui, de forma astral, e ler o que está escrito no papel. Hoje é segunda-feira, dia 14 de fevereiro. Esperarei até o dia 18, sexta-feira. O desafio é muito simples. Ou vocês aparecem e lêem o que está escrito no papel, ou poderemos dizer que a viagem astral é uma fraude. O jogo está aberto!

Não é preciso dizer que a mensagem suscitou reações indignadas de imediato. O proprietário da comunidade ameaçou banir Viliam logo de cara, no que foi contido por outro moderador, alertando sobre o risco deles parecerem anti-democráticos. Viliam se sentiu tranqüilo para prosseguir com o desafio. Enquanto isso, os demais participantes, os “projetistas”, estavam irritadiços. Muitos diziam que “Viliam não entendeu o conceito por trás da viagem astral”. Ele foi rápido ao retrucar:

Se eu não entendi, então me explique exatamente o que estou perdendo, pois farei um novo desafio revisado.

As desculpas dos projetistas variavam entre o patético e o desvio de foco padrão. O fato é que os projetistas estavam aos poucos sendo desmoralizados. Melhor para Viliam, que era impiedoso:

Estou avisando que o papel ainda está em cima do meu computador. A sexta-feira já passou. Estou com pena de vocês. Vou dar mais duas semanas de prazo…

Eis que aquele garanhão que garantia visitar as garotas no sonho tornou-se também desafiador. E disse que iria ler o papel de Viliam. Mas só quando tivesse vontade. Viliam, obviamente, se aproveitava retrucando de forma cada vez mais fulminante:

Está certo. Estou esperando. Mas duvido que apareças…

É claro que ninguém apareceu. O papel não foi lido. Aliás, nem sei até hoje se realmente existia algum papel escrito. E sinceramente não me importa. O que realmente importa é que pessoas que alegavam uma autoridade em cima de outras (lembre: “eu tenho a habilidade de viajar no plano astral, e posso visitá-la em seu quarto, sem a presença corpórea, sou diferenciado”) não podiam mais fazê-lo. Pelo menos por algum tempo.

Os vendedores de cursos estavam tímidos. Workshops de projeção astral? Nem pensar. E, cada vez mais, a comunidade era freqüentada por pessoas que duvidavam da viagem astral. Viliam não estava mais sozinho.

Outros faziam coro juntamente ao seu questionamento:

Existe viagem astral? Então prove! Se alegou, então demonstre!

A sensação que eu senti pelos projetistas era de vergonha alheia. Dava pena ver marmanjos sendo desafiados, após praticarem bravatas, e depois usarem a expressão “veja bem”…

Viliam usava o ceticismo, e, pela eficiência em seu uso, conseguiu tirar a autoridade de uma comunidade inteira. Posteriormente, ele citou que era um adepto de James Randi e que tinha o livro “O Mundo Assombrado pelos Demônios”, de Carl Sagan, como sua principal fonte de inspiração.

Foi quando decidi investigar a fundo o padrão de comportamento, e em como o ceticismo de desmascaramento provocava calafrios naqueles que eram questionados. De uma hora para outra, pessoas que tinham um ar imponente se sentiam acuadas e humilhadas.

Mas foi aí que veio a epifania, pois entendi um conceito básico. O ceticismo NÃO REQUER que um alegador esteja fazendo alegações sobrenaturais. Quaisquer alegações podem estar sob o escrutínio do ceticismo. Da mesma forma, um questionador cético NÃO PRECISA ser anti-religioso ou anti-paranormal. Basta ter um objeto de ceticismo, tal qual os adeptos de Randi tinham um objeto de ceticismo. Para eles, o paranormal e o sobrenatural deviam ser questionados.

Uma frase dita por Viliam foi extremamente relevante: “Ei, são vocês que estão alegando projeção astral. Eu não estou alegando nada. Estou em posição extremamente confortável”.

Foi aí que entendi o poder do ceticismo. E por que ele é uma ferramente tão útil que não pode ser exclusividade de um grupo só. O ceticismo tem o poder de tirar o VALOR de alguém, apenas pelo questionamento de suas alegações.

Para isso, vamos ao conceito de valor, incluindo o valor subjetivo. Imagine um sujeito que afirme em público ser namorado de uma coelhinha da Playboy, que é considerada musa em todo lugar que vá. Entretanto, alguém descobre e divulga ao público que a namorada dele jamais posou para a Playboy. Posou para a Private. E é bem feinha. É natural que o sujeito fique indignado, pois um valor subjetivo dele, o orgulho que ele tinha por ter uma namorada que todos desejariam, se perdeu. Esse orgulho foi substituído por uma humilhação. Antes ele se achava motivo de inveja. No dia seguinte, se sente motivo de chacota.

Outra vez, soube da história de um sujeito que tinha um Fusca, que ele apelidou de “Fuscão”. Era um carro de cor preta, provavelmente em homenagem a uma música sertaneja. Cheio de adereços, o carro vivia sendo exibido. Seu dono também gostava de usar o som no maior volume possível. O problema foi quando ele ouviu, sem querer, várias pessoas rindo da breguice de seu carro. O “fuscão”, que era seu objeto de orgulho, tornou-se motivo de vergonha.  Não demorou para ele vendê-lo.

É exatamente o mesmo que ocorreu com os praticantes da viagem astral. Antes, se achavam portadores de um conhecimento sobrenatural, que causaria inveja nos outros. Após o questionamento de Viliam, são percebidos pela platéia como pessoas delirantes, que vivem de ilusão e auto-engano.

Nos 3 casos, o padrão é o mesmo. O valor que a pessoa percebia ter é abalado. E, pior ainda, os demais percebem que o valor que o outro tinha é muito menor do que ele pensava ter. É aí que surge a sensação do “chão caindo por debaixo dos pés”, que Randi e Sagan garantiam gerar naqueles que eram foco de seu questionamento. O motivo é claro: o valor de alguém é tirado por alguém que não tem nada a perder.

Sim, é exatamente isso o que você leu. Se a alegação do outro é facilmente demolível, e você não está fazendo nenhuma alegação que precise ser validada, você só tem a ganhar e o outro tem grandes chances de perder. Para entender melhor o conceito, crie mentalmente a imagem de duas pessoas, X e Y, que estão lutando. X tem uma bexiga cheia de tinta vermelha, que fica presa por um arame à sua cabeça. A vitória será para aquele que ficar todo sujo de tinta, e os participantes usam longos pedaços de pau para poderem se agredir sem precisar encostar um no outro. Caso a bexiga exploda na cabeça de X, Y ganhará. Entretanto, a bexiga SÓ PODE estourar na cabeça X. É uma vantagem considerável para Y.

Imagine agora o valor que está sendo colocado sob questionamento como pertencente ao participante X (o namorado da alegada playmate, o dono do fuscão e o viajante astral). Mas Y, que é o cético, não tem esse valor. É isso que faz Y estar em uma posição extremamente confortável. O valor sob questionamento é como a bexiga cheia de tinta do exemplo anterior. (Atenção, não digo que esta é uma situação imutável, pois em alguns casos você será o cético e o outro será o questionado, mas em outros você pode ser o crédulo, enquanto seu oponente ser o cético)

E o que é a paixão ideológica senão um valor adotado pela própria pessoa? Um esquerdista pode se achar “defensor dos direitos humanos”, mas, sob questionamento lhe tiramos esse valor e mostramos ao público que ele é um defensor de criminosos, mas tende a ignorar vários aspectos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ele também poderá definir a si próprio como “defensor dos pobres”, mas podemos lhe tirar esse valor mostrando que ele apoia ditadores… riquíssimos.

Muitos esquerdistas, por sua vez, estão tão apaixonados por sua ideologia que podemos encontrar relação entre essa afeição e o amor romântico. Muitos deles chegam a ficar com pernas trêmulas ao lembrarem de Che Guevara. Há um conhecido que posou ao lado de Lula. Parecia, nesta foto, a pessoa mais feliz do mundo. Seus olhos brilhavam de emoção. Nesses casos não só a ideologia, como também os líderes da ideologia, são objetos de valor para o esquerdista. Ao questionarmos esse valor, estamos tirando o chão por debaixo dos pés deles.

Por isso, comecei a notar um padrão quando agia, perante neo ateus (no início) e esquerdistas em geral (a partir de meados de 2011), da mesma forma que Viliam agia perante os projetistas astrais. Enquanto esses crédulos tinham tudo a perder (pois a crença deles é que estava sob o crivo cético), eu podia simplesmente ficar em uma posição “extremamente confortável”. A vantagem é que, emocionalmente envolvidos (pela paixão ideológica), meus adversários normalmente ficavam irritados. Imagine a situação na qual o namorado da playmate está vendo sua garota ser chamada de “bagulho” em público. Ele tem motivos para se irritar, não os seus questionadores. Ele está apegado emocionalmente à ela, não os seus questionadores. Assim como o esquerdista está apegado às suas ideologias.

Sei que os teístas que lêem este blog entenderão por que muitas vezes ficam tão irritados quando os neo ateus os questionam. Eles estão colocando os valores dos cristãos sob questionamento. A bexiga de tinta vermelha, nesse caso, está na cabeça dos teístas. Entretanto, basta ridicularizarem as crenças de Dawkins, a postura humanista e a memética, que os teístas podem também colocar bexigas de tinta vermelha na cabeça deles. E, assim como ficam irritados quando os neo ateus os irritam, irritem eles também, oras.

Esse é um dos motivos que tornam o ceticismo, especialmente o ceticismo político, tão poderoso. É um paradigma na qual é fácil tirar o valor que seus oponentes possuem. Em tese, o ceticismo de Sagan e Randi sempre foi um ceticismo político. Foi o ataque de humanistas contra teístas, e esses grupos são rivais. Entretanto,  os humanistas venciam pois APENAS ELES questionavam. Logo, a bexiga de tinta vermelha ficava só na cabeça de seus oponentes. Aos poucos, o que tenho mostrado aqui através de uma série de conscientizações (e essa é apenas mais uma delas), é que o ceticismo não é propriedade de ninguém. É uma ferramenta que qualquer um pode usar contra os alegadores DO OUTRO LADO. Se você tem algumas alegações, seus oponentes também possuem várias.

Se você é religioso e se irrita ao ver neo ateus ridicularizando sua crença (segundo Dawkins, a hóstia é uma bolachinha besta, o que significa a demolição do valor alheio), saiba que eles também possuem várias crenças pelas quais se apaixonaram.

Mire sempre na bexiga de tinta vermelha logo que a colocar na cabeça deles. Tenha certeza que eles vão ficar bem  indignados. Significa que você está no caminho certo.

O Duelo Cético: como esse paradigma é o melhor que temos para agregar valor aos debates

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Será que o proprietário deste blog resolveu dar a cara a tapa e dizer que a solução para a baixa qualidade do debate público hoje é “fazer todos quebrarem o pau”? Sim, é exatamente isso o que eu quis dizer. Mas é claro que eu preciso dar uma explicação mais detalhada.

Me lembro quando abordei o controle de qualidade nas organizações, a partir do qual a validação da qualidade de um entregável é feito por uma ÁREA APARTADA em relação a área que faz a entrega. Isso significa que não é o emissor das faturas aquele a validar que “a qualidade das faturas está de acordo com o que a organização espera”. Da mesma forma, não é o gerente de projetos que declara que “seus projetos estão conforme o padrão da organização”. Lembremos que o responsável pelas faturas poderá omitir informações importantes, para simular uma qualidade que o seu trabalho não tem, assim como o gerente de projetos pode omitir problemas de qualidade em suas entregas para aumentar o seu bônus. Não é por outro motivo que nas organizações a atividade de validação é feita pelas áreas de controle de qualidade e auditoria.

Esse tipo de constatação dá sustentação à minha tese da espiral da bobagem, na qual um grupo político, ao colocar o grupo adversário na espiral do silêncio, começa a dizer uma quantidade enorme de bobagens. Isso por que aqueles que poderiam fazer o ‘crivo’ de qualidade nos argumentos desse grupo (agora dominante) estão calados.

Podemos até supor que a atividade dos iluministas, ao agir para derrubar a monarquia (e os papas que os apoiavam), ficou fácil pois estes estavam na espiral da bobagem. Com o advento do Iluminismo, um ataque frontal foi lançado aos monarcas e os líderes religiosos, que em pouco tempo foram lançados na espiral do silêncio. Ironicamente, a religião política foi colocada no lugar da religião tradicional. O culto a Deus foi substituído pelo culto ao Estado. Mas se os religiosos estavam na espiral do silêncio, a partir desse momento os esquerdistas é que foram para a espiral da bobagem. E, como sempre nesses casos, a qualidade do debate político cai exponencialmente.

Hoje em dia quando vemos posts como o de Sakamoto apoiando os criminosos mas pedindo a criminalização da “ostentação das vítimas”, isso é sinal de que a “intelectualidade” esquerdista não passa longe de classificações que transitam entre a neurose, demência e psicose. Pela hegemonia do pensamento esquerdista (religião política), os adeptos dessa linha de pensamento estão na espiral da bobagem.

Considerando esses fatores, hoje em dia temos o problema de que muitos esquerdistas falam a bobagem que lhes vier na telha. Será que se um dia os conservadores conseguirem a hegemonia, entrarão na espiral da bobagem também? A meu ver, essa é uma hipótese bem provável. Logo, se tanto um lado como outro podem entrar na espiral da bobagem, qual o valor do ceticismo político? (Estou considerando grupos adversários, em diversos níveis, como esquerda X direita, religião tradicional X humanismo, neo ateísmo X cristãos, etc.)

Para resolver essa questão, voltemos às organizações. O fato de auditarmos CONTINUAMENTE uma área, não significa que estejamos pensando em um estágio no qual a auditoria não seja mais necessária. Assim como não consideramos a situação em que um auditor resolve ir para a linha de frente realizar entregáveis e não precisa ser mais auditado só por ter sido auditor no passado. Ou seja, a auditoria não só é importante, como também constatamos que, assim que ela é abandonada, o caos volta a imperar. Às vezes, em quantidade até pior do que antes.

Sendo que não adianta esperarmos a situação em que ocorrerá um “fim do ceticismo”, um cenário no qual não será preciso mais questionar os outros (pois estes estarão “conscientes” de só usarem bons argumentos e alegações válidas), melhor pensar no ceticismo, especialmente político, como algo que não está apenas “de passagem”, mas que deve ser estabelecido como um hábito a não ser mais abandonado. Pelo contrário, quanto mais ele for ampliado, melhor.

Já vi objeções conforme a seguinte: “Você é um conservador, e questiona os esquerdistas. Logo, quem te questionará?”. A resposta é óbvia: “os esquerdistas”. Isso significa que, como conservador, meu papel no duelo cético é questionar os esquerdistas. Já o papel deles, no mesmo duelo, é questionar os conservadores.

Não posso me esquecer, é claro, de algumas verdades incontestáveis. Por questões de sobrevivência, o ser humano corre o risco de mentir quando quiser levar vantagem (e isso não é raro). Isso não significa que eu esteja te chamando de mentiroso. Estou me referindo ao ser humano de uma forma geral. Ainda assim, mesmo que o ser humano possua tendência a mentir, também gosta de ser tratado com o uso de verdades, em contrapartida. A lógica que dá sustentação a esse raciocínio não é nada complexa. É óbvia. Imagine, por exemplo, que duas pessoas estejam em um barco lutando pelo último cantil de água. A tendência é que um tente matar o outro para ficar com a água e conseguir sobreviver. Mesmo assim, ambos os dois DESEJAM no fundo não sofrer efeitos da violência. Não dá para negar que isso se aplica perfeitamente ao modelo que entende a tendência biológica à mentira dos indivíduos lutando pela sobrevivência, ao mesmo tempo em que estes indivíduos não desejam ser vítimas da mentira. (O leitor Bruno objetou dizendo que os seres humanos vão aceitar como verdade uma mentira em que desejam acreditar. Isso pode acontecer, é verdade, mas ainda assim essa “vítima” da mentira irá perceber a informação recebida como uma verdade, o que não muda a constatação de que, mesmo tendendo a mentir, caso precise lutar pela sobrevivência, esta pessoa desejará não ser vítima de mentiras)

Ora, considerando que a política é a ARTE na qual grupos lutam para levar vantagem sobre outros através de ações organizadas, incluindo o uso de discursos, no cenário da guerra política não faz sentido algum esperar que um desses grupos VALIDE a própria atuação. Por exemplo, em seu livro “Quebrando o Encanto”, Daniel Dennett diz que precisa investigar os religiosos. Agora veja o que ele diz em relação aos ateus: “Existe uma assimetria: os ateus em geral acolhem bem o exame intensivo de suas opiniões, práticas e raciocínios. Na verdade, sua exigência incessante de autocrítica pode se tornar bastante aborrecida”.

Pura bobagem. Os ateus (e neste caso ele fala dos neo ateus/humanistas) realmente questionam muito a religião revelada, mas não significa que façam o mesmo com o ateísmo e suas outras crenças. Eles questionam em larga quantidade o teísmo, pois este é o grupo político com o qual rivalizam. Caso acreditemos que os “ateus” se auto-questionem, isso seria cair no truque Auto Cético. Eu, como sou ateu, entendo que não cabe a mim dizer se o ateísmo é a melhor opção. Mas mesmo que eu diga isso, não cabe a mim DEFINIR que esta é a posição válida. Por ser ateu, eu posso ter um interesse investido no ateísmo. Cabe aos não ateus e oponentes do ateísmo esse questionamento. Assim como tem cabido aos ateus (especialmente os militantes) o questionamento ao teísmo.

Se você pegou o “jeitão” do raciocínio, já entendeu que eu defendo que o questionamento dos argumentos em si seja feito pelos OPONENTES daquele argumento. Isso significa que no cenário atual teríamos configurações como:

  • Ateísmo questionamento teísmo, na mesma medida em que teísmo questiona o ateísmo
  • Humanismo questionando a religião revelada, ao mesmo tempo em que os religiosos tradicionais questionam o humanismo
  • Direita questionando a esquerda, ao mesmo tempo em que a esquerda questiona a direita

Nessas configurações, que são apenas um exemplo, ainda podem surgir os pontos fora da curva, como eu, que não sou adepto da religião revelada, mas questiono a religião política, e me considero um adversário da mesma.

Agora, avaliemos como esta “malha” de questionamentos (lançados de forma adversária pelos oponentes do grupo alegador) pode ajudar na melhora da qualidade dos argumentos.

Se não questionado, um grupo, especialmente se estiver na espiral da bobagem, vai falar tudo que for necessário para obter vantagem política. Ao mesmo tempo, pelos adversários estarem na espiral do silêncio, mesmo que sejam afirmadas besteiras inomináveis, este grupo atuante não vai ser corrigido. Em muitos casos, a regra é clara para eles: se a vantagem política vem, que mal tem? Ao mesmo tempo em que ganham vantagem política, lançam uma quantidade inominável de bobagens na seara pública. Entretanto, se um grupo oponente assume que este grupo será questionado de todas as maneiras possíveis, as besteiras ditas pelo grupo aleagador tendem a ser “filtradas”. Como já disse, esse filtro não ocorre a partir deles próprios. Ocorre a partir de seus adversários.

Não podemos esquecer de umoutro fator, que é a perspectiva do triângulo para debates. É evidente que após uma saraivada de questionamentos e refutações que um esquerdista fique ofendido e irritado com a atuação do conservador. E vice-versa. Mas o que importa é que a plateia estará sendo “imunizada” de argumentos ruins que surgem de parte a parte. Essa “imunização” só pode ocorrer pois estamos aceitando como premissa de que o questionamento que pode demolir as alegações ruins vem da parte adversária, não dos proponentes da ideologia. Passaríamos, neste contexto, a aceitar de que uma das funções centrais dos ateus militantes é questionar os religiosos tradicionais. Isso, aliás, vem acontecendo há muito tempo. A diferença é que aceitaríamos também que a função dos religioso tradicionais é questionar ferrenhamente o ateísmo militante. Os dois lados, agora, fariam parte do duelo cético. Depois, basta aplicar isso para qualquer duelo ideológico cujos lados estejam bem definidos.

Vamos a um exemplo da tentativa de alguns criacionistas em imputarem ao darwinismo as culpas pelo nazismo. Obviamente, uma grande bobagem. Mas enquanto criacionistas estiverem obtendo as vantagens dessa rotulagem imposta ao oponente, não há esperanças de que abandonem o argumento ruim. Mas os darwinistas, adversários do criacionismo, poderão efetivamente questionar de forma pública essa alegação criacionista. E assim, sucessivamente, um questionando o outro.

Se há o questionamento extensivo de lado a lado, cada um dos lados questionados poderá ter muitas de suas alegações refutadas. A partir daí, só existem dois caminhos para aquele que for refutado. Abandonar suas alegações (ou ao menos algumas delas), e apresentar retificações, sendo obrigado a voltar atrás em alguns de seus estratagemas, enganos, deslizes ou até fraudes. Outro caminho é continuar propagando o argumento ruim, só que o questionamento realizado pelos adversários deste grupo poderá gerar um grau de conscientização pública a respeito do fato de que o grupo declarante está de fato propagando mentiras. Em qualquer um dos casos, a qualidade dos debates tende a aumentar.

Suponha o seguinte cenário. Um grupo de neo ateus propaga uma série de mentiras contra os religiosos tradicionais. Vários destes se juntam para refutar, e ridicularizar esses neo ateus, além de conscientizarem seus leitores de que os neo ateus em questão são mentirosos. Suponha que de 10 argumentos dos neo ateus, 8 ou 9 tenham sido massacrados na contra-argumentação. Só que os neo ateus vão rebater, e nessa contra-argumentação, podem encontrar bobagens nas argumentações dos mesmos teístas. Pode até ocorrer a situação em que nesse momento, ao tentar contra-atacar, os neo ateus simulem falso entendimento dos argumentos dos teístas. Mas estes mesmos teístas podem rebater mostrando que até na contra-argumentação, os oponentes então mentindo. Enfim, temos uma situação de fogo cruzado na qual, aos poucos, os argumentos ruins e as fraudes vão sendo derrubadas. Quem sai ganhando, naturalmente, é a platéia.

Por isso, entendo o duelo cético, uma perspectiva de debate na qual defendemos que o fogo cruzado de questionamentos entre partes adversárias, é uma forma muito mais eficiente de ceticismo, especialmente político, pois deixa a validação de uma idéia para um grupo que NÃO TEM INTERESSE em implementar a idéia. É uma expansão dos conceitos de controle de qualidade e auditoria nas organizações, só que aplicada ao debate público.

Assim como o controle de qualidade e a auditoria são funções que inegavelmente agregam valor à organização, esta lógica se aplica ao ceticismo político, em sua especialização que defino por duelo cético.

Psicóloga Marisa Lobo sai em defesa de Silas Malafaia e aproveita para “ownar” Jean Wyllys

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Fonte: Notícias Gospel +

Após as afirmações do deputado Jean Wyllys, que questionou a competência do pastor Silas Malafaia para falar sobre homossexualismo, a psicóloga cristã afirmou que o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo “é um psicólogo, e não apenas um professor de história, ganhador de um BBB, que se aproveitou de um programa, para ser deputado”.

Lobo afirma que o deputado e ativista gay é quem “não tem autoridade científica alguma, para falar de homossexualidade”, e emenda dizendo que Jean Wyllys pode falar sobre  assunto apenas “de conhecimento prático, da sua sexualidade vivenciada. Pois sua experiência acadêmica o deixa longe de discussões científicas, que são neste caso da área médica e de saúde mental, que é a área de formação acadêmica do pastor Silas Malafaia”.

A psicóloga Marisa Lobo afirma que o fato de Jean Wyllys questionar a autoridade de Silas Malafaia sobre o assunto demonstra falta de conhecimento por parte do deputado: “Somente quem não tem conhecimento filosófico e não enxerga nada além de seu umbigo apenas, e vive surfando na onda social dos prazeres relativos pode cometer esta gafe”, pontua.

A sociedade, segundo Marisa Lobo, não se omitirá às afirmações do deputado federal Jean Wyllys: “O Brasil está acordando, não cola mais. Dessa vez esse deputado Jean Wyllys se referiu a um líder de conhecimento acadêmico, científico e de uma inteligência, reconhecida pelos maiores pensadores de nosso tempo. Malafaia queiram ou não é referência”.

Confira abaixo a íntegra do artigo da psicóloga Marisa Lobo sobre o as afirmações de Jean Wyllys:

Assistindo a entrevista do deputado Jean Wyllys, no jogo do poder na CNT pude observar a arrogância, desse deputado, a perseguição e preconceito aos cristãos principalmente aos pastores, que este deixa claro em todas suas falas.

Descredenciar cristãos, e nos taxar de incultos tem sido a ferramenta, o mote de campanha de desvalorização e difamação da nossa fé, são meros pretextos a serviço de uma ideologia neocomunista, que tem em sua prática o totalitarismo. O que na verdade é apenas uma defesa (formação reativa) e Freud explica porque nessa ditadura que desejam instalar à força, surgem profissionais, como nós que temos a coragem de assumir nossa fé, e gritar aos quatros cantos que o fato de  sermos Cristãos não nos incapacita ou nos transforma em seres incultos, raça burra. E que principalmente não somos massa de manobra. Sim, pensamos.

É ou não é discriminação e preconceito essa tentativa de nos descaracterizar, por sermos Cristãos?

Esse papo de que o pastor Silas Malafaia não tem autoridade para falar de homossexualidade, é de dar risada, pois o pastor Silas é um psicólogo, e não apenas um professor de história, ganhador de um BBB, que se aproveitou de um programa, para ser deputado, pode dizer que ele sim, não tem autoridade para falar de bíblia, já que nunca leu, e não acredita nela. A sua ética e falta de conhecimento bíblico é de envergonhar qualquer criança.

Acredito que esse deputado sim, não tem autoridade científica alguma, para falar de homossexualidade, e sim de conhecimento prático, da sua sexualidade vivenciada. Pois sua experiência acadêmica o deixa longe de discussões científicas, que são neste caso da área médica e de saúde mental, que é a área de formação acadêmica do pastor Silas Malafaia.

Me pego a pensar como os seres humanos são perversos, e ingênuos quando tentam com falácias, com perversidade oral, implantar mentiras na sociedade. O Brasil está acordando, não cola mais. Dessa vez esse deputado Jean Wyllys se referiu a um líder de conhecimento acadêmico, científico e de uma inteligência, reconhecida pelos maiores pensadores de nosso tempo. Malafaia queiram ou não é referência.

Somente quem não tem conhecimento filosófico e não enxerga nada além de seu umbigo apenas, e vive surfando na onda social dos prazeres relativos pode cometer esta gafe.

Essa conversa desses militantes gays não convence mais ninguém. Se enche de razão porque é um parlamentar, mas cá entre nós, não entrou na política pela sua militância, o que seria louvável, e sim por ficar famoso em um reality show. Então deixa pra lá.

Marisa Lobo

MEUS COMENTÁRIOS

Não sou o maior fã de Marisa Lobo. Acho-a fraquíssima em termos de estratégia para a guerra política. Silas Malafaia, por outro lado, é bem melhor.

Mas que Marisa mandou bem nessa resposta ao Jean Wyllys, quanto a isso eu não posso negar.

Foi uma verdadeira ownada.

Apologia e tolerância ao crime: o que Marilene Felinto e Sakamoto tem em comum?

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Um dos posts considerados mais incendiários deste blog foi aquele no qual narro a estratégia esquerdista Apologia e Tolerância ao Crime. Alguns disseram que eu exagerei (não tanto aqui no blog, mas em dois ou três emails mal educados). Um deles me disse que eu estava caminhando para ser uma versão do programa do Datena em formato de blog. Aqui, demonstro que não exagerei nem um pouco. Na verdade, fui até modesto.

Em 2004, a marxista Marilene Felinto escreveu o texto “A Morte da Menina Rica e o Ódio de Classe”, quando falou do caso da morte da jovem Liana Friedenbach, de 16 anos, e de seu namorado, Felipe Caffé, de 19. Ambos foram sequestrados por uma gangue de marginais, que incluía o meliante Champinha. Felipe foi morto com um tiro na nuca. Mas o pior estava por vir: por vários dias os marginais estupraram e agrediram Liana das maneiras mais torpes. Ao final de quase uma semana de sofrimento no cativeiro, ela foi morta a facadas.

Se na época, as pessoas normais ficaram indignadas com esse crime, Marilene, ao contrário, ficou indignada com a indignação em relação ao crime. Veja o texto dela abaixo:

A morte de uma menina rica, assassinada no município de Embu-Guaçu, Grande São Paulo, em novembro último, supostamente por uma quadrilha que inclui um adolescente de 16 anos, pobre e morador da periferia do Embu, deixou claro, mais uma vez (até a exaustão, vamos lá), que o Brasil tem dois tipos de cidadão: que o valor de cada coisa – de cada pessoa – é seu preço no mercado, como afirma Josep Ramoneda.

Está claro que o rabino H. Sobel, ao pedir a instituição da pena de morte no Brasil, só ousou fazê-lo porque a jovem morta, Liana Friedenbach, pertencia à comunidade judaica de São Paulo. A hipocrisia do rabino é flagrante: está claro que ele defende a pena de morte para brasileiros pobres. No seu delírio, o rabino deve ter achado que aqui é uma espécie de Israel – e que a esmagadora maioria dos brasileiros, da classe pobre, é uma espécie de Palestina a ser eliminada da face da terra! Ora, até que ponto se pode chegar?

Está claro que todo esse rebuliço em torno do assassinato da jovem de 16 anos e de seu namorado, Felipe Caffé, 19, não teria acontecido se a vítima tivesse sido apenas este último, filho da classe média baixa e sem nenhuma “comunidade” forte por trás. Somente por tabela o nome de Felipe foi lembrado em programas de televisão e na tal passeata “contra a violência”, que ocorreu em São Paulo em meados de novembro.

O negócio mesmo era Liana, cujo pai em desespero pôde mover até mesmo helicóptero para ir a seu encalço. E pôde, com apoio da tal comunidade, ter acesso a todo tipo de mídia, do mais rasteiro programa de televisão da apresentadora Hebe Camargo e seus ares de xaveco fascista a entrevistas de página inteira à nata da imprensa que serve à elite.

Por acaso a classe alta saiu às ruas para pedir a pena de morte para outra menina rica paulista, Suzane Richthofen, acusada de planejar o assassinato dos próprios pais, junto com o namorado, em 2002? Por acaso a classe alta pediu pena de morte para o também jovem paulista Jorge Bouchabki, acusado (e depois inocentado) em 1988 do assassinato dos pais, no famoso “crime da rua Cuba”?

O caso de Liana Friedenbach reúne todos os elementos da hipocrisia da elite paulista – esta de nomes estrangeirados, pronta para impor-se, para humilhar e esmagar sob seus pés os espantados “silvas”, “sousas”, “costas” e outros nomezinhos portugueses e “afro-escravos”. O pai da moça, o advogado Ari Friedenbach, empenha-se agora em conseguir mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Disse a um jornal de São Paulo que a fotografia de R.A.A.C., 16 anos, acusado de matar sua filha, deveria aparecer nos jornais. Disse também que é “radicalmente a favor” da redução da maioridade penal e que “nossos legisladores se fazem de surdos quando a população clama por isso”. Que população? A que “população” se refere o senhor Friedenbach? Eu mesma não me incluo nessa “população”! Aposto que os jovens da periferia, seus pais ou a mãe de R.A.A.C. também não se incluem. A “população” a que ele se refere é a própria comunidade dele (ou grande parte dela), a classe rica, concentradora de renda num dos países mais desiguais do mundo – o Brasil onde um rico ganha trinta vezes mais do que um pobre!

Uma pesquisa do IPEA publicada em 2001 mostra a ganância e a concentração de renda perpetradas escandalosamente pela elite brasileira: mostra a razão entre a renda dos 20 por cento mais ricos e a dos 20 por cento mais pobres, ou seja, quanto um rico ganha mais do que um pobre em diversos países do mundo. “Platão dizia que esse número tinha que ser 4, ninguém sabe de onde ele tirou o 4, mas ele dizia que o rico tinha que ganhar quatro vezes mais do que os pobres. Na Holanda, um rico ganha 5,5 vezes mais do que um pobre. No Brasil, ganha 25, 30 vezes mais! Nos Estados Unidos, é 10; no Uruguai, também é 10. Então, vê-se aqui o alto nível de desigualdade e a estabilidade dessa desigualdade.”

Agora vem esse rabino pedir pena de morte no Brasil para crimes hediondos. Nos Estados Unidos, que tem pena de morte, os crimes são cada vez mais “hediondos” – conceito, aliás, sem sentido. O que torna um crime mais “hediondo” que outro? Só se for a classe social da vítima: quando é rica e loirinha, então, o crime é mais hediondo do que se a vítima for um “Pernambuco” qualquer, também de 16 anos, morador do Jardim Ângela ou do Capão Redondo, periferia de São Paulo, morto por outro “Pernambuco” de 16 anos, também sem sobrenome. Todo dia morrem às pencas jovens assassinados por outros jovens nas favelas e aglomerados pobres das periferias das grandes cidades – nem por isso há movimentos pela pena de morte ou pela redução da maioridade penal.

A elite brasileira vive mesmo fora da realidade. Não tem idéia do ódio que a diferença de classe insufla todo dia nas gerações de jovens pobres que povoam o país de ponta a ponta, que vagam pelas matas ou pelo asfalto das ruas sem nenhuma perspectiva. Esse R.A.A.C. mal tinha freqüentado a escola. Ele supostamente disse à polícia que, ao caminhar pela mata com outro acusado do crime, “avistaram o casal (Liana e Felipe), cuja aparência física destoava das pessoas que normalmente freqüentam o local”.

O ódio de classe – quem já conviveu com jovens pobres de favelas e periferias conhece esse sentimento. Tudo destoa, humilhando-os, provocando neles desprezo e raiva: a aparência física, a roupa, a escola, a comida, o carro, o jeito, o hospital, o tratamento policial, o enterro. Ora, a polícia de São Paulo jamais iria se bandear daqui para Pernambuco atrás do outro acusado de matar o casal de namorados (em poucos dias encontraram dentro de um ônibus no sertão pernambucano Paulo César da Silva Marques, 32 anos, vulgo “Pernambuco”) se o jovem morto fosse um pernambucanozinho qualquer sem eira nem beira.

Está clara a hipocrisia. A imprensa não trata da violência que essa desigualdade social imposta diuturnamente aos jovens pobres significa. Não trata desse veneno que a elite brasileira truculenta injeta todo santo dia na veia dos meninos. Jovens como R.A.A.C. sabem que não valem nada no mercado. Eles sabem que não passam de “Pernambucos” condenados ao preconceito de classe, à exclusão total, à humilhação. Eles sabem que nada têm a perder – por isso matam. A vida, para eles, dentro ou fora de uma unidade da Febem ou de uma cadeia não faz muita diferença.

Da apresentadora de televisão que se julga no direito de matar R.A.A. C. (Hebe Camargo) ao pai de Liana que quer ver o rosto do rapaz estampado nos jornais da elite, passando pelas declarações oportunistas do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e sua política de segurança fascista (que propõe “endurecer” o ECA), o alvo de todos eles é o mesmo do rabino da pena de morte: o extermínio puro e simples dos jovens pobres. Para que eles continuem, em última instância, a embolsar todo mês trinta vezes mais que qualquer pai maltrapilho e desempregado da favela.

Eles fazem ouvidos moucos para a mensagem que vem da miséria. O que a “violência” diz hoje no Brasil é que ou seremos todos cidadãos ou ninguém será, ou ninguém viverá a “segurança” almejada pelos ricos. Ou serão todos cidadãos ou ninguém será. As democracias evitam sistematicamente pensar a violência e se limitam a contrapor os bons sentimentos gerais em favor da não-violência, diz Josep Ramoneda. “Se aceitarmos como critério a autonomia do sujeito, o ideal kantiano da emancipação individual, o cidadão é a figura política que corresponde a essa idéia de plenitude da pessoa humana”, afirma o estudioso espanhol. Foi a própria elite brasileira que transformou R.A.A.C. em pessoa-animal. É preciso ser intransigente com essa elite brasileira surda e cega ao ódio de classe que ela insufla. É preciso ser intransigente na defesa dos direitos humanos de R.A.A.C. Direitos humanos, sim, para a pessoa que a elite voraz e devoradora quer transformar em animal a ser caçado a laço e exposto à execração pública e à morte pela justiça popular. Mal sabe ela que R.A.A.C. passava por isso todos os dias – pela execração pública. Mal sabe a elite que exclusão social, tal qual ocorre no Brasil, é igual, sempre foi igual, sinônimo mesmo de “execração pública” e de “pena de morte”.

Eis então que a cidade de São Paulo vive uma onda de arrastões, muitos deles ocorridos em restaurantes de luxo. Guardadas as devidas proporções (pois o crime envolvendo Felipe e Liana foi o cúmulo da barbárie), Sakamoto incorporou totalmente o espírito de Marilene Felinto ao criticar as vítimas (e a sociedade), mas jamais os marginais. O texto publicado no blog dele, tem o título: “Ostentação diante da pobreza devia ser crime previsto no código penal”. Veja abaixo:

Os arrastões em restaurantes chiques na capital paulista já tiveram uma consequência, além de aumentar o número de seguranças privados: estão aflorando o que há de pior na elite bandeirante. Já estava ouvindo aqui e ali mais bobagens e preconceitos que o de costume, mas Mônica Bergamo e equipe, em sua coluna na Folha de S. Paulo desde domingo (17), reuniram vários deles em um pacotão – pelo qual sou imensamente grato.

Se o planeta não for gratinado por nossa ignorância no meio do caminho, tenho certeza que uma sociedade mais avançada vai utilizar esse texto para entender o que deu errado em uma cidade como São Paulo. E não estou falando dos arrastões, mas do discurso bisonho de nossa elite.

Não tenho medo de ser assaltado em meu carro porque não tenho carro. Não receio que levem minhas jóias ou meu relógio caro porque não tenho relógio. Não fico com pavor de entrarem na minha casa e levarem tudo porque meu bem mais precioso é um ornitorrinco de pelúcia. Não me apavoro em andar na rua à noite a não ser por conta do risco de chuva. E por mais que vá a bons restaurantes de vez em quando, devo ressaltar que nunca fui assaltado em nenhuma barraca de cachorro-quente… Acho que já deu para entender o recado. Não tenho medo da minha cidade porque, tenho certeza, ela não precisa ter medo de mim.

Ostentação em um país desigual como o nosso deveria ser considerado crime pela comissão de juristas que está reformando o Código Penal. Eles não estão propondo que bulling seja crime? Ostentação é mais do que um bulling entre classes sociais. É agressão, um tapa na cara.

Mais do que uma escolha pelo crime, a opção de muitos jovens pelo roubo é uma escolha pelo reconhecimento social. Um trabalho ilegal e de extremo risco, mas em que o dinheiro entra de forma rápida. Não defendo essa opcão, mas sabemos que, dessa forma, o jovem pode ajudar a família, melhorar de vida, dar vazão às suas aspirações de consumo – pois não são apenas os jovens de classe média alta que são influenciados pelo comercial de TV que diz que quem não tem aquele tênis novo é um zero à esquerda. Ganhar respeito de um grupo, se impor contra a violência da polícia. Uma batalha que respinga em nós, que temos responsabilidade pelo o que está acontecendo, seja por nossa apatia, conivência, desinteresse, medo ou incompetência. A polícia e os chefes de quadrilhas puxam os gatilhos, mas nós é que colocamos as balas na agulha que matam os corpos e o futuro dessa molecada.

Os carros blindados levam para as ruas da cidade a sensação de encastelamento dos condomínios fechados, das mansões muradas, dos shopping centers ou restaurantes caros. Sentimento falso, pois não são muros e chapas de aço que irão garantir segurança aos moradores de uma metrópole como São Paulo. É bom como efeito placebo, para se enganar, mas, mais dia ou menos dia, as “hordas bárbaras” vão engolir a “civilização”. “Hordas” que estão chegando cada vez mais perto, como reclamam os mais ricos.

São Paulo tem mais de 11 milhões de habitantes, mas apenas uns poucos são efetivamente cidadãos, com acesso a todos os seus direitos previsto em lei. Lembra a antiga Atenas, com uma democracia para uns poucos iluminados e o trabalho pesado para o grosso da sociedade, composta de escravos. Enquanto uns aproveitam uma vidinha “segura” dentro de clubes, restaurantes, boates, lojas, residenciais e carros, outros penam para sobreviver e ser reconhecidos como gente. Para cada assassinato em Moema, mais de 100 são mortos no Grajaú. Só que a morte de uma jovem em Moema causa mais impacto na mídia do que a de 100 no Grajaú. Ou no Campo Limpo, bairro em que cresci. A gente fica sabendo por lá que tem vida que vale mais que outras, por causa do dinheiro.

Qual a causa da violência? A resposta não é tão simples para ser dada em um post de blog, mas com certeza a desigualdade social e a sensação de desigualdade social está entre elas. Muito do preconceito presente nos comentários trazidos pela coluna da Folha abaixo vai no sentido contrário a uma solução, isolando os ricos ainda mais, deixando-os alheios ao resto da cidade (por ignorância ou má fé). Corta-se com isso a dimensão de reconhecer no outro um semelhante, com necessidades, e procurar um diálogo que construa algo e não destrua pontes. Há riscos de assaltos? Sempre há e eles vão acontecer, ainda mais em um território que muitos têm e outros minguam. Mas deve se ter em mente que há atitudes que pioram o quadro.

Temos que garantir liberdades individuais e a segurança de usufruí-las. Combater a violência, garantir o direito de sair sem ser molestado. Mas isso só será possível com uma sociedade menos desigual e idiota. Ou a cidade será boa para todos ou a aristocracia que sobrar após o caos não conseguirá aproveitar sua pax paulistana.

Notem, logo de cara, a inversão de valores. Quando ele diz que o que “deu errado” em São Paulo não foi o crime, mas a elite que ostenta, isso significa de maneira explícita dizer que a culpa do crime é da vítima. É preciso de uma demência esquerdista sem igual para defender tal acinte. Não é diferente de dizer que a culpa do estupro é da mulher que ostenta uma minissaia, mas não do estuprador. Mas, a título de argumento, consideremos que “ter algo” é algo criminoso. Como ficam as vítimas pobres de bandidos? Por exemplo, aqueles que moram em bairros pobres e são assaltados a sair do ônibus, voltando do trabalho? (Que eu saiba, a “elite” não pega ônibus…)

Enfim, o argumento de Sakamoto é tão ruim que não merece comentários.

O melhor, no entanto, fica por conta de um leitor que escreveu o seguinte: “Você, que se diz tão “defensor dos direitos humanos” a ponto de colocar isso até no título do seu blog, conseguiu, em um único post, CONTRADIZER AO MENOS 5 ARTIGOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Será que você já a leu??? Se leu, tudo indica que você não entendeu nada. Ou só leu os artigos que te interessaram? Vamos ajudar você a perceber como você é hipócrita? Artigo 3- Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou SOCIAL, RIQUEZA, nascimento, ou qualquer outra condição ( olha só que interessante, os ricos também estão incluídos nos direitos humanos!!) Artigo 4- Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. ( mesmo os ricos, olha só que coisa incrível, mesmo que queiram usar jóias e carros importados e jantar fora!) Artigo 7- Todos são iguais perante a lei e têm direito, SEM QUALQUER DISTINÇÃO, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e CONTRA QUALQUER INCITAMENTO À DISCRIMINAÇÃO. ( o que você fez neste além de um super incitamento à discriminação contra quem tem dinheiro?- você morre de raiva de quem é rico e quer que todo mundo também sinta essa raiva?). Artigo 17- 1. Toda pessoa TEM DIREITO A PROPRIEDADE, só ou em sociedade com outros. 2.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade. ( qualquer coisa que a pessoa tenha por bem adquirido). Artigo 22- Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade. QUERIA VER VOCÊ EXPLICAR ISSO…”HUMANISTA”! Hipócrita…..”

Mas exigir coerência de esquerdista é uma ilusão. E, como a estratégia executada por Sakamoto é APOLOGIA e tolerância ao crime, vários leitores marxistas estão, é claro, fazendo odes aos criminosos. Exemplos abaixo:

  • “Compreendi o que escreveste e concordo com tudo, pelo menos esses crimes servem para a elite saber que não são intocáveis e que no mundo real as coisas são muito piores que ser furtado, não adianta viver em uma retoma, uma hora o “sistema” vai explodir de uma vez e o seu segurança ou carro blindado não vai adiantar.”
  • “HAHAHAHA a elite branca treme. Que morram ostentando.”
  • “Em um mundo que se declara mais preocupado com sustentabilidade, ostentação é definitivamente uma prática criminosa. Você ter mais que o necessário, consumir mais recursos que o necessário, é um atentado ambiental. Se considerar que a Elite só tem o que tem hoje por ter extraído a “mais valia” das classes mais baixas, fica óbvio que por mais que você tenha batalhado pra ter as suas tranqueiras, ainda existe uma parcela roubada do proletariado. Uma pessoa receber 3 ou 4 vezes mais do que outra, beleza. Agora 20, 500? Alguém receber mais do que você vai ajuntar numa vida é justo? Como faz? O dia da pessoa tem 72 horas? Fora isso, foi comentado ali em baixo que a desigualdade e ostentação é inerente ao capitalismo. Ok, concordo. Mas se o capitalismo tem tantos subprodutos negativos, por que continuar com ele? E não, não estou falando de socialismo ou anarquismo. Existem DIVERSAS alternativas. Anos atrás, eu ficaria relutante em apoiar esse tipo de artigo justamente por não querer abrir mão das “minhas coisas”. Em geral, não buscamos respostas, buscamos justificativas pro nosso próprio estilo de vida. E pra muitos aqui, concordar com o artigo é assumir que sustenta (parcialmente ou inteiramente) um estilo de vida decadente. Enfim, a única coisa que não concordo, é a proposição do título mesmo. Sabemos que política proibicionista, e que protege setores específicos da sociedade, não funcionam e dão espaço para abuso. Precisaríamos mudar a CULTURA, de maneira que ostentação precisaria ser proibido, mas socialmente tão mal visto quanto defecar em público. O único problema, é que pra isso vamos ter que brigar com dois gigantes. As corporações e a Grande mídia.”
  • “Texto simplesmente genial !!!”
  • “Sakamoto, Tenho o maior respeito pelo seu trabalho, até porque o seu currículo é inquestionável, isto justifica a ira nos comentários dos riquinhos sem causa, esnobar do que tem e não ser molestado, que o que?”

Enfim, Sakamoto e a parte marxista de seus leitores (não são todos, pois alguns dos comentaristas lá estão indignados com o post) não dão a minima para a vítima dos bandidos, mas endeusa o criminoso. É fácil neste momento entender por que mentes assim odeiam uma jornalista que ri do erro de português de um criminoso, mas não pensam em momento algum na vítima do assalto cometido por ele.

Na mente de gente como Marilena Felinto e Sakamoto, não há uma reação emocional empática de qualquer tipo quando alguém é vítima de sequestro ou estupro. Mas há uma indignação brutal quando o criminoso é preso. Fazer esquerdistas internalizarem esse tipo de sensação é a essência da estratégia de Apologia e Tolerância ao Crime.

Portanto, quando você vir um professor marxista simular dizer que “defende Direitos Humanos” (e como já mostrei várias vezes, isso é apenas uma rotina de controle de frame, pois nem de longe há uma prioridade aos criminosos quando se fala em Direitos Humanos), saiba que ele é tão inimigo seu quanto aquele sequestrador que pode lhe espreitar em um estacionamento escuro ou em um sinaleiro.

Sakamoto adora apontar o dedo para a “sociedade”, ao acusá-la de culpada pelos crimes. Quanto a isso, o argumento dele é ruim demais. Mas seu texto é uma confissão de que ele, dentre o restante da “sociedade”, é muito mais culpado pelos crimes violentos. Afinal, ele está do lado dos criminosos. E totalmente contra as vítimas.

Escavação de alegações: por que isso deve ser um método?

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Como venho de uma família com vários advogados, entre eles o meu pai, sempre ouvia o termo “alegação”. Quando meu pai comentava sobre algum caso, ouvir frases como “A parte X pode alegar X, portanto devemos nos preparar para isso” era comum. Hoje não moro mais com ele (nem na mesma cidade), mas sei que ele continua bastante esperto nas “alegações” da outra parte.

Entretanto, o termo alegação aparece também muitas vezes em debates envolvendo ceticismo

James Randi, por exemplo, descreve a si próprio como um “investigações de alegações paranormais”. Assim, as alegações paranormais são o objeto de seu ceticismo.

Alguns mestres da neurolinguística sempre nos lembram que “o homem é um animal linguístico”. Portanto, por causa das construções semânticas utilizadas, ele pode interpretar a realidade de uma maneira completamente diferente da realidade em si. Enfim, ele pode construir a própria realidade.

Um exemplo está no uso histórico do termo “cético” por pessoas que questionavam o sobrenatural. Naturalmente, esse é um exemplo de ceticismo, mas, como já abordei mais de uma vez, não é a única forma. Entretanto, ao acharmos que o ceticismo se resume ao paranormal, o apressado poderá interpretar a afirmação de James Randi (de ser um “investigador de alegações paranormais”) como se ele fosse o questionador “de alegações”. Um mero erro cognitivo poderia levar alguém a achar que se há alegações, elas são relacionadas ao sobrenatural.

Mas se você não caiu neste erro linguístico, conseguirá compreender que uma alegação não necessariamente fala de eventos sobrenaturais. E o ceticismo deve ser aplicado a todo tipo de alegações, não apenas as alegações sobrenaturais.

Exemplos de alegações sobrenaturais incluem a leitura na borra do café, a quiromancia, ou até mesmo a validade do horóscopo. Mas, só para ficar no meu território (o do ceticismo político), os itens abaixo também são alegações:

  • O homem poderá criar um paraíso em Terra, por sua ação (alegação tanto humanista quanto marxista)
  • As diferenças comportamentais entre os sexos são apenas construções culturais, não tendo  relação com a biologia (alegação feminista)
  • O estado age como se fosse laico ao retirar o crucifixo de uma repartição pública, mas viola o estado laico se o deixa por lá (alegação tanto humanista quanto neo ateísta)
  • Muitos guerrilheiros estavam lutando pela liberdade, não pela ditadura, na época do regime militar (alegação marxista)

Como se nota, em muitos textos esquerdistas você já viu alegações do tipo, que deveriam ser questionadas, desmascaradas e ridicularizadas tal qual o ceticismo de combate de James Randi.

Mas ainda podemos ir além.

Ao rastrearmos as alegações contidas nos discursos, podemos até encontrar alegações não tão evidentes. Alguns exemplos:

  • A ciência nos diz para nos guiarmos pelos ideais humanistas (há duas alegações embutidas aqui, sendo a primeira tentando simular que o alegador é um “representante da ciência”, e a segunda dizendo que ciência e humanismo estão diretamente relacionados)
  • Como representantes de Direitos Humanos, é vital nos preocuparmos com o bem estar dos presidiários (outras duas alegações, sendo a primeira na qual o alegador se posiciona como representante dos direitos humanos, e a segunda onde é afirmado que o bem estar dos presidiários é uma prioridade dos Direitos Humanos)

Há várias formas de questionar todas as quatro alegações embutidas nos dois discursos citados acima, mas antes de tudo, o importante é não nos esquecermos que se temos alegações, temos uma investigação a fazer.

Há ainda um terceiro caso no qual as alegações não estão evidentes, mas escondidas detrás de uma malha de palavras, que induzem o leitor ou ouvinte a crer em uma determinada alegação. Vamos a um exemplo já clássico neste blog, em um trecho retirado de “Deus, Um Delírio”, de Richard Dawkins:

Mas diz-se com frequência e com razão que as guerras, e as brigas entre grupos ou seitas religiosas, raramente dizem respeito a discordâncias teológicas. Quando um paramilitar protestante do Ulster mata um católico, ele não está pensando: “Tome isto, seu idiota transubstancionista, mariólatra, incensado!”. É muito mais provável que ele esteja vingando a morte de outro protestante morto por outro católico, talvez dentro de uma vendeta transgeracional. A religião é um rótulo para a inimizade entre integrantes do grupo/forasteiros e para a vendeta, não necessariamente pior que outros rótulos como a cor da pele, a língua ou o time de futebol preferido, mas freqüentemente disponível quando outros rótulos não estão disponíveis. Sim, sim, é claro que os problemas da Irlanda do Norte são políticos. Realmente houve opressão económica e política de um grupo sobre o outro, e isso remonta a séculos atrás. Realmente existem ressentimentos e injustiças genuínos, e eles parecem ter pouco a ver com religião; tirando o fato de que — e isso é importante e muitas vezes deixado de lado — sem a religião não haveria rótulos herdados ao longo de muitas gerações.

Embutido na afirmação acima está a alegação extraordinária de que o gregarismo (presente em todas as espécies) seria reduzido na espécie humana apenas com a eliminação da religião. Segundo Dawkins, o gregarismo humano é AMPLIFICADO pela religião. Obviamente, ele não tem evidência alguma disso, mas propaga essa alegação em grande quantidade. Curiosamente, raramente vi adversários de neo ateus isolarem essa alegação, efetuando sua demolição em larga escala.

Isso acontece pois muitas vezes deixamos passar algumas alegações do outro lado ficarem incólumes.

Esse é um erro imperdoável, pois um dos pontos centrais nos quais alguém pode ser atingido está relacionado com as alegações infundadas que possui.

Não podemos também esquecer de uma das afirmações centrais do framework de ceticismo político defendido aqui: não há crença política grátis. Se você não questionar o seu oponente quando este fizer uma alegação política infundada, isso jamais ficará barato. Se você não cobrar dele o preço desta alegação, você paga este preço.

Portanto, quando for encarar o discurso de seus oponentes politicos, reserve um cuidado especial para as alegações de qualquer tipo que estiverem contidas em tudo que ele propagar. Mesmo aquelas alegações que não pareçam tão óbvias à primeira vista.

Escavar as alegações é simplesmente buscar garantir que NENHUMA alegação que seja ao mesmo tempo inválida e benéfica para o seu oponente político passe incólume ao questionamento incisivo.

Essa perspectiva deveria estar incorporada ao DNA de todo cético político.

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